EUA: Republicanos avançam com solução temporária para crise da dívida

John Boehner continua a exigir concessões ao Presidente Obama (Win McNamee/Getty Images/AFP)

Republicanos dispostos a votar aumento temporário do tecto do limite da dívida federal mas insistem em derrotar o Obamacare.

John Boehner continua a exigir concessões ao Presidente Obama (Win McNamee/Getty Images/AFP)
John Boehner continua a exigir concessões ao Presidente Obama (Win McNamee/Getty Images/AFP)

Os republicanos que dominam o Congresso norte-americano avançaram esta quinta-feira uma proposta com uma solução temporária para evitar que a economia dos Estados Unidos entre em incumprimento antes do fim do mês, à qual juntaram um apelo ao regresso do Presidente Barack Obama à mesa das negociações para a aprovação de um orçamento e a redução do défice.

Os republicanos que dominam o Congresso norte-americano avançaram ontem uma proposta com uma solução temporária para evitar que a economia dos Estados Unidos entre em incumprimento antes do fim do mês, à qual juntaram um apelo ao regresso do Presidente Barack Obama à mesa das negociações para a aprovação de um orçamento e a redução do défice.

Pressionado pelo calendário e pela opinião pública, o Speaker do Congresso, John Boehner, disse que a bancada republicana estava disposta a votar a favor de um aumento provisório da capacidade de endividamento do país, subindo o chamado tecto do limite da dívida federal e afastando o risco de um “default” até ao próximo dia 22 de Novembro. A votação poderá acontecer ainda hoje se, como exigiu o republicano, o Presidente “aceitar sentar-se connosco para discutir a melhor forma de reabrir os serviços públicos e resolver os problemas prementes para os americanos”.

A proposta foi tornada pública horas antes de uma reunião na Casa Branca, a pedido do Presidente, para ultrapassar o impasse legislativo que já provocou o encerramento de todos os departamentos e agências do Governo federal (que não são considerados essenciais), e que tem mantido os mercados internacionais à beira de um ataque de nervos, com a possibilidade de os EUA ficarem sem dinheiro para honrar os seus compromissos financeiros.

Segundo as estimativas, o país vai atingir o limite de endividamento na próxima quinta-feira – se o Congresso não legislar a tempo, a economia mundial sofrerá um golpe mais duro do que aquele provocado pela falência do banco Lehman Brothers, em 2008. Obama pediu aos republicanos para votar o aumento do limite da dívida pelo prazo mínimo de um ano, e sem contrapartidas, como foi a prática corrente do Congresso durante décadas.

O impasse legislativo resulta da feroz oposição dos republicanos afiliados ao Tea Party à reforma no funcionamento do sistema de saúde dos EUA, conhecida como Obamacare, e que prevê o acesso quase universal da população a cuidados médicos através da subscrição de um seguro de saúde. Os conservadores recusaram votar qualquer proposta de orçamento de Estado que não contemplasse o corte das verbas para o financiamento do Obamacare: sem verbas cabimentadas, os serviços do Estado foram obrigados a suspender o seu funcionamento.

A solução temporária oferecida por Boehner não oferecia nenhum compromisso para a aprovação do orçamento, e a imprensa americana escrevia que a posição de força dos republicanos na Câmara de Representantes permanecia inalterada. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que “o Presidente já deixou muito claro que não está disposto a pagar um resgate para o Congresso cumprir o seu papel e garantir o pagamento das contas do país”. (publico.pt)

 

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