África do Sul corta álcool e viagens de 1ª classe de ministros

Presidente Jacob Zuma (DR)
Presidente Jacob Zuma (DR)
Presidente Jacob Zuma (DR)

Os sul-africanos aplaudiram uma série de novas medidas anunciadas pelo ministro das Finanças do país, Pravin Gordha, de barrar gastos de autoridades com álcool, viagens aéreas caras e excessos com cartões de crédito numa tentativa de cortar custos do governo.

A medida acontece num momento em que o Congresso Nacional Africano (ANC) – o maior partido político do país e que está no poder desde o fim do apartheid em 1994 – tenta melhorar a sua imagem perante o público, um ano antes das eleições gerais na África do Sul.

Apesar de o ANC ter grandes chances de ser reeleito, o partido deve perder parte dos lugares que possui no Parlamento – hoje o controla 66% do Legislativo. O partido é acusado de não conseguir melhorar as condições de vida dos mais pobres, não combater a corrupção e abusar dos gastos com dinheiro dos contribuintes.

Os sul-africanos têm sido “bombardeados” com relatos da imprensa de que os seus ministros estão a gastar em demasia.

Recentemente, a governadora da província do Cabo do Norte, Sylvia Lucas, foi acusada de gastar mais de US$ 5 mil no seu cartão de crédito com comidas fast-food. Isso tudo ao longo de apenas dez meses.

Na última reforma ministerial, o presidente Jacob Zuma demitiu a ministra das Comunicações, Dina Pule, depois que foi revelado que o governo pagou pela passagem aérea do seu namorado, durante uma visita oficial.

Outros ministros são acusados de beneficiar amigos em licitações públicas. Outros têm estilos de vida incompatíveis com os seus cargos – dirigindo carros de US$ 100 mil, gastando com vinhos caros, viajando pelo mundo e hospedando-se em hotéis de luxo.

Contas públicas

Num discurso sobre o orçamento, o ministro das Finanças anunciou restrições com gastos em álcool e com cartões de crédito.

A partir de 1 de dezembro, nenhuma recepção oferecida pelo governo poderá servir bebidas alcoólicas, e nenhum evento oficial pode custar mais de US$ 200.

Além disso, ministros e autoridades terão de viajar na classe econômica – e em comitivas menores e com menor frequência.

O partido da oposição, a Aliança Democrática, disse concordar com as medidas de austeridade, mas afirmou que isso já deveria ter sido implementado antes.

Gordhan disse que o governo já conseguiu poupar US$ 80 milhões com gastos eficientes em ministérios, e que o déficit público sul-africano – de 4,2% – é menor do que o previsto pelo mercado.

Segundo a analista Annabel Bishop, da empresa Investec, os esforços orçamentários da África do Sul estão a ser bem-vistos no mercado.

No entanto para o líder do partido minoritário da oposição, Inkatha Freedom Party, Mangosuthu Buthelezi, o anúncio de mais austeridade entre ministros não passa de uma “cortina de fumaça” para impressionar investidores.

“Eu acho que ele [o ministro das Finanças] fez o suficiente apenas para nos livrar da pressão das agências de classificação de risco. É pouco dinheiro no cômputo total, mas isso serve como um recado forte.” (rm.co.mz)

Com BBC

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