Centenas de mulheres morrem anualmente em Angola durante a gravidez e pós-parto

20110614133602pre_nataisCentenas de mulheres morrem anualmente em Angola devido a complicações surgidas durante a gravidez e no pós-parto, anunciou hoje em Luanda a diretora Nacional de Saúde Pública.

Adelaide de Carvalho, que falava na abertura do Seminário Nacional de Validação do Roteiro para a Melhoria da Saúde da Mãe e da Criança, precisou que o número de angolanas que morrem anualmente se situa entre as 350 e as 400.

No final, em declarações à imprensa, Adelaide de Carvalho disse que as hemorragias contribuem em 30 por cento para os óbitos, seguindo-se os transtornos hipertensos da gravidez, que rondam os 17 por cento, e a rutura uterina, com valores ao redor dos 13 por cento.

A malária, de forma indireta, também é uma causa de morte de mulheres grávidas, com uma taxa que varia entre os 21 e os 25 por cento.

Apesar das medidas preventivas, como a administração dos antipalúdicos a partir do quinto mês, a cobertura ainda não atingiu as metas desejáveis, frisou.

“Em 2006, as coberturas andavam ao redor dos 11 a 14 por cento e neste momento temos coberturas superiores a 50 por cento. É baixa ainda, uma vez que a consulta pré-natal está disponível em todas as unidades sanitárias”, afirmou Adelaide de Carvalho.

A responsável sublinhou que as referidas causas podem não refletir exatamente a realidade, por haver ainda “muita debilidade nos sistemas de registo”, salientando que está em estudo um programa para um sistema nacional de vigilância da morte materna.

“Para além de se fazer essa vigilância, esse sistema vai permitir também uma auditoria em relação às causas de morte, porque é importante saber quais as causas, conhecer o processo que levou para que essa morte se desencadeasse, para que depois se possam encontrar as medidas, as intervenções para impedir que outras mortes ocorram”, frisou.

O recurso ao uso de contracetivos é também um dos meios usados para a diminuição de mortes maternas, mas Adelaide de Carvalho lamentou que, apesar de disponíveis os serviços, a cobertura do planeamento familiar seja baixa, entre os 19 a 20 por cento.

Segundo Adelaide de Carvalho, as infeções pós-parto e por abortos realizados em condições higienicamente pouco seguras, além das ruturas interinas, por falta de serviço imediato de atendimento à mulher, também estão na base de muitas mortes maternas em Angola.

“Todo o esforço tem que continuar a ser feito na formação, na capacitação dos profissionais de saúde, enfermeiros, enfermeiras parteiras, anestesistas, obstetras, neonatologistas, justamente para que, em conjunto, essa equipa possa resolver os principais problemas que afetam a saúde da mulher”, referiu aquela responsável do Ministério da Saúde de Angola.

Esse esforço multissetorial, como referiu, implica investimentos muito grandes, não só a nível dos serviços de saúde para melhorar o acesso e a prestação em si, mas também na melhoria da educação das mulheres.

Nos últimos três anos, Angola registou melhorias na cobertura dos serviços maternoinfantis, saindo de uma cobertura de 18 a 20 por cento, em 2008, para uma cobertura de 40 por cento, nos últimos dois anos.

O seminário, que visa a mobilização de esforços e de todos os atores principais para a melhoria da saúde materna e das crianças, conta com a participação dos representantes e técnicos de agências das Nações Unidas como a UNICEF e a OMS.

(lusa.pt)

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