Quinta-feira, Agosto 17, 2017
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China compra dívida pública de Portugal

As empresas estatais chinesas assumiram posições de destaque nos negócios em Portugal. (FOTO: AFP)
As empresas estatais chinesas assumiram posições de destaque nos negócios em Portugal. (FOTO: AFP)
As empresas estatais chinesas assumiram posições de destaque nos negócios em Portugal. (FOTO: AFP)

O aumento dos interesses chineses na economia portuguesa vai prosseguir, com a abertura de mercados dos países lusófonos à China e permitindo ao endividado Portugal aceder a financiamento, afirma o investigador Loro Horta num estudo recentemente publicado.

Intitulado “As Compras da China na Europa do Sul”, o artigo publicado na revista “The Diplomat” refere que a China comprou 1,3 mil milhões de dólares (130 mil milhões de kwanzas) de dívida pública portuguesa e criou um fundo de mil milhões de dólares (100 mil milhões de kwanzas) para apoiar projectos de investimento entre a China e os países de língua portuguesa.

Com Portugal numa prolongada crise económica e a sobreviver com o financiamento do FMI, U­nião Europeia e Banco Central Europeu, a China “está a tirar partido das oportunidades oferecidas pela crise portuguesa – e noutros países europeus, como Espanha e Grécia”, adianta.

Nos últimos anos, as empresas estatais chinesas assumiram posições de destaque nos negócios em Portugal, com a compra de participações na Energias de Portugal (EDP), Redes Energéticas Nacionais (REN) e em parcerias com a Galp Energia no Brasil ou em Moçambique.

Mais recentemente, a Beijing Water Enterprise Group comprou a Veolia Water Portugal, que serve perto de 670 mil pessoas, enquanto a China Mobile anunciou estar a ponderar a entrada no sector das telecomunicações. Para Loro Horta, estas aquisições permitem à China estabelecer-se de maneira sólida em Portugal, mas também “facilitam a expansão de Pequim nos países de língua portuguesa”, dado que muitas destas empresas estão implantadas nestas latitudes.

“O interesse da China Mobile na Portugal Telecom é altamente motivado pela forte presença da empresa em Angola, Moçambique e Timor-Leste. Enquanto em Angola detém 25 por cento do mercado de telefones móveis e garante 40 por cento das comunicações por Internet, em Timor-Leste controla virtualmente todo o mercado”, escreve Horta.

“A rápida penetração da China no mercado português deve aumentar a sua presença no mundo de língua portuguesa e vai, igualmente, facilitar o acesso da China à tecnologia ocidental e aos mercados europeu e norte-americano”, refere.
A EDP, por exemplo, está na vanguarda das energias renováveis, sendo das empresas mais competitivas nos Estados Unidos.

Mais recentemente, investidores chineses tiraram partido da queda nos preços do imobiliário português comprando apartamentos de luxo nas melhores zonas de Lisboa, investimento que o Governo português tenta captar através da oferta de um visto, válido para ­todo o Espaço Schengen, chamado “visto dourado”. O investimento mínimo é de 800 mil dólares (80 milhões de kwanzas) e o plano “está a atrair um cada vez maior número de empresas chinesas e privados para a aquisição de imóveis e estabelecimento de escritórios no país”.

De origem timorense e formado pela Universidade de Defesa Nacional do Exército Popular de Libertação (China), Loro Horta viveu muitos anos em Moçambique, colaborando actualmente com diversos centros de investigação em todo o mundo. (jornaldeangola.com)

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