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Síria: Fuga dos habitantes de Aleppo arrasada pelas bombas
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Síria: Fuga dos habitantes de Aleppo arrasada pelas bombas

Espremidos em um micro-ónibus, homens conversam com a voz cansada, enquanto as mulheres e crianças se abraçam assustadas. Estes sírios fogem de Aleppo e pronunciam apenas uma palavra: bombardeio.

Na entrada de Atareb, uma cidade 30 km a oeste de Aleppo, eles chegam sem parar desde sexta-feira, fugindo da iminente ofensiva do Exército de Bashar al-Assad, iniciada na manhã deste sábado.

“Mais de 3.000 refugiados passaram por aqui ontem”, disse um rebelde que controla as identidades em busca de policiais, militares ou “shabbihas”, mercenários do regime. “Mas desde esta manhã, não para nunca, mais de mil civis fugiram pela estrada”, assegura.

A intensidade dos bombardeios obrigou milhares de habitantes de Aleppo a pegarem a estrada, em busca de refúgio em áreas relativamente poupadas pelo conflito, nas aldeias controladas pelos rebeldes ou do outro lado da fronteira, na Turquia.

Um ónibus é parado pelos rebeldes em um posto de controle. A bordo, os refugiados estão em silêncio, ainda chocados