E a mana “Madó”, prefere o LNG ou o hóquei?

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário Foto (DR)
CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário Foto (DR)
CARLOS ROSADO DE CARVALHO
Economista e Docente universitário
Foto (DR)

Nos últimos dias cansei-me de ouvir discursos laudatórios acerca da realização do campeonato Mundial de Hóquei em Patins em Angola. Que somos um exemplo para o Mundo, porque em escassos meses erguemos pavilhões que outros países levariam anos a construir, que as infra-estruturas criadas são um ganho para a juventude e vão impulsionar a prática desportiva, que o evento é um cartão postal para o turismo angolano, etc., etc., etc..

Para construir pavilhões, basta ter dinheiro. Se os quisermos fazer em tempo recorde, basta pagar a taxa de urgência, como, seguramente, tivemos de fazer. A avaliar pelo que sucedeu com o Afrobaskete e o CAN, tenho sérias dúvidas sobre se as infra-estuturas do hóquei vão efectivamente beneficiar a juventude e promover a prática desportiva.

Seria mais eficaz espalhar mais campos mais pequenos e mais baratos das mais diversas modalidades, pelas escolas e os bairros do País.Os turistas que visitam Angola antes, durante e depois dos eventos contam-se pelos dedos das mãos. Maior agilidade na concessão de vistos e a promoção da concorrência nos voos de e para Luanda, com o objectivo de baixar os preços, fariam muito mais pelo turismo angolano do que eventos desportivos, sejam continentais ou mundiais.

Do ponto de vista da projecção internacional do nome de Angola, se não fui entusiasta do AfroBAskete e no CAN, tratando-se do hóquei em patins, uma modalidade nobre, mas com poucos adeptos, em Angola e no Mundo, ainda menos entusiasmado fico.

Do ponto de vista económico, o que mais me preocupa é o custo de oportunidade do dinheiro gasto. Face à escassez de recursos, o verdadeiro custo dos três eventos que Angola organizou não foram os 70 mil milhões Kz investidos só em infra-estruturas desportivas, mas o que deixou de ser feito caso esse dinheiro fosse aplicado em outros sectores, com taxas de retorno económico e social mais elevadas, como a educação e a saúde.

Dir-me-ão que, ao desporto, também, deve ser uma prioridade nacional. Pois deve. Mas, como sugeri anteriormente, pequenos investimentos num maior número de campos, criados de raiz ou reconstruídos, faria mais pela promoção do desporto e a ocupação da juventude do que os mega recintos erguidos com custos elevadíssimos, a começar pela construção e a acabar na manutenção, face ao previsível (baixo) grau de utilização.

Se dúvidas houvesse, bastaria olhar para os supostos equipamentos desportivos ao longo das vias principais de capital, que diariamente atraem milhares de luandenses,jovens e menos jovens, apesar dos riscos que a sua utilização comporta.No mesmo dia em que arrancava o Mundial de Hóquei, 20 de Setembro, o Banco Mundial publicava na sua página da internet um artigo sobre o projecto LNG, acrónimo inglês de gás natural liquefeito, localizado no Soyo, “um dos maiores projectos mundiais de redução da queima de gases e um exemplo no combate ao efeito de estufa”.

Um esforço “notável” que deve “inspirar” outros no Mundo, destaca o artigo da instituição. A LNG Angola, que após alguns atrasos efectuará o quarto carregamento esta semana, vai aproveitar o gás associado à produção de petróleo, que anteriormente era queimado ou re-injectado em reservatórios.

Estimativas baseadas em imagens de satélite apontavam, em 2011, para quatro mil milhões de metros cúbicos de gás queimados em Angola. De acordo com o artigo do BM, em velocidade de cruzeiro, a fábrica vai permitir reduzir em 75% o volume de gás queimado, reduzindo assim as emissões de CO2 em cerca de nove milhões de toneladas ano, o equivalente a retirar das estradas dois milhões de automóveis.

Além de cortar as emissões de dióxido de carbono, considerado o principal causador
do aquecimento global, o projecto LNG vai gerar emprego e aumentar as exportações de Angola em cerca de 2,5 mil milhões de dólares anuais, ajudando a alavancar a diversificação da economia.

Se estamos numa de o “madoismo” em provar perante o Mundo que existimos, prefiro que seja com mais projectos semelhantes ao Angola LNG e menos com eventos desportivos como o Mundial de Hóquei. (expansao.ao)

1 COMENTÁRIO

  1. esto de acordo com o dr. carlos rosaudo de carvalho , porque a constução dos campos é um envestimento desperdiçado uma vez que não havera retorno ,o que é uma baixa pra nossa economia , socialmente e cultural é bom pra angola , mas nós não precisamos disso umas vez que a nossa economia ainda é muito vulnerável, e por outro , teve turistas porque os hoties são muitos caros

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