PSD propõe expulsão de 396 militantes por terem apoiado listas adversárias

(Foto: TSF)
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Decisão de desfiliação está nas mãos do conselho de jurisdição nacional. Mas pode haver mais de 500 processos idênticos

O PSD prepara-se para expulsar 396 militantes que estiveram envolvidos em candidaturas adversárias às do partido nas recentes eleições autárquicas. Ao que o PÚBLICO apurou junto de dirigentes nacionais do PSD, estes processos, que resultam de queixas, aguardam já decisão do conselho de jurisdição nacional. Mas outras queixas estão a caminho e no total podem abranger mais de cinco centenas de militantes.

De acordo com os estatutos do partido, “cessa a inscrição no partido dos militantes que se apresentem em qualquer acto eleitoral nacional, regional ou local, na qualidade de candidatos, mandatários ou apoiantes de candidatura adversária da que foi apresentada pelo PPD/PSD”. Os estatutos determinam ainda “a suspensão automática e imediata de todos os direitos e deveres de militante, desde o momento da apresentação da candidatura até ao trânsito de decisão final”.

Ontem, o presidente da concelhia de Matosinhos do PSD, Pedro da Vinha Costa, enviou para a direcção nacional uma queixa com contornos idênticos, na sequência da decisão tomada em plenário de militantes. “Não há comportamento mais grave do que trair o partido a que se pertenceu. Ninguém é obrigado a ser militante do PSD. Não se pode é estar com um pé fora e um pé dentro”, declarou este dirigente ao PÚBLICO.

Como os estatutos são claros em relação às sanções a aplicar aos militantes que infrinjam os seus deveres para com o partido, todos aqueles que estiveram ligados a candidaturas opositoras saltaram automaticamente das listas de militantes das respectivas secções, listas que vão servir de base aos cadernos eleitorais nas eleições que vão decorrer em muitas concelhias do partido.

No caso de Gaia, por exemplo, “há muitas pessoas” que estavam inscritas numa lista de militantes em Maio passado e que agora já não fazem parte da lista que foi fornecida pela direcção nacional. Uma grande parte dessas pessoas tinha apoiada a candidatura de José Guilherme Aguiar, que se desfiliou do PSD para se candidatar como independente contra Carlos Abreu Amorim. E ao longo do dia de ontem houve muita especulação sobre as razões pelas quais os militantes não constam.

O partido, pela voz do líder distrital do Porto do PSD, Virgílio Macedo, assegurou que os “militantes afastados têm as quotas em atraso”. Já os apoiantes de Guilherme Aguiar falam de purga. Entre as pessoas que deixaram de constar das listas estão familiares de Guilherme Aguiar, que são militantes do partido. A filha do candidato, Ana Gomes Aguiar, é uma das pessoas com quotas em dia, mas que deixou de constar da lista de militantes da secção.

Ao que foi possível apurar, o nome da filha de Guilherme Aguiar faz parte da queixa que Firmino Pereira, vereador e vice-presidente da distrital, fez chegar à direcção do partido e que dá conta do seu envolvimento na candidatura autárquica do pai. Refira-se que Firmino Pereira vai ser candidato à concelhia do PSD de Gaia.

Uma apoiante do candidato independente, Maria Orquídea Correia, ligou ontem para a redacção do PÚBLICO a dar conta da sua indignação pelo facto de não fazer agora parte da lista, associando esta circunstância ao facto de não poder votar nas próximas eleições para a concelhia de Gaia, marcada para o dia 23, por não constar da lista.

Segundo o partido, os militantes que tiveram as quotas em atraso podem fazê-lo até dez dias antes do acto eleitoral nas respectivas concelhias, mas são também obrigados a enviar uma prova de residência. (publico.pt)

por MARGARIDA GOMES

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