Brasileira do Greenpeace é indiciada por pirataria

Bióloga brasileira Ana Paula Maciel, no tribunal russo de Murmansk, no domingo 29 de setembro de 2013. (© Dmitri Sharomov / Greenpeace)
Bióloga brasileira Ana Paula Maciel, no tribunal russo de Murmansk, no domingo 29 de setembro de 2013. (© Dmitri Sharomov / Greenpeace)
Bióloga brasileira Ana Paula Maciel, no tribunal russo de Murmansk, no domingo 29 de setembro de 2013.
(© Dmitri Sharomov / Greenpeace)

Os 30 militantes do Greenpeace presos na Rússia depois de tentar invadir uma plataforma de petróleo no oceano Ártico, em 19 de setembro, começaram a ser indiciados nesta quarta-feira por pirataria em grupo organizado, um crime passível de 10 a 15 anos de prisão. A bióloga brasileira Ana Paula Alminhana Maciel e o cinegrafista britânico Kieron Bryan foram os primeiros ativistas acusados oficialmente pela justiça de Murmansk, norte da Rússia.

Em um comunicado, a advogada do Greenpeace que defende o grupo de militantes, Irina Issakova, afirma que o indiciamento da brasileira e do britânico por pirataria não tem fundamento legal e não é acompanhado de nenhuma prova. Issakova disse que o Greenpeace “pretende prestar queixa contra ações ilegais dos investigadores russos e órgãos judiciais” por irregularidades que teriam ocorrido durante a detenção dos militantes.

O diretor-executivo internacional da ONG, Kumi Naidoo, disse que a acusação de pirataria é muito dura e desproporcional. Naidoo declarou que a decisão da justiça russa é “irracional e destinada a calar” a ONG ambientalista. Ele considera esse processo na Rússia a “ameaça mais grave” contra as ações pacíficas do Greenpeace, desde o episódio com o barco Rainbow Warrior, alvo de um atentado com explosivos orquestrado pelo serviço secreto francês em 1985, no porto de Auckland, Nova Zelândia, quando fazia campanha contra os testes nucleares na Polinésia Francesa. O fotógrafo e ativista Fernando Pereira, de 35 anos na época, morreu no naufrágio da embarcação.

Ativistas em ‘estado de choque

A bióloga Ana Paula Maciel faz parte do grupo de quatro russos e 26 estrangeiros retidos em Murmansk. No último domingo, a Justiça russa havia anunciado que todo o grupo ficaria preso preventivamente por dois meses. Os ativistas do Greenpeace foram presos depois de tentar escalar uma plataforma de petróleo da empresa Gazprom no oceano Ártico, no dia 19 de setembro, para denunciar os riscos ambientais da exploração. Eles rejeitam as acusações e alegam que a Rússia reteve o barco ilegalmente em águas internacionais.

O Itamaraty acompanha o caso e a pedido do Greenpeace, o embaixador do Brasil em Moscou, Fernando Mello Barreto, assinou uma “carta de garantia” que deveria facilitar a libertação da brasileira para que ela responda às acusações fora da cadeia.

A responsável de uma comissão de vigilância da prisão que esteve com os militantes disse nessa terça-feira à AFP que a maioria deles estava em “estado de choque”. Segundo Irina Paikatcheva, os ativistas “nunca imaginaram que uma ação pacífica como a que empreenderam poderia ter consequências graves num país democrático”.

Na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os militantes não eram “piratas”, mas tinham desrespeitado o direito internacional.

O redator chefe do site de informações Russki Journal, Alexandre Morozov, disse que “a severidade das acusações está relacionada com o fato de que Putin está convencido da existência de um complô mundial” contra ele, “por trás das ações do Greenpeace”. As autoridades russas acham que o Greenpeace é manipulado pela CIA, de acordo com Morozov.

A plataforma da Gazprom, pivô do caso judicial, será a primeiro campo de exploração de petróleo russo no oceano Ártico e deve entrar em operação até o final do ano. (rfi.fr)

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