Seguro quer evitar segundo resgate e pede decência política a Passos

Líder do PS durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro (Foto: GERARDO SANTOS /GLOBAL IMAGENS)
Líder do PS durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro (Foto: GERARDO SANTOS /GLOBAL IMAGENS)
Líder do PS durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro (Foto: GERARDO SANTOS /GLOBAL IMAGENS)

António José Seguro afirmou, esta sexta-feira, que tudo fará para que Portugal evite um segundo programa de assistência financeira, mas pediu decência política ao primeiro-ministro, enquanto Passos Coelho acusou o líder socialista de “incongruência”.

Esta troca de posições entre António José Seguro e Pedro Passos Coelho teve lugar na Assembleia da República, durante o debate quinzenal, dedicado ao tema das oitava e nona avaliações da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) sobre o Programa de Assistência Económica e Financeira de Portugal.

“O Governo e a troika falam em sucesso e estão auto satisfeitos com o programa que está a ser aplicado. Mas, se esse é o sucesso, porque falou o primeiro-ministro há menos de 15 dias sobre a necessidade de um segundo programa de ajuda externa para Portugal?”, questionou o líder socialista.

O primeiro-ministro respondeu imediatamente, dizendo que Portugal não precisará de um segundo programa de auxílio externo, que seria “um risco demasiado grave para o país enfrentar”.

Neste contexto, o secretário-geral do PS afirmou que “tudo fará para evitar” que Portugal seja “alvo de um segundo programa de assistência financeira”.

No entanto, Seguro agarrou-se à ideia do líder do executivo de que Portugal dispensará um novo programa de assistência financeira e deixou uma advertência: “Fica claro que o primeiro-ministro de Portugal disse no parlamento, a 4 de outubro de 2013, que Portugal não vai precisar de um novo programa de ajuda externa, tenha a designação que tiver. Isso é que fica nos registos”, disse, provocando protestos nas bancadas do PSD e do CDS.

O secretário-geral do PS atacou depois o líder do executivo, dizendo que os portugueses “já sabem o que valem as suas palavras”.

“Os portugueses não vivem das suas palavras, vivem da realidade e a realidade é completamente diferente”, afirmou Seguro, considerando que o primeiro-ministro não ouve os portugueses.

“Diz que a recessão deste ano vai ser menor do que o previsto (1,8%), mas ao menos haja decência. Qual o número que previa há um ano? Era de menos 1%. Quem é que o senhor julga que engana? Tem de haver decência na vida pública”, rematou o líder socialista.

Pedro Passos Coelho deu também uma resposta dura ao secretário-geral do PS, pegando precisamente na afirmação de Seguro de que tudo faria para evitar um segundo resgate a Portugal.

“Se é verdade que o país não vive das minhas palavras, também não vive das suas. Tenho dito o que significa evitar um segundo programa, mas também tem de dizer o que isso significa na sua perspetiva. Cada vez que [Seguro] intervém, depois de dizer que está firme defendendo o programa, a verdade é que se manifesta todos os dias contra o programa, contra a troika e contra o Governo”, apontou o primeiro-ministro.

Ainda de acordo com Passos Coelho, o secretário-geral do PS critica o Governo cada vez que não atinge uma meta “por não haver a austeridade suficiente”.

“Mas, no mesmo passo, também nos critica por impor austeridade a mais aos portugueses. Isso é incongruência. O senhor deputado tem de explicar ao país o que significa para o PS fechar com sucesso o programa de assistência”, referiu Passos.

O primeiro-ministro demarcou-se ainda da ideia do secretário-geral do PS de pedir uma flexibilização da meta do défice de 2014 para os 5%, contrapondo que essa seria uma via para comprometer o regresso aos mercados por parte de Portugal. (jn.pt)

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