Papa pede fim do “escândalo” da fome

(Foto: RR)
(Foto: RR)
(Foto: RR)

O desperdício de alimentos é fruto da “cultura do descartável”, que leva regularmente a sacrificar pessoas aos “ídolos da avareza”, considera Francisco.

O Papa Francisco alertou para o “escândalo” da fome no mundo actual, apesar do desperdício diário de toneladas de comida, numa mensagem por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que se assinala esta quarta-feira.

“É um escândalo que ainda haja fome e subnutrição no mundo. Não se trata apenas de responder às emergências imediatas, mas de enfrentar juntos, em todos os campos de acção, um problema que interpela a nossa consciência pessoal e social, para obter uma solução justa e duradoura”, refere o documento, endereçado a José Graziano da Silva, director-geral da FAO, a agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura.

Segundo o Papa, é preciso “repensar” os sistemas alimentares numa perspectiva solidário, para superar uma “exploração selvagem” da natureza, e mudar estilos de vida que levam ao “consumismo” e ao desperdício de comida.

“A fome e a desnutrição nunca podem ser consideradas como um facto normal, ao qual é preciso habituar-se, como se fizesse parte do sistema: algo tem de mudar em nós próprios, na nossa mentalidade, nas nossas sociedades”, escreve.

A mensagem fala da importância da solidariedade, uma “palavra tão incómoda”, propondo que esta seja a “atitude de fundo nas decisões” políticas, económicas e financeiras.

“A solidariedade não se reduz às diversas formas de assistências, mas esforça-se por assegurar que um número cada vez maior de pessoas possa ser economicamente independente”, precisou o Papa.

Francisco pede que ninguém seja “obrigado a deixar a sua terra” por falta dos meios essenciais de subsistência, propondo uma educação global para a “solidariedade” e a “humanidade”, que coloque sempre a pessoa e a sua dignidade “no centro”, contrariando a mera “lógica do lucro”.

“O desperdício de alimentos mais não é do que um dos frutos da ‘cultura do descartável’, que leva regularmente a sacrificar homens e mulheres aos ídolos da avareza e do consumo, um triste sinal da ‘globalização da indiferença’, que nos vai habituando lentamente ao sofrimento dos outros, como se fosse algo normal”, alerta o Papa.

O Dia Mundial da Alimentação 2013 tem como tema “sistemas alimentares sustentáveis para a segurança alimentar e a nutrição”.

A FAO revelou que 842 milhões de pessoas passam fome no mundo, o que representa um em cada oito habitantes do planeta.

Além destes, mais de dois mil milhões de pessoas têm deficiências nutritivas e todos os anos morrem 2,5 milhões de crianças com fome. (rr.pt/Ecclesia)

DEIXE UMA RESPOSTA