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Secretário de Estado Rui Machete prepara cimeira em Luanda
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Secretário de Estado Rui Machete prepara cimeira em Luanda

Após três visitas de Paulo Portas e de ter sido o destino da primeira viagem ao estrangeiro de António Pires de Lima, Luanda está, de novo, no roteiro do Governo português. Jornal de Angola voltou ao ataque

Luís Campos Ferreira, à direita de Rui Machete, está, desde hoje, em Luanda (MIGUEL MANSO )

Luís Campos Ferreira, à direita de Rui Machete, está, desde hoje, em Luanda (MIGUEL MANSO )

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, inicia hoje uma visita de dois dias a Angola com o objectivo de preparar a 1.ª cimeira bilateral entre os dois países que será presidida pelos respectivos primeiros-ministros. Campos Ferreira manterá reuniões com o chefe da diplomacia de Luanda, Georges Chikoti, com os secretários de Estado da Cooperação e Relações Exteriores, e com responsáveis das pastas da Economia, Comércio, Saúde, Ensino Superior, Juventude e Desportos, Cultura e Comunicação Social.

Durante a visita, o secretário de Estado terá reuniões com empresários portugueses com investimentos em Angola. A próxima cimeira, cuja data definitiva ainda não está definida, deverá permitir o arranque de uma série de projectos de empresas portuguesas e é, neste momento, uma prioridade da diplomacia portuguesa. Enquanto ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas visitou por três vezes Luanda e o novo responsável da Economia, o também centrista António Pires de Lima, teve na capital angolana o destino da sua primeira visita oficial ao estrangeiro. Em Luanda, Pires de Lima manteve conversações com o seu homólogo, com o titular da pasta do Comércio e com o vice-presidente Manuel Vicente, e participou na criação de um grupo de trabalho misto para a monotorização dos projectos de investimento entre os dois países.

Ontem, em editorial, o Jornal de Angola voltou a indignar-se contra “as elites portuguesas corruptas e ignorantes”. No artigo, de novo assinado pelo director, José Ribeiro, o órgão oficial do MPLA, partido no poder liderado pelo Presidente, José Eduardo dos Santos, acusa essas elites de “insultar e caluniar” os políticos eleitos em Luanda e de tudo terem feito “para derrubar o Governo angolano”. Depois de uma primeira reacção à polémica em Portugal após a entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, à Rádio Nacional de Angola, o jornal volta a queixar-se dos “insultos e calúnias” e do ataque “gratuito e desqualificado” de um “país amigo”.

Sob o título “Reciprocidade”, o autor, que várias vezes qualifica as elites portuguesas de “ignorantes e corruptas”, considera ter chegado o momento para se exigir de Portugal o tratamento que este país recebe de Angola e o fim dos “insultos”. Sem nomear ninguém refere-se a “essas elites, que passam de regime em regime sempre na crista da onda” e inclui nelas “os que dominam” os “órgãos de comunicação social” portugueses, não deixando de fora os órgãos públicos RDP e RTP, acusando todos de “falta de educação” quando falam do “regime de José Eduardo dos Santos” como falam do “regime de Assad”.

O editorialista defende que “o Presidente José Eduardo dos Santos e o MPLA têm um fortíssimo e inegável apoio popular” para depois acentuar que isso não agrada a Portugal. “Não podemos admitir que em Portugal políticos e jornalistas, intelectuais com ideias submersas em ódios recalcados não respeitem os nossos símbolos nacionais e desonrem os titulares dos nossos órgãos de soberania”, insiste. No domingo, depois dos apelos em Portugal à demissão de Rui Machete por este ter pedido desculpas a Angola a propósito das investigações da Procuradoria-Geral da República portuguesa a altas figuras do Governo angolano, o jornal atacava directamente a procuradora-geral da República. Joana Marques Vidal tinha sexta-feira esclarecido, em comunicado, que estavam pendentes no Departamento Central de Investigação e Acção Penal “vários processos em que são intervenientes cidadãos angolanos, quer na qualidade de suspeitos, quer na qualidade de queixosos”. Dois dias depois, o Jornal de Angola escrevia: “Ao alimentar manchetes e notícias falsas que têm no centro figuras públicas angolanas, o Ministério Público e a procuradora-geral da República, Joana Vidal, puseram-se fora da lei.”

A peculiar forma de se referir a Portugal utilizada pelo Jornal de Angola é, porém, desvalorizada pela diplomacia lusa. No Palácio das Necessidades é sublinhado que o objectivo do diário que ataca as “elites corruptas e ignorantes” de Portugal é interno. (publico.pt)

Por Nuno Ribeiro e Ana Dias Cordeiro

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