Portugal é dos países periféricos onde o Vaticano comprou menos dívida pública

(Foto: Correo del Orinoco)
(Foto: Correo del Orinoco)
(Foto: Correo del Orinoco)

Portugal é dos países periférico da União Europeia (UE) onde o Banco do Vaticano comprou menos dívida pública, tendo no final de 2012 um total de 1,592 milhões de euros investidos, segundo o primeiro relatório anual da entidade financeira católica.

Os dados referem-se a 2012 e fazem parte do primeiro relatório anual do Instituto para as Obras de Religião (Instituto per le Opere do Religione (IOR) em italiano), a instituição fundada em 1942 e mais conhecida como o Banco do Vaticano

Assim, no caso português, o Banco Vaticano tinha no final de 2011 apenas um milhão de euros em dívida pública portuguesa, tendo em 2012 comprado 1,592 milhões de euros.

Esse valor é o menor (exceto a Grécia onde não detém qualquer dívida) investimento do Banco do Vaticano nos países periféricos da UE.

No caso da Irlanda, por exemplo, o relatório refere que no final de 2012 o IOR tinha investido cerca de 48,1 milhões de euros (eram 80,4 milhões em 2011), em Espanha 589,6 milhões (590 milhões em 2011) e na Itália 1,18 mil milhões (885,8 milhões em 2011).

Apesar disso, e tendo em conta a explicação dada pelo próprio Vaticano, o aumento do investimento em dívida portuguesa corresponde a uma avaliação positiva do risco do país ao longo do ano passado.

O relatório explica que o IOR tem “exposição de crédito principal através das suas carteiras de títulos de emissores ou bancos domiciliados fora do Estado da Cidade do Vaticano”.

Um investimento que vai “monitorizando” para poder “reconhecer a tempo as situações que possam indicar um comportamento anómalo” permitindo assim ao IOR “definir ações corretoras que possam ser tomadas antecipadamente”.

A análise do risco levou, por isso, o Vaticano a aumentar o seu investimento em dívida apenas em Portugal e em Itália, reduzindo-o tanto no caso de Espanha como da Irlanda.

O relatório divulgado pelo OIR é histórico, como recorda a Comissão de Cardeais que explica que surge na sequência da aprovação da primeira lei do Vaticano contra o branqueamento de capitais, em vigor desde abril de 2011.

Na sequência dessa lei, explica a Comissão de Cardeais, o IOR “entrou num processo de reforma do qual a transparência é um elemento chave”.

A instituição continua a “existir para servir a Igreja Católica, em particular as obras de caridade e as suas atividades missionárias, protegendo bens e fornecendo serviços de pagamento”, explicam os cardeais.

O OIT registou em 2012 lucros líquidos de 86,6 milhões de euros (quatro vezes mais que os 20 ME de 2011) fundamentalmente “devido a resultados mais favoráveis de ‘trading’ e valores de títulos mas elevados”.

No final de 2012 o IOR tinha aproximadamente 18900 clientes (menos 1.100 que no ano anterior), gerindo ‘portfolios’ de ativos no valor de 4,8 mil milhões de euros.

O Banco do Vaticano empregava no final do ano passado 114 pessoas. (jn.pt)

DEIXE UMA RESPOSTA