Balança de bens regista superávite no semestre de 2012

Navios mercantesO relatório do Banco Nacional acrescenta que os choques externos mais intensos no país assinalaram-se em 2009 na fase da crise mundial.

A conta de bens no primeiro semestre de 2012 apresentou um superávite de 24,8 mi­lhões de dólares, contra 21,3 milhões de dólares regista­dos no período homólogo de 2011, reflectindo um cresci­mento de 16,19 por cento.

Segundo o relatório de esta­bilidade financeira do Banco Nacional de Angola (BNA), divulgado há dias, este resul­tado foi influenciado princi­palmente pelo aumento das receitas das exportações, ape­sar do crescimento verificado nas importações.

As receitas das exporta­ções passaram de 32 milhões de dólares, no primeiro se­mestre de 2011, para 36 mi­lhões de dólares no primeiro semestre de 2012, registando um crescimento absoluto de 4 milhões de dólares e relati­vo de 12,54 por cento.

O aumento deste indica­dor está associado, funda­mentalmente, ao incremento do volume do petróleo bruto exportado, que observou um valor de 8,94 por cento, ao passar de 281,4 milhões de dólares em 2011 para 306,6 milhões de barris no perío­do em análise, assim como do preço deste produto em 4,43 por cento.

O preço passou de 109,19 dólares/barril no primeiro se­mestre 2011 para 114,03 dóla­res/barril no semestre homó­logo de 2012.

O relatório acrescenta que, os restantes produtos que compõem a estrutura das ex­portações angolanas tiveram comportamento idêntico, com excepção do gás que registou uma redução do preço e vo­lume exportado, enquanto os diamantes verificaram baixas apenas no volume exportado.

À semelhança das exporta­ções, as importações sofreram um aumento de 10,6 milhões de dólares no primeiro semes­tre 2011 para 11,2 milhões de dólares no primeiro semestre de 2012, correspondendo a um crescimento de cerca de 5,24 por cento, considerado razoável face ao nível de im­plementação dos programas de fomento e recuperação da produção interna.

Os choques externos mais intensos verificados na eco­nomia angolana foram re­gistados em 2009, decorren­tes das implicações da crise económica e financeira in­ternacional, sobretudo por via da redução das exporta­ções, originando o défice da conta corrente.

Reservas brutas

No final de Junho de 2012, alcançou-se uma acumula­ção de reservas brutas na ordem de 4,3 milhões de dólares, registando um in­cremento de 1,26 por cento comparativamente ao perío­do homólogo de 2011, atin­gindo um nível de cobertura de aproximadamente 8,08 meses de importações de bens e serviços, contra os cerca de 6,46 meses no pe­ríodo homólogo. Este incre­mento foi resultado de uma gestão da política monetá­ria e cambial satisfatória ao prover ao mercado recursos cambiais necessários ao fun­cionamento da economia.

No entanto, o país possui uma economia fortemente aberta ao exterior, pelo que está sujeita aos choques ex­ternos provocados pela alte­ração dos preços das princi­pais commodities no mercado internacional.

Os problemas gerados por esses choques tendem a afectar as contas externas, com proba­bilidade de provocar défices da conta corrente e da balança de pagamentos, tornando-se assim um factor de debilidade para a capacidade de resposta da nossa economia.

A estabilidade externa de uma economia depende ne­cessariamente dos fluxos de exportação de bens e serviços, bem como dos fluxos finan­ceiros e de capitais, pelo que, quanto maior for o défice da balança corrente maior será a vulnerabilidade do país aos choques externos.

Grau de abertura

As trocas de mercadoria re­gistadas na conta de bens constituem uma das compo­nentes mais importantes da conta corrente. Essas trocas estabelecem-se em dois senti­dos: compras de mercadoria e vendas de mercadoria.

A magnitude do comércio externo reflecte o grau de abertura do país ao exterior, consubstanciado na relevân­cia das importações e expor­tações de bens e serviços no PIB a preços do mercado, du­rante um determinado perío­do, em regra, um ano.

De acordo com a meto­dologia do Banco Mundial, um país é considerado aber­to comercialmente quando atinge um grau de abertura de 30 por cento.

O grau de abertura da eco­nomia angolana para o ano de 2012 foi projectado para 112,36 por cento, contra os 110,69 por cento de 2011, reflectindo uma possível redução ao ní­vel das receitas de exportação de petróleo e das importações de bens de consumo corren­te e intermédio do país, de­corrente da desaceleração da economia mundial, em parti­cular dos principais parceiros económicos de Angola. (Jornal de Economia & Finanças)

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