EM 16 HOSPITAIS: Mais de um dia internados à espera de operação programada

Fotografia © Global Imagens
Fotografia © Global Imagens
Fotografia © Global Imagens

Entre 41 hospitais do Serviços Nacional de Saúde há 16 que deixam os doentes mais de um dia internados à espera de serem operados, quando a cirurgia já estava programada e deveria acontecer em menos de 24 horas.

É um dos novos indicadores que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) introduziu na ferramenta de benchmarking, que compara a resposta dos hospitais. As unidades são divididas por vários grupos de acordo com a complexidade dos atos e doentes que recebem, permitindo comparar entre cada grupo os mais eficazes.

No caso da demora média antes da cirurgia, o tempo que referência são as 24 horas. Até porque em análise estão as cirurgias programadas, ou seja o doente já foi estudado antes e foi chamado pelo o hospital para aquela data. Mas mesmo assim, há unidades que não cumprem este valor de referência.

No total de todos os grupos são 16. “Quando se prepara a cirurgia espera-se que haja uma consulta pré-anestésica para ver se o doente está em condições. Por vezes os meios não estão todos reunidos e o doente fica à espera o que resulta em inércia dos hospitais e que estes podem combater”, refere Alexandre Lourenço, vogal do conselho de administração da ACSS, referindo que é normal que os hospitais com maior complexidade apresentem maiores tempos de espera.

Olhando para os grupos é de facto naquele que engloba unidades de fim de linha como S. João, Santa Maria ou Universitários de Coimbra que mais unidades ultrapassam as 24 horas de demora média. É o Centro Hospitalar do Porto que tem a melhor resposta. os doentes esperam em média 0,70 dias. Na ponta oposta está o Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra com uma demora média de 1,38 dias.

Também na área da qualidade entrou um novo indicador: percentagem de doentes com fratura da anca operados nas primeiras 48 horas. “O objetivo é que taxa chegue perto dos 100% em todas as unidades. Até agora tem sido dada pouca importância a este indicador de qualidade, mas acreditamos que tem em enorme potencial de melhoria”, refere Alexandre Lourenço.

E as diferenças são grandes entre os hospitais, dentro de todos os grupos pelos quais são agrupados de acordo com os níveis de complexidade. No grupo E, que compara unidades de fim de linha, 75% dos doentes com fratura da anca do Centro Hospitalar do Porto são operados nos dois primeiros dias após o internamento. Esta é a unidade de referência para o grupo. O Centro Hospitalar Lisboa Ocidental é o pior com 29%. Ou seja, apenas três em cada dez doentes são operados dentro do tempo indicado. (dn.pt)

Por Ana Maia

DEIXE UMA RESPOSTA