Publicado em: Qui, Out 11th, 2012

Vendedores no Cazenga retirados das ruas

No município do Cazenga e em algumas zonas do Rangel e São Paulo, a transferência da venda ambulante para locais próprios dá uma nova imagem àqueles locais e torna o quotidiano mais agradável. Peões e automobilistas circulam sem complicações. As toneladas de lixo provocadas pela zunga também desapareceram das ruas.

Quem sai do mercado de São Paulo em direcção à Cuca, nota que o trânsito é mais fácil porque os vendedores estão a ser retirados das ruas e colocados nos mercados oficiais.
A iniciativa é da administração do Cazenga, com o apoio do Governo Provincial e visa pôr fim ao comércio de rua, um dos principais focos de lixo e de desordem no trânsito automóvel e de peões.

O programa começou a 10 de Setembro com a sensibilização e registo dos vendedores que começaram a ser transferidos para os mercados oficiais. A primeira acção dos fiscais foi feita na rotunda da Cuca, com a retirada dos vendedores ambulantes, muitos dos quais já foram colocados em mercados oficiais.

O administrador do município, Nataniel Narciso, disse ao Jornal de Angola que 200 vendedores já se encontram no mercado Asa Branca e outros 180 nos Cajueiros.
“Temos o mercado Africampos, que foi inaugurado em Agosto e tem capacidade para seis mil vendedores, com todas as condições de comodidade”, afirmou. Nataniel Narciso acrescentou que outros mercados estão a ser construídos no município do Cazenga, com destaque para o Sucupira, com capacidade para 500 vendedores, que aguarda a data de inauguração, e o mercado da Luz, em conclusão.

O processo de retirada dos vendedores das ruas para os mercados oficiais tem encontrado muitas dificuldades, como afirma o administrador municipal do Cazenga. Muitas vendedoras prometeram abandonar a rua e não estão a cumprir. “Elas argumentam que há falta de lugares, mesmo quando as condições estão criadas”. Os distritos do Rangel e Sambizanga adoptaram igual iniciativa.  Os vendedores da estrada de Catete, em frente à escola Che Guevara e no lado oposto, também estão a ser retirados.

Até há pouco tempo, era difícil circular naquelas zonas, com carros, pessoas, produtos, água ­estagnada e muito lixo. Com a actuação das ­autoridades, ruas, passeios e passagens de peões tornam-se transitáveis, libertos dos mercados informais.

Passagem de peões

A ponte pedonal junto ao mercado dos Congolenses está, por fim, a cumprir a função para que foi construída, com as pessoas a circularem por ela porque foram retirados os vendedores e mercadorias da passagem aérea. “Estas acções das forças da ordem são de aplaudir, porque até os delinquentes tinham o seu espaço de actuação nessas á­reas. Agora, já não preciso de dar uma grande volta para chegar à minha casa, que fica nas imediações dos Congolenses”, disse Manuel João, um morador da zona.

No largo de São Paulo, as “zungueiras” estão a ser sensibilizadas para abandonar o local, pois a sua presença impede a execução das obras de reabilitação da rua. A venda é feita, sobretudo, no passeio, a­tra­palhando a circulação dos peões. Para fugir aos agentes da fiscalização, as vendedoras simulam circular, colocando os produtos em bacias, que colocam sobre a cabeça quando avistam os fiscais.

Em breve, vão ter de retomar o velho hábito da venda porta a porta nos bairros ou instalarem-se nos mercados oficiais. “Os mercados têm lugar, os vendedores devem ir para lá. É melhor”, afirmou Pedro Chagas, 36 anos, que em tempos foi taxista, até se desentender com o patrão e abandonar a actividade, para se dedicar à zunga. Mas os tempos mudaram e, agora, pondera regressar à antiga actividade.

Como Chagas, outros vendedores ambulantes tornaram-se verdadeiros andarilhos. Não conseguem ficar mais de 15 minutos no mesmo sítio. Domingos Catengo, 22 anos, corre de um lado para o outro na tentativa de vender carregadores de telemóvel. Começa no Largo da Independência, ao início da tarde, e termina no Bairro Popular, quatro horas depois. Anda com os colegas.
“Mesmo com esta turbulência, consigo vender entre cinco a seis carregadores por dia. Mas nem todos os dias são santos. Há alguns em que não conseguimos vender nenhum”, lamentou.

