Comuna arregaça as mangas e luta pelo progresso

20130224083428campoA estratégia de governação iniciada há mais de quatro anos na Lunda-Sul permitiu a redução das assimetrias de desenvolvimento entre a sede da comuna de Mona Quimbundo e as regedorias.
Após a reabertura em 2011 das vias que ligam Chipamba, Peso Velho e Samussanda à vila a aposta foi a construção e equipamento de escolas, postos de saúde e outros serviços essenciais básicos, que marcaram a primeira etapa de urbanização no interior.
O administrador de Mona Quimbundo disse ao Jornal de Angola que “todas estas realizações quebraram o isolamento de mais de 30 anos e reflectem a honra de compromissos assumidos pela governadora Cândida Narcisa”.
Antes da reabertura das vias, recordou António Ifindefinde, os habitantes de Samussanda tinham de andar 90 quilómetros por um caminho alternativo para chegarem a Mona Quimbundo, quando agora levam o terço do tempo.

Escola para todos

A construção e equipamentos de escolas fizeram que o conforto das carteiras substituísse as pedras e as salas de paredes e tecto as sombra das árvores, o que originou o aumento de crianças a aprenderem a ler e a escrever.
A Administração de Mona Quimbundo na luta pela dignidade dos habitantes da comuna construiu, embora com material provisório, um lar de estudantes para tentar que haja menos desistências.
O lar acolheu no ano passado 40 alunos e este ano cem que vão concluir a nona classe. Apenas aos fins-de-semana vão a casa.
Muitos dos alunos internados ocupam parte do tempo livre a trabalharem em lavras, forma de ganharem algum dinheiro para parte das necessidades.
As autoridades criaram também uma sala para aulas de alfabetização, que são frequentadas maioritariamente por mulheres. Uma delas é Rosa Xawa, 33 anos, que já conhece o alfabeto e até sabe assinar o nome completo, como provou, em pose quase estudada, ao escrevê-lo no chão de areia com um pau a fazer de lápis.
A camponesa não esconde a emoção, nem poupa elogios aos esforços das autoridades para mudarem a vida na comuna.
As mudanças em Mona Quimbundo ultrapassam as construções e reabilitações e reflectem-se mentalidade dos habitantes que atiraram para trás das costas crenças, feitiços e a violência como forma de resolver problemas, principalmente nas famílias.
Cada vez mais se verifica o respeito entre marido e mulher e elementos da comunidade porque, garantiu o administrador, “quem transgredir responde primeiro perante a Polícia e depois no Tribunal”.
A população também valoriza o trabalho desenvolvido pelos técnicos da saúde “no combate ao paludismo, à diarreia e aos vómitos” e assimilou a importância de se cumprirem “as normas de higiene e do uso de mosquiteiros” como meios de redução de enfermidades e óbitos.
As crianças, disse, são a maioria dos 13.500 habitantes da comuna, que Avive essencialmente da agricultura. A mandioca, produto base da alimentação, é a cultura mais praticada ao ponto de haver “excedentes que acabam quase sempre por apodrecer por falta de mercado”.
Mesmo assim há os que conseguem vender “a um agricultor conhecido”, o que sempre permite algum lucro, mínimo, queixam-se os camponeses, “apenas para não perder tudo, pois até o ‘Nosso Super’ tem dificuldades de absorver” a produção.

Produção de alimentos

Jaime enalteceu a política do Executivo de distribuir gado bovino, no quadro do repovoamento animal, mas criticou o “oportunismo no processo da entrega de tractores e carrinhas para apoio aos agricultores”.
A maioria dos contemplados, acusou, acabam por ter as máquinas paradas nos quintais por não terem vocação para a agricultura.

Fertilidade e projectos

A fertilidade dos solos e o microclima de Mona Quimbundo são invejáveis e por isso, no tempo colonial, havia culturas de arroz e até duas máquinas de descasque, mas o projecto de relançar a actividade, já aprovado, permanece até agora inactivo.
As condições da comuna permitem também a cultura da batata-doce, da batata rena, jinguba, feijão, hortícolas e frutos.
A aposta séria na piscicultura começou no ano passado, com a construção nos arredores do centro de ensaios agrícolas, a menos de um quilómetro da vila, de dez tanques para reprodução.
Os habitantes aguardam, impacientes, a abertura do centro regional de tecnológico construído há cerca de um ano, embora a maioria desconheça para que se destina por ser algo novo inscrito num programa de desenvolvimento comparticipado entre o Governo Provincial e a Sociedade Mineira de Catoca.
As acções em curso no âmbito programa incluem a multiplicação de estacas de mandioca.

Vocação e apostas

Paulo Castro, 42 anos, pai de cinco filhos, trabalha no campo desde miúdo. Reparte o tempo entre a lavra e a fazenda do patrão, onde ganha 16 mil kwanzas mensais.
O campo é o seu mundo: “gosto de lavrar a terra”, apesar de ser uma actividade difícil, principalmente quando realizada à mão. As potencialidades da comuna atraíram 52 agricultores individuais, 40 dos quais legalizados. A sede de Mona Quimbundo ostenta um “rosto jovem” graças a uma dezena de novas infra-estruturas: casas, hospital, escola, edifício da administração, esquadra policial, sistemas de abastecimento de água, energia e estabelecimentos comerciais.
Mona Quimbundo foi palco de violentos e repetidos combates durante o conflito armado que arrasou o país. A colocação de minas e dispersão de vários engenhos letais criou um quadro de insegurança.
O trabalho realizado por sapadores de diferentes instituições de desminagem garante agora a segurança efectiva à volta da vila num raio de cerca de 300 metros.
O respeito pelas normas de segurança na localidade faz com que há aproximadamente três anos não haja rebentamentos de minas.
Mwtashimbundo é o nome original da comuna junto à Estrada Nacional 230, a mais de 50 quilómetros de Saurimo.
A história diz que um soba da região, Mbundo, que significa nevoeiro, ao sentir-se traído pelos colaboradores directos desapareceu no meio de forte nevoeiro para escapar aos inimigos.

(jornaldeangola.com)

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