Portugal: Quase, quase no play-off

O balde de água fria surgiu nos últimos minutos (Francisco Leong/AFP)

Novo empate com Israel deixa Portugal praticamente no play-off mas afasta a selecção portuguesa, de forma quase definitiva, do primeiro lugar do grupo F.

O balde de água fria surgiu nos últimos minutos (Francisco Leong/AFP)
O balde de água fria surgiu nos últimos minutos
(Francisco Leong/AFP)

Não fossem alguns resultados inesperados e Portugal estaria, neste momento, a festejar a qualificação para o seu quarto Mundial consecutivo. Assim, só tem quase garantido o segundo lugar do Grupo F, depois de nesta sexta-feira, em Alvalade, não ter conseguido melhor que mais um empate com Israel (1-1) e um lugar no play-off com mais sete outros segundos classificados da zona europeia de qualificação.

Como a Rússia venceu, como se esperava, o Luxemburgo (4-0), Portugal vai jogar na próxima terça-feira em dois campos para ainda pensar no lugar cimeiro do agrupamento. Em Coimbra, onde defronta os luxemburgueses (sem Ronaldo e Pepe, que ontem viram amarelos), e em Baku, onde a Rússia defronta o Azerbaijão. Mas a diferença agora é de três pontos. Para o primeiro lugar ainda acontecer, é preciso uma vitória portuguesa, outra azerbaijana e, entre as duas, anular-se uma diferença de sete golos.

Paulo Bento é um conservador que gosta pouco de mudar. Durante o Euro 2012, por exemplo, mudou apenas uma vez em cinco jogos e apenas devido a lesão. E a equipa que tinha de apresentar ontem ia contra a sua natureza, logo no mais decisivo dos jogos desta qualificação, aquele que garantia o mínimo exigível. Quase metade do seu “onze” base estava indisponível e Bento tinha de “inventar” uma equipa. Não sendo uma Rússia, Israel não era, de todo, o adversário ideal para introduzir elementos novos, com tudo o que isso implicava. Como provara o jogo em Ramat Gan (empate 3-3 só garantido por Portugal no último minuto), os israelitas colocaram bem a descoberto algumas falhas defensivas que esta selecção, mesmo a 100%, ainda tem. E era, precisamente, a defesa, o sector com mais remendos.

Algumas das segundas escolhas de Bento surpreenderam, nomeadamente a de André Almeida no lugar de João Pereira, um jogador com menos rotação que Cédric, mas o seleccionador estará já a introduzir na equipa um elemento que vale mais que uma posição. Mais natural foi a escolha de Ricardo Costa para fazer dupla com Pepe, apesar de Neto já ter sido titular nesta qualificação. Previsíveis foram as escolhas de Antunes (que o próprio Bento já tinha confirmado), de Ruben Micael e de Hugo Almeida para os postos que no “onze” fixado pelo treinador português geralmente são de Coentrão, Meireles e Postiga.

O que os primeiros minutos mostraram foi uma consequência previsível da falta de conectividade entre as primeiras e as segundas opções. Eram muitos os passes que não saíam, os espaços que não deviam existir, os posicionamentos que não estavam bem ensaiados e nada acontecia. No meio-campo, era João Moutinho quem segurava as pontas, porque Miguel Veloso arriscava pouco e Micael andava perdido. Cristiano Ronaldo estava escondido e apenas Nani, bem apoiado pelo estreante Almeida (boa exibição na primeira internacionalização do jovem benfiquista), tentava levar perigo à baliza do veterano Aouate.

Depois de uns minutos na expectativa, Israel, a quem só a vitória interessava para continuar a pensar em ir ao Mundial, foi um pouco mais atrevido e aproveitou desentendimentos na defesa para criar perigo na área portuguesa. Ben Basat conseguiu libertar-se da marcação e atirou ao lado da baliza de Rui Patrício. Tinha passado um quarto de hora de jogo e a jogada de maior perigo era de Israel. O domínio pertencia a Portugal, mas os homens de Paulo Bento estavam como nunca expostos a um erro e sofrer com isso. Felizmente para Portugal, que o erro aconteceu do lado contrário.

Minuto 26’, canto marcado por João Moutinho, Pepe dá um toque para a pequena área e Ricardo Costa, sem qualquer marcação, faz o desvio certeiro para a baliza israelita. Foi o primeiro golo na selecção para o central (e capitão) do Valência, que nem sempre foi um bem-amado (vítima de muitos treinadores que quiseram fazer dele um lateral). Era o que os portugueses precisavam para tranquilizar.

A segunda parte voltou a mostrar uma equipa portuguesa adormecida e uma selecção israelita disposta a fazer mossa. Aos 52’, mais uma falha de marcação e Bem Harush obrigou Patrício a fazer a sua única defesa difícil da noite. Porque foi num lance de baixo grau de dificuldade que o guardião que estava a jogar em causa cometeu um enorme erro. Aos 86’, o guardião do Sporting colocou a bola nos pés de Ben Basat, que agradeceu a prenda e fez o empate.

Sobrava pouco tempo para a reacção e ainda houve esperança num livre de Ronaldo (que pouco se viu) aos 90’, mas o guardião israelita segurou a igualdade. O mínimo indispensável, o segundo lugar, estava garantido, mas soube a muito pouco. É pouco provável que as coisas mudem na terça-feira. Quase garantidos estão mais dois jogos no caminho para o Brasil.

Grupo F
1.º Rússia, 9 jogos/21 pontos
2.º Portugal, 9/18
3.º Israel, 9/13
4.º Azerbaijão, 9/8
5.º Irlanda do Norte, 9/6
6.º Luxemburgo, 9/6
Resultados
Azerbaijão-Irlanda do Norte, 2-0
Portugal-Israel, 1-1
Luxemburgo-Rússia, 0-4

(publico.pt)

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