Publicado em: Qui, Nov 29th, 2012

Um momento muito salgado…

O Presidente do BES, Ricardo Salgado estará em Angola num não momento. Fá-lo por força da inauguração na próxima segunda-feira da nova sede do BESA, instituição bancária angolana, que tem sido um dos mais robustos músculos financeiros do BES.

Mas fá-lo num não momento traduzido por ventos de crispação que sopram de Lisboa para Luanda, a que não é de todo alheio o nervosismo que tomou conta de Ricardo Salgado depois deste ter visto as nossas autoridades recusaram mergulhar numa aventura consubstanciada na compra da Escom.

Ricardo Salgado definitivamente só pensa no seu umbigo mas deveria ter percebido que a situação financeira da Escom, é pior do que sombria e ninguém de bom senso faz um negócio para perder dinheiro. O que move, de forma cega, Ricardo Salgado é a compra, a qualquer preço, da Escom pela Sonangol.

Mesmo depois do preço ter passado dos 600 milhões de dólares para os 300 milhões de dólares e de mais tarde esta cifra ter sido reduzida a zero!

Ou seja, Angola deixou de estar interessada numa operação que se revela, a todos os títulos, inviável. A verdade, porém, é que Ricardo Salgado pretende, à força, ver-se livre de um precipício em que os angolanos não estão, legitimamente, interessados em dar o passo em frente…rumo ao cemitério.

Ricardo Salgado, detentor de forte influência na comunicação social portuguesa, sabe ao que vem. Os angolanos não descuram os seus propósitos mas não são ingénuos. Sabem também ao vem o patrão do BES. Ricardo Salgado vem num não momento. Mas, esse não momento não tem a ver apenas com a obsessão de vender a Escom aos angolanos. Esse não momento estende-se a um momento extremamente salgado, que se instalou também no BESA, depois da entrada em funções, em condições de absoluta ilegalidade, da sua nova comissão executiva, lidera- da por Rui Guerra.

Ricardo Salgado poderá dizer que teve a cobertura de um visto de uma alta patente da Casa Militar mas, como empresário que se pauta pelo rigor e verticalidade de princípios, acha mesmo que quadros angolanos seriam autorizados a funcionar no BES sem visto de trabalho das autoridades portuguesas? Ricardo Salgado ao levar os seus funcionários a ferir descaradamente a lei angolana, trata os angolanos e Angola como um país sem lei cujos cidadãos em Portugal por investirem em Angola são confundidos como corruptos e criminosos. É estranho que enquanto os angolanos de boa fé são perseguidos em Portugal, a Espanha se declare favorável a entrada de capital angolano no seu território.

Não deixa, por outro lado, de ser preocupante que a estratégia que preside a presença dos novos gestores do BESA passe pela tentativa deliberada de violação do sigilo bancário para ter acesso a informação privilegiada e contas bancárias de clientes bem identificados, que só não foram ainda expostas em público, em Portugal, por pronta intervenção dalguns quadros seniors do banco, que tem perfeita noção do que são as regras bancárias. Aqui ou em Portugal…

A verdade é que a nova gestão do BESA entregue a funcionários das terceiras linhas do BES, está não só a assustar os clientes, como se prepara para transformar a instituição numa sucursal do banco de Ricardo Salgado em Lisboa, destinado a salvaguardar essencialmente os interesses dos portugueses em Angola.

Apesar das “agressões” de que são alvo a partir de Lisboa e das que começam a ser vitimas no interior do BESA, os angolanos permanecem, porém, desprovidos de qualquer espírito de vingança. Não faz parte da sua forma de estar e de ser.

É claro que, como em tudo na vida, há limites. Ou seja, os angolanos podem não suportar por muito tempo o carácter persecutório, preconceituoso e discriminatório, que a sua presença em Portugal, provoca em certos círculos da sua sociedade.

É que custa a perceber porque razão o Ministério Público português investiga angolanos – e tem toda a legitimidade para o fazer – e não o faz em relação a cidadãos e empresas portuguesas que transferem dinheiro de Angola colocando-o em off-shores para fugir ao fisco na condição de residentes fiscais em Portugal.  E  se Angola decidir a partir de agora não aceitar mercadorias

importadas por empresas portuguesas através de operações feitas em off-shores? E se Angola decidir deixar de fechar o olho a uma serie de transgressões à lei como aquelas que andam a praticar os gestores do BESA enviados por Ricardo Salgado? Como será o dia seguinte?

O Horagá faz na próxima semana uma pausa por um período de quinze dias.

GUSTAVO COSTA

(Novo Jornal)

Deixe um comentário

XHTML: Pode usar estas tags de html: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

mirc indir mirc yukle - escort - mirc indir - sohbet -
Crónicas


Arquivo

Outubro 2014
S T Q Q S S D
« Set    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
Portal de Angola - Todos os direitos Reservados

Um momento muito salgado…