Urbanismo

Do ponto de vista urbanístico, a retirada dos ambulantes é positiva. A melhoria no uso do espaço público é notória, o que permite às pessoas desfrutarem a cidade, como diz Fábio Gonçalves, frequentador da Rua das Pedrinhas: “desde que as acções policiais não sejam truculentas e que os vendedores não fiquem desamparados, vejo esse projecto como positivo”, referiu. Sem os vendedores a deambular pelas ruas, a cidade fica mais ­“organizada e civilizada”, disse Kátia Mendes: “Os vendedores devem regularizar a sua situação, ocupando um espaço nos mercados oficiais. Não podem invadir o espaço público e causar embaraços aos outros”.

Afirmou que os vendedores devem acatar as determinações do Governo Provincial de Luanda: “espero que a expulsão dos vendedores das vias públicas seja definitiva e não apenas de momento. O que está em causa, e todos nós devemos perceber isso, é a imagem da capital do país”. Geovani Costa reconheceu que a quantidade de vendedores nas ruas da cidade está a diminuir: “é bom saber que até mesmo a acção de criminosos durante o dia reduziu em função disso. É bom que essas medidas continuem e que atinjam o seu objectivo, que é mudar a imagem da cidade de Luanda e dar comodidade à população, com a criação de mais mercados”.

Os lojistas das redondezas e os comerciantes do mercado dos Congoleses são os mais beneficiados com a retirada das ruas dos vendedores ambulantes, que os ultrapassavam nos negócios, com concorrência desleal. “Os clientes não conseguiam nem ver o que estava exposto aqui dentro, porque lá fora encontravam tudo”, disse Ricardina Sampaio, 42 anos, dona de uma banca de venda de peixe no mercado dos Congoleses.
Os vendedores do mercado de São Paulo e os proprietários dos armazéns da Cuca e da rua que liga o bairro Hoji ya Henda ao Kicolo também mostraram satisfação pela iniciativa e acreditam que a situação fica regularizada para não ­serem prejudicados.

“Nós pagamos impostos e eles não pagam e ainda vendem a preços baixos, fazendo com que os clientes nem cheguem às lojas”, disse um comerciante.

Novo mercado às moscas e a rua cheia de zungeiras

As vendedoras informais que foram retiradas da rua na zona da Cuca fogem dos mercados oficiais. O mercado Africampo, no Cazenga, está às moscas e tem 600 bancas. Menos de 100 estão ocupadas. A maioria prefere o grande mercado da rua. “Todas viemos da rua. Acertamos com a Administração Municipal do Cazenga que caso  nos dessem lugar deixávamos de vender na zunga. Mas outras colegas continuam teimosas e vendem nas ruas, o que é um desrespeito pela autoridade a que, humildemente, compreendeu a nossa situação e construiu uma praça  Depois das eleições só venderam aqui uma semana e voltaram para rua. É triste!”, disse à reportagem do Jornal de Angola Mariana António.

Mariana António pede à Administração  Municipal do Cazenga  para sensibilizar as colegas a abandonarem as pracinhas que ainda existem nas imediações da Avenida Hoje ya Henda: “quero ainda dizer que os fiscais devem autuar sem arrogância e convencer quem quer que seja que nas ruas ou em locais públicos não podemos fazer comércio. Não quero ofender ninguém, mas quero dizer que da mesma forma com que acatamos com civismo o dever de votar, devemos, também, acatar as orientações das autoridades”.

Carlota Ngueve, outra vendedora que vende no mercado Africampo, diz que “somos nós que reclamamos do lixo nas ruas, mas também somos nós que fizemos esse lixo. Vamos ajudar a nossa Administração a mudar o município. Nos deram lugar neste mercado, vamos honrar o nosso compromisso, porque prometemos que sair das ruas depois das eleições. Vamos dar uma outra imagem à nossa cidade”.

Outro mercado que, brevemente, vai ser inaugurado e está preparado para receber 200 vendedores é o Sucupira, também no Cazenga. O Jornal de Angola constatou no local que existem todas as condições de comodidade para os vendedores. Mas a rua continua a ser o local preferido das zungueiras e vendedores.

Fonte: JA


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