Cavaco Silva chamado a resolver problemas entre Portugal e Angola

(Alexandre Santos/Reuters)
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Cavaco Silva e José Eduardo dos Santos devem assumir o papel de protagonistas na resolução dos problemas existentes entre Portugal e Angola e no reatamento das discussões ao mais alto nível sobre a parceria estratégica e as relações entre os dois países. Esta é a ideia defendida por Fernando Teles, presidente do BIC Angola, que acredita que devem ser os Presidentes da República angolano e português a tentar perceber “porque é que isto está a acontecer”.

Discussões ao mais alto nível com a entrada em cena de Cavaco Silva que, ao lado de José Eduardo dos Santos, tudo deve fazer para perceber o que aconteceu para que as relações entre Portugal e Angola chegassem ao ponto do chefe de Estado angolano ter no seu discurso da nação dado uma machadada final da parceria estratégica com o nosso país.

“Tem de haver por parte dos mais altos dirigentes portugueses uma reflexão sobre o que se passa em Portugal relativamente a Angola, porque os angolanos em Portugal são bem tratados, mas os portugueses em Angola também se sentem bem. Isso é útil e é importante para os dois países”, afirmou Fernando Teles em declarações à Lusa.

Para o gestor “os altos dirigentes dos dois países, se calhar o professor Cavaco Silva com o Presidente José Eduardo dos Santos, devem aprofundar relações e perceber porque é que isto está a acontecer” sendo este o caminho a seguir para a normalização das relações entre os dois países.

“Só pode ser. Os dois presidentes têm boas relações e há situações que não estão a ser corretas e têm que ser discutidas, têm que ser conversadas”, sublinhou.
Entendimento precisa-se
Para o líder do Banco BIC Angola “é importante que os dois países se entendam, que haja por parte do Governo português colaboração com o governo angolano, no sentido de ultrapassar os mal entendidos”.

Considera ainda que “a situação pode não ser governo a governo, pode ser mais ao nível das notícias que vazam para a comunicação social. Não é normal que processos que estejam em segredo de justiça, que, se calhar, não têm fundamento nenhum, e julgo mesmo que não têm fundamento nenhum, estejam a ser tratados desta forma pela comunicação social”.

O comentário de Fernando Teles sobre a situação das relações Portugal-Angola surge depois do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos ter anunciado em Luanda o fim da parceria estratégica com Portugal durante o seu discurso sobre o estado da Nação na Assembleia Nacional de Angola.

O responsável do Banco BIC Angola faz votos “para que a declaração do Presidente seja essencialmente um alerta e sobretudo que seja um murro na mesa relativamente a uma situação que não devia estar a acontecer e está a acontecer em Portugal relativamente a Angola”.

“Não se vê ninguém em Angola a atacar Portugal a não ser em resposta a situações que acontecem em Portugal e não deviam acontecer”, disse.

Fernando Teles refere ainda não saber se são só as notícias sobre processos em segredo de Justiça que estão na base de toda esta situação.

“Não sei se são só os processos que estão em segredo de justiça e que vêm a público que estão na base de tudo isto, mas mesmo que seja (…) é demasiado grave que assuntos que estão nos tribunais e que estes estão a analisar que haja pessoas que façam este tipo de passagem de informação para a comunicação social. Porque no dia-a-dia as pessoas acabam na praça pública por serem julgadas. Não é normal. E vêm-se muitos casos em que as pessoas depois são ilibadas, mas, entretanto, já foram condenadas pelo público.

Quanto ao impacto no BIC desta situação, o gestor afirma que o banco “está em Portugal e em Angola e vai continuar a estar. Mas o que queremos é que não haja fim da parceria estratégica e que haja boas relações entre os dois países”.

Recorde-se que Portugal e Angola têm previsto realizar, em Luanda, em fevereiro do próximo ano, a primeira cimeira bilateral, cuja realização foi anunciada em fevereiro passado pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas. (rtp.pt)

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