Guiné-Bissau: Procuradoria-Geral cria equipa para investigar distúrbios

Avenida para o aeroporto de Bissau. À esquerda o mercado de Bandim (Foto: © David J. Guimarães (2005))
Avenida para o aeroporto de Bissau. À esquerda o mercado de Bandim (Foto: © David J. Guimarães (2005))
Avenida para o aeroporto de Bissau. À esquerda o mercado de Bandim (Foto: © David J. Guimarães/2005)

Bissau – A Procuradoria-Geral da República da Guiné-Bissau anunciou a criação de uma equipa de investigação aos distúrbios registados na terça-feira na capital, Bissau, que provocaram um morto.

Um homem nigeriano morreu depois de ter sido espancado pela população, de acordo com testemunhas, carros foram incendiados e a embaixada da Nigéria foi vandalizada por dezenas de pessoas em fúria.

Na origem da desordem, que paralisou o Mercado do Bandim e a principal avenida da cidade, estão relatos de raptos de crianças supostamente feitos por nigerianos, facto desmentido pela polícia, que refere também não ter queixas dos referidos crimes.

Para apurar o que se passa, o Procurador-Geral da República (PGR), Abdu Mané, assinou quarta-feira um despacho em que cria uma equipa de investigação para averiguar “a existência dos crimes de tráfico de órgãos e seres humanos no país” e levar os autores perante a justiça.

A equipa de investigação conjunta “será presidida por Luís Cabral, Procurador-Geral Adjunto, e integra um elemento da Polícia Judiciária, um da Polícia de Ordem Pública e dois da Guarda Nacional”, refere o despacho, a que a Lusa teve acesso.

Os resultados deverão ser entregues no prazo de 20 dias, conclui.

Num comunicado que acompanha o despacho, o PGR apela ainda à população para que apresente queixa junto das autoridades caso conheça algum caso suspeito.

Entretanto, o governo de transição anunciou que está a acompanhar o inquérito em curso, “que deve ser muito rápido”, referiu Aristides Ocante da Silva, ministro da Administração Pública, no final da reunião do Conselho de Ministros.

Segundo o governante, é importante averiguar as responsabilidades pelos distúrbios e a veracidade dos relatos sobre raptos de crianças.

Ainda segundo Aristides Ocante da Silva, o ministro de transição com a pasta dos Negócios Estrangeiros, Delfim da Silva, endereçou condolências ao embaixador da Nigéria em Bissau, ainda na terça-feira, pela morte de um cidadão nigeriano.

Ocante da Silva referiu que o executivo está a trabalhar para garantir a segurança aos cidadãos da Nigéria e sublinha que o incidente “não afectará as relações” entre os dois países. (portalangop.co.ao)

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