MNE português nega arrependimento por ter pedido desculpas a Angola

Rui Machete (Foto: D.R.)
Rui Machete (Foto: D.R.)
Rui Machete (Foto: D.R.)

Lisboa – O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, disse hoje, em Lisboa, não se arrepender de ter pedido “desculpas diplomáticas” ao Estado angolano pelas investigações judiciais que atingem altas figuras do país.

À saída da “II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial”, aberta, esta manhã, em Lisboa, Machete evitou entrar em detalhes sobre as actuais relações diplomáticas com Angola, mas foi peremptório em afirmar que não se arrependia com as suas declarações dadas à Rádio Nacional de Angola, em que pediu “desculpas diplomáticas” ao Estado angolano pelas investigações judiciais que atingem altas figuras do país.

A II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial aborda, entre outros, a internacionalização, ciência e inovação, numa organização conjunta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, e de um consórcio de quatro faculdades portuguesas (as Faculdades de Letras de Lisboa, Coimbra e Porto e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).

Segundo o comité organizador, “a conferência conta com a presença de eminentes oradores sobre as questões que aproximam as ideias da Língua Portuguesa daquelas que se prendem à inovação, ao desenvolvimento, à difusão e à aplicação do conhecimento”.

“Pretende-se, além de desenvolver a reflexão iniciada em 2010, fazer o ponto de situação relativamente à implementação do Plano de Acção de Brasília, bem como propor acções atinentes à promoção do papel da língua portuguesa na produção e divulgação do conhecimento e da inovação em todo o mundo”, salienta.

Em termos de “ciência e inovação”, os organizadores concordam que “embora não se conteste o papel do inglês como principal língua de apresentação, partilha e discussão de resultados de investigação no seio da comunidade científica, é importante que se desenvolva, também, uma reflexão sobre se, no actual contexto mundial, as línguas de cultura devem prescindir de se afirmar, igualmente, como línguas de ciência e de inovação”.

“Deve a ciência produzida nos países de língua portuguesa ser exclusivamente vertida em inglês?”, questionam.

Relativamente à internacionalização, defendem que a definição de uma política de língua envolve uma análise do estado actual da presença da língua portuguesa em diferentes contextos de internacionalização, e esperam por respostas sobre as medidas concretas desenvolvidas para a utilização da língua portuguesa nos organismos internacionais e os instrumentos e recursos digitais disponíveis.

Na sua intervenção, Rui Machete defendeu a necessidade do fortalecimento da língua portuguesa, adiantando que, desde a sua fundação, “a CPLP assumiu uma posição, simultaneamente, realista e ambiciosa, pelos seus três princípios fundacionais (crescimento, expansão e a valorização)”.

“No mundo de hoje, recheado de desafios inimagináveis, há apenas duas décadas, na sua maioria resultantes das novas tecnologias de informação, a língua portuguesa surpreende-nos positivamente nos mais diversos cenários, conquistando prestígio à escala universal e crescendo a um ritmo notável”, notou Rui Machete.

Outro tema a ser discutido prende-se com os vocabulários ortográficos, dos quais se pretende “dar a conhecer os passos a serem seguidos, nos diferentes países, para a implementação do Acordo Ortográfico, do mesmo modo que se pretende aferir o estado de desenvolvimento dos instrumentos de apoio à sua implementação, nomeadamente os diferentes vocabulários ortográficos nacionais e o vocabulário ortográfico comum”.

Salientando que “o interesse pelo idioma aumenta a um ritmo que ultrapassa o crescimento demográfico médio anual da CPLP, que é cerca de um por cento”, Rui Machete considera que “a expansão da língua portuguesa deveria merecer particular interesse aos seus falantes e esforços significativos dos seus governos dos Estados, para desenvolverem uma política concertada de defesa e promoção”. (portalangop.co.ao)

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