OCDE entrará em recessão se não houver acordo nos EUA

Angel Gurria (Foto: D.R.)
Angel Gurria (Foto: D.R.)
Angel Gurria (Foto: D.R.)

“O ponto morto político nos EUA está a ameaçar desnecessariamente a estabilidade e o crescimento da economia mundial”, diz Angel Gurria.

O secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Angel Gurria, alertou hoje que o conjunto de países da organização, entrará em recessão se não houver acordo sobre o limite da dívida nos Estados Unidos.

“O actual ponto morto político nos Estados Unidos está a ameaçar desnecessariamente a estabilidade e o crescimento, não só dos Estados Unidos, mas também da economia mundial”, sublinha Gurria num comunicado hoje divulgado.

Ainda que reconheça que a probabilidade de que não se consiga um compromisso para subir o limite da dívida norte-americana é “baixa”, Gurria insistiu que está preocupado porque a situação está a ocorrer num momento em que a recuperação económica ainda é “frágil” nos países desenvolvidos.

E sobretudo, avisa o secretário-geral, se não houver acordo a OCDE como conjunto regressará a uma recessão enquanto os países emergentes sofreriam uma “forte desaceleração”.

Referindo-se aos Estados Unidos, Gurria considera que por agora foram feitos cortes amplos e “arbitrários”, mas que se fracassar o aumento do limite da dívida, o que virá será “muito pior” porque a necessidade de corte dos gastos governamentais será de, pelo menos, quatro décimas do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, que
amputaria outro tanto da economia em 2014.

A incerteza sobre uma suspensão de pagamentos sobre uma parte da dívida provocaria por si só turbulências nos mercados financeiros que poderiam aprofundar a inflexão económica e reduzir as receitas fiscais, obrigando a um corte adicional dos gastos públicos.

O sistema bancário seria submetido a um ‘stress’ suplementar sem que o Governo federal pudesse ajudar, ao mesmo tempo que o desemprego voltaria a subir para os piores níveis da crise.

Gurria precisa que “outros países se veriam severamente afectados” porque os Estados Unidos reduziriam as importações do resto do mundo, tendo em conta que a crise da dívida norte-americana e a queda das acções provocaria um fluxo de capitais para outros mercados.

Por isso, Gurria manifesta esperança de que os responsáveis políticos norte-americanos cheguem a acordo para rever o limite da divida e garantam a “normal” continuidade do Governo. (economico.pt/Lusa)

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