UNITA pede abertura de inquérito por ter sido impedida de visitar desalojados angolanos de Cacuaco

Isaias+Samakuva+lower+res+UNITA+angola+jornalistasO líder da UNITA (oposição), Isaías Samakuva, apelou ontem às autoridades angolanas à abertura de um inquérito para apurar por que a sua delegação foi impedida, no sábado, pela polícia de visitar populações desalojadas de Cacuaco.

Isaías Samakuva, acompanhado de dois deputados e alguns membros da direção do maior partido da oposição angolana, deslocou-se ao município de Cacuaco, cerca de 30 quilómetros a norte de Luanda, para visitar populares desalojados no início deste mês do bairro Maiombe.

Em conferência de imprensa, aquele político denunciou o tratamento que recebeu da polícia instalada no local, incluindo a presença de três helicópteros, bem como a agressão de que foi alvo um dos membros da delegação, o deputado José Pedro Kachiungo.

Segundo Isaías Samakuva, a intenção de visitar aquela área foi previamente comunicada às autoridades locais, que responderam não ver “nenhum inconveniente”.

No local, contou Isaías Samakuva, estava já montado um aparato policial, constituído por polícias da ordem pública e antimotim, apoiados por três helicópteros, que impediam a aproximação ao local, por alegadas questões de segurança.

“O objetivo da nossa deslocação era visitar os populares que estavam a mandar-me mensagens, pedindo a minha presença no local. Levei comigo três cisternas de água, alguns fardos, bens alimentares e alguns medicamentos”, explicou Samakuva.

“Não é verdadeira a afirmação, segundo a qual a Polícia foi surpreendida com a minha presença ali”, disse Sakamuka. “Também não é verdadeira a afirmação, segundo a qual, nós estávamos a perturbar o trabalho de alojamento que o executivo estaria a fazer naquela área. De igual modo, também é falsa a alegada motivação do executivo, de que queriam garantir a minha segurança”, lamentou.

No final, aquele dirigente político lançou “um apelo veemente” à Assembleia Nacional, ao Ministério da Justiça, através da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, no sentido de criarem uma comissão de inquérito “para apurar exatamente o que está por detrás deste impedimento”.

A 06 de fevereiro, a Amnistia Internacional denunciou que a “01 de fevereiro, militares, a polícia de intervenção rápida e seguranças privados começaram a demolir casas e a expulsar à força milhares de famílias do bairro Maiombe, no município de Cacuaco”, sem aviso prévio dos despejos.

O documento daquela organização de direitos humanos referia ainda que as demolições foram realizadas com helicópteros a sobrevoar o bairro, bem como relatava a agressão e detenção de algumas pessoas que resistiram às demolições.

Em declarações à Agência Lusa, na altura, o porta-voz do Governo Provincial de Luanda, Carlos Gonçalves, disse que a administradora municipal de Cacuaco, Rosa João Janota Dias dos Santos, confirmou a prisão de seis pessoas.

“(A administradora) confirma que foram detidas seis pessoas, que constituem um núcleo de angariadores para terrenos ilegais, ou seja, faziam inicialmente a ocupação dos terrenos e depois construíam barracas de chapa e angariam pessoas para as ocupar”, afirmou Carlos Gonçalves. (lusa.pt)

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