Portugal: Tesouro tenta arrecadar 1.500 milhões de euros com venda de dívida na quarta-feira

(Foto: Jornal de Negócios)
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Tal como previsto, realiza-se a 16 de Outubro um leilão de títulos de dívida de curto prazo. Ao contrário do que aconteceu há um mês, o montante a conseguir está em linha com o previsto inicialmente.
O Tesouro português vai tentar obter até 1.500 milhões de euros junto dos investidores com a venda de títulos de dívida a três e nove meses.

A importância indicativa a alcançar com a operação é de entre 1.250 e 1.500 milhões de euros. Estarão disponíveis para venda duas linhas de Bilhetes do Tesouro: a primeira a três meses (maturidade a 17 de Janeiro de 2014), a segunda a nove meses (maturidade a 18 de Junho de 2014).

O montante, anunciado em comunicado esta sexta-feira pelo IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, está em linha com aquele que era previsto pela entidade para o segundo semestre do ano.

No último leilão de dívida, isto não tinha acontecido. O montante indicativo a conseguir com as duas linhas disponibilizadas era, no programa de financiamento, até 1.500 milhões de euros mas, quando foi anunciado, o valor máximo desceu para 1.250 milhões de euros. A 18 de Setembro, Portugal teve de enfrentar custos de financiamento mais elevados para conseguir colocar a totalidade da dívida prevista, tendo em conta a percepção dos riscos relativos à execução do programa da troika – na altura, voltou a falar-se de um eventual segundo pedido de resgate do País.

Neste momento, e ao contrário do que aconteceu em Setembro, Portugal está a verificar um alívio no mercado de dívida – apesar de ainda não se conhecerem as medidas que vão constar do Orçamento do Estado para 2014. Certo é que o OE 2014 terá medidas que façam com que o défice orçamental no próximo ano não supere os 4% do produto interno bruto (PIB), o que vai exigir medidas mais duras, já que o Governo queria flexibilizar a meta para só ter de apertar o orçamento de modo a registar um défice de 4,5%.

No mercado secundário, os investidores estão a pedir rendibilidades mais baixas para negociar títulos de dívida, o que se tem repetido nas últimas semanas. A taxa de juro associada às obrigações a 10 anos está nos 6,2%, longe dos 7,4% que superou em Setembro, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. Ainda assim, será uma taxa difícil de sustentar um financiamento durante um longo período de tempo. O mercado secundário (com as trocas entre investidores) serve de termómetro ao mercado primário (quando o Estado vende directamente os títulos de dívida).

Regresso aos mercados de longo prazo

O objectivo de Portugal é, em Junho de 2014, conseguir financiar-se sozinho no mercado primário. O País foi bem-sucedido nas oitava e nona avaliações ao programa de ajustamento económico e financeiro. Numa entrevista dada no final de Setembro, o presidente do IGCP, João Moreira Rato, afirmou que, após a conclusão da avaliação, Portugal poderia ficar em condições de regressar ao mercado de dívida de longo prazo (com a venda de obrigações com prazos superiores a 18 meses).

Portugal continua a ir aos mercados de financiamento apenas através de leilão de Bilhetes do Tesouro, os referidos títulos de dívida a curto prazo – com as preocupações face à situação do País, os investidores só têm aceitado, nos últimos dois anos, a adquirir títulos a um futuro próximo. Esta é uma realidade desde que o País se viu “obrigado” a pedir auxílio financeiro internacional para evitar a bancarrota, em Abril de 2011. Desde aí, a presença no mercado de dívida de longo prazo tem sido praticamente nula, à excepção de duas emissões que Portugal concretizou com a ajuda de vários bancos, as chamadas emissões sindicadas, com maturidades a cinco e dez anos.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, considera, contudo, que é possível regressar ao mercado de dívida ainda este ano, tendo em conta que, na conferência de imprensa às avaliações da troika, não afastou, “de todo”, essa possibilidade. (jornaldenegocios.pt)

Por Diogo Cavaleiro

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