Mediterrâneo: Sobreviventes de naufrágio em Malta dizem ter sido alvos de tiros ao deixar a Líbia

Imigrantes naufragados desembarcam de um navio maltês em La Valletta após terem sido resgatados do mar (Foto: Lino Arrigo Azzopardi/AFP)
Imigrantes naufragados desembarcam de um navio maltês em La Valletta após terem sido resgatados do mar (Foto: Lino Arrigo Azzopardi/AFP)
Imigrantes naufragados desembarcam de um navio maltês em La Valletta após terem sido resgatados do mar (Foto: Lino Arrigo Azzopardi/AFP)

Os sobreviventes do naufrágio ocorrido na sexta-feira ao sul de Malta, que deixou mais de 30 mortos, são em sua maioria sírios que fugiam da guerra civil e contaram a várias ONGs e meios de comunicação que foram alvos de tiros quando partiram da costa da Líbia.

A embarcação, que transportava várias centenas de imigrantes, sobretudo sírios, mas também 30 palestinos, saiu na quinta-feira de Zuara (Líbia), uma região localizada a 60 km da fronteira com a Tunísia, segundo os testemunhos de 206 sobreviventes (de um total de 270 a 400 passageiros).

Ashur, um sírio que perdeu no naufrágio sua esposa grávida de gêmeos e seu filho de dois anos, disse à AFP que queria fugir de uma situação horrível para garantir um futuro para sua família. Agora, resta apenas sua filha, que estava em seus braços quando a embarcação naufragou.

Os sobreviventes da tragédia de sexta-feira – acolhidos em Malta e Lampedusa – relataram aos meios de comunicação as circunstâncias caóticas de sua saída da Líbia e explicaram que sua embarcação foi alvo de tiros, o que teria afetado o navio.

Molhake Al Roarsan, um jovem sírio de 22 anos entrevistado em Valeta pelo jornal La Stampa, disse que “três jovens foram feridos, dois nos braços, um nas pernas”. Segundo este sírio, o ataque poderia estar relacionado a um conflito entre grupos de traficantes.

“Ocorreu uma forte discussão, gritos pelo rádio e por telefone com alguém que exigia que retornássemos à terra firme, mas o capitão não parou”, contou.

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que cita os refugiados, informou sobre vários feridos e considerou que os tiros eram provenientes “talvez de milicianos”.

Segundo o jornal Repubblica, os disparos provinham de uma lancha líbia “que provavelmente fazia parte de outro grupo criminoso”.

Outros meios de comunicação locais citam testemunhos que falam de “dois mortos por disparos”. “Atiravam em todas as direções, a bordo era um caos e as pessoas tentavam proteger umas às outras”, relatou um refugiado.

Os imigrantes que saíram diretamente de Zuara afirmam ter pago 1.000 dólares aos traficantes, enquanto os que vinham do Egito precisaram desembolsar de 3.000 a 4.000 dólares.O capitão deste barco clandestino, um tunisiano identificado pelos sobreviventes, foi detido pelas autoridades maltesas, que também abriram uma investigação sobre o suposto ataque, segundo a imprensa.

O ministro italiano da Defesa, Mario Mauro, fez um apelo à União Europeia para que adote decisões concretas durante a cúpula que irá ocorrer nos dias 24 e 25 de outubro, “para garantir a estabilidade política dos países africanos e enfrentar os fluxos migratórios”.

A Europa “deve escolher seu destino: vai fechar os olhos a uma mudança histórica dos fluxos migratórios ou vai agir com novas medidas jurídicas e políticas?”, se perguntou, acrescentando que o que acontece “na Síria fará com que milhares de pessoas continuem fugindo por décadas”.

Este drama ocorre após o naufrágio de outro barco em frente à costa de Lampedusa, no dia 3 de outubro. Na embarcação viajavam mais de 500 refugiados, em sua maioria eritreus, e apenas 155 sobreviveram. Até o momento, 359 cadáveres foram encontrados, o que o converte na pior tragédia migratória ocorrida na Itália em mais de 10 anos.

Segundo organizações não governamentais, cerca de 20.000 imigrantes e refugiados perderam a vida tentando atravessar o Mediterrâneo nos últimos 20 anos. (swissinfo.ch/AFP)

 

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