Políticas educativas privilegiam eficácia

(Foto: Kindala Manuel)
(Foto: Kindala Manuel)
(Foto: Kindala Manuel)

O ministro do Ensino Superior disse ontem em Luanda que as políticas educativas se destinam a dotar e a garantir que a formação esteja assente no desenvolvimento da cultura de estudo permanente, de competências de auto aprendizagem, autodidatismo e estudo ao longo da vida.

Adão do Nascimento falava na cerimónia de abertura das XVII jornadas técnico-científicas da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), que decorre desde ontem até sexta-feira nas instalações da Assembleia Nacional.
O ministro disse que estas políticas devem estar orientadas para o desenvolvimento integral humano, devendo combinar harmoniosamente o desenvolvimento cognitivo, socioafectivo e psicomotor, a formação básica, específica, técnica e profissional.
O ministro do Ensino Superior acrescentou que a promoção desses desafios implica “assegurar o equilíbrio entre os diferentes dispositivos educativos das instituições de ensino a todos os níveis”.
Ao longo dos tempos, disse, as políticas educativas foram adaptadas em função do contexto e das perspectivas de desenvolvimento nacional. Deste modo, frisou, podem-se distinguir políticas especificamente concebidas para o período da instabilidade político-militar, para corroborar os esforços de consolidação da paz, unidade e reconstrução nacional e para o lançamento das bases para o desenvolvimento dos diferentes sectores da vida social.
Para Adão do Nascimento, o sistema de educação deve permitir à maioria da população alcançar ganhos qualitativamente significativos em termos de aprendizagens, que se pretendem sólidos pelos seus fundamentos, mas sobretudo pertinentes, relevantes e eficientes, seja qual for o nível de ensino. O ministro considerou ainda que a escolha do tema das jornadas, que decorrem sob o lema “A juventude face à reforma do sistema educativo”, aborda dois grandes fenómenos em voga na sociedade angolana: a juventude e a reforma educativa.
Augurou que durante o encontro vão ser capitalizados os resultados das sessões de diálogo com os jovens, concluídas há menos de um mês, bem como as inúmeras reflexões, questionando ou projectando diferentes aspectos que confrontam o desenvolvimento do sistema de educação angolano.
As XVII jornadas técnico-científicas da FESA prosseguem hoje com os temas “Caracterização da juventude angolana (particularidades, problemas, aspirações e desafios)” e “Desenvolvimento quantitativo dos sistemas de educação, caracterização da evolução, necessidades, oferta e perspectivas”. “O Programa de empreendedorismo no currículo do ensino secundário em Angola”, “As relações de género no contexto da formação”, a “Formação e capacitação técnica e tecnológica” e “O novo papel dos professores face às mudanças da reforma educativa” são outros temas agendados para as XVII jornadas técnico-científicas da FESA.

Metas do milénio

A Fundação Eduardo dos Santos (FESA) destacou ontem, em Luanda, o empenho do Executivo no cumprimento dos Objectivos do Milénio na vertente educativa, representado na execução do Programa Nacional de Educação para Todos.
A declaração foi feita por João de Deus, quando lia uma mensagem nas XVII Jornadas Técnico-Científicas da FESA, que tem como tema geral “A juventude face à reforma do sistema educativo”.
Segundo João de Deus, a segunda reforma educativa iniciada no país em 2004 tem permitido a expansão da rede escolar e o acesso à educação a muitos cidadãos nacionais, elevando a taxa bruta de escolarização. “Actualmente, o número de estudantes do ensino não-universitário é de 6,1 milhões.”
O responsável da FESA reconheceu, no entanto, que várias questões continuam a inquietar o país, como o analfabetismo, que afecta ainda 33 por cento da população. João de Deus apontou como problemas a qualidade do ensino e os conteúdos programáticos, pedagógicos e didácticos bem como a equidade no acesso generalizado ao sistema de educação a todos os níveis.
Para a FESA, disse, a solução destas questões necessitam do contributo e do empenho dos vários actores educativos, incluindo a sociedade civil. “A fundação preocupa-se também com o resultado final da formação dos estudantes nos diferentes níveis de ensino e do conhecimento.”
João de Deus referiu que o analfabetismo é um fenómeno socioeducativo de graves repercussões políticas, afectando directamente os índices de desenvolvimento humano e socioeconómico do país. Por essa razão, defendeu o combate ao analfabetismo como um compromisso e um desafio que deve ser assumido por todos. (jornaldeangola.com)

Por Manuela Gomes

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