Corredor do Lobito catalisa investimentos

Augusto Tomas LobitoConferência Internacional sobre a matéria recomendou a criação de um plano  que visa recuperar as infra-estruturas de transportes para facilitar a circulação na região.

Os ministros dos Transpor­tes de Angola, República De­mocrática do Congo (RDC) e Zâmbia decidiram desenvol­ver um plano integrado para a reabilitação, manutenção e operação da rede de Cami­nhos-de-Ferro que vai servir o Corredor de Desenvolvi­mento do Lobito.

A medida está expressa nas recomendações da primeira reunião ministerial dos titula­res dos Transportes, realizada na cidade ferroportuária do Lobito (Benguela).

O projecto integrado visa proporcionar um troço de transporte ferroviário mais curto e eficiente do porto para a cintura do cobre da RDC e da Zâmbia.

A rede do Caminho-de-Fer­ro do Corredor do Lobito inte­gra o sistema do Caminho-de-Ferro de Benguela (Angola), Societé National de Chemin de Ferre (RDC) e Zâmbia Road Limited (Zâmbia).

Aposta

Os titulares dos Transpor­tes dos três países decidiram igualmente desenvolver um plano integrado para a reabi­litação, manutenção e gestão da rede de infra-estruturas ro­doviárias do Corredor do Lo­bito a nível de cada Estado.

O projecto tem como objec­tivo principal criar uma rede de estradas para proporcio­nar a circulação de pessoas e bens dos três países, e promo­ver o transporte internacional multimodal. Para isso, será definida a concessão e desen­volvimento dos troços do Jim­be, Luau e Dilolo como postos fronteiriços interligados, de modo a melhorar a eficácia.

As partes concordaram har­monizar as políticas, regula­mentos, leis e padrões do co­mércio e transportes, tendentes a facilitar o fornecimento de in­fra-estruturas e serviços. Além disso, será desenvolvido um instrumento jurídico, memo­rando de entendimento, que providenciará um mecanismo para uma governação conjunta do Corredor do Lobito.

Os ministros debateram também vários temas, com particular realce para a dina­mização do Corredor do De­senvolvimento do Lobito, es­tabelecimento de mecanismos de gestão do Corredor e plano integrado para reabilitação, manutenção e administração da rede de infra-estruturas de transportes do Corredor.

A reunião ministerial decor­reu sob o lema “Corredor do Lobito: União, Integração e De­senvolvimento Económico”.

Angola aposta forte na integração regional das economias

O Executivo angolano está cada vez mais apostado em facilitar as transações comerciais entre os três países interligados pelo Corredor do Lobito. Segundo o ministro dos Transportes de Angola, Augusto da Silva To­más, foram investidos 1,2 mil milhões de dólares norte-ame­ricanos, para a modernização do Porto do Lobito e Caminho-de-Ferro de Benguela.

O governante que discur­sava na primeira reunião ministerial sobre o desen­volvimento do Corredor do Lobito, que decorreu de 13 a 15 do corrente, no Lobito (Benguela), o objectivo é con­ferir a estas infra-estruturas, maior competitividade com vista a dinamização da eco­nomia angolana em particu­lar e regional em geral.

De acordo com o ministro, o Porto do Lobito e o CFB são duas empresas que se com­pletam e que constituem um factor de desenvolvimento dos países que integram o corredor, nomeadamente An­gola, Zâmbia e a República Democrática do Congo.

Segundo avançou, os investi­mentos em curso vão permitir o restabelecimento da importân­cia que o transporte ferroviário de trânsito desempenhou no passado, do Porto do Lobito em direcção aos países encalhados, que no passado movimentava 80 por cento do tráfego.

Perspectivas

Porto LobitoCom estes investimentos, o Executivo prevê também inte­grar Angola, RDC e Zâmbia, com outros portos de países da costa Leste africana, mais concretamente de Dar-es-sa­lam, no Zimbawe e Malawi.

Por outro lado, Augusto da Silva Tomás considerou o CFB como um factor de co­esão internacional entre as regiões da África Central e Austral, promovendo a di­versificação e a complemen­tariedade da economia dos vários países, tendo em vis­ta os mercados internos e a produção de bens e serviços para o mercado global.

Infra-estruturas integradas

Os três países vão contar igualmente com o Aeroporto Internacional da Catumbela, com um terminal de 13.500 metros quadrados, duas man­gas de embarque e desembar­que, 18 balcões para o Serviço de Migração Estrangeiro e um sistema de ajuda à navegação aérea. A infra-estrutura vai movimentar 2,2 milhões de passageiros por ano.

No seu pronunciamento, o ministro dos Transportes des­tacou que o aeroporto vai jo­gar um papel preponderante na economia local e regional, especialmente nos sectores de comércio, serviços e turismo. Para Augusto Tomás, o volume de tráfego esperado vai atrair investimentos nas áreas do tu­rismo, hotelaria e restauração, cujos níveis de crescimento são cada vez mais animado­res. Através do seu centro de carga aérea, o empreendimen­to aeroportuário vai contribuir para a óptimização da logísti­ca dos fluxos de mercadorias que circulam no Corredor do Lobito, através da maximiza­ção das operações dos meios aéreos de formas a reduzir os custos operacionais e o tempo.

ANDRÉ SIBI, enviado especial no Lobito

(Jornal de Economia & Finanças)

 

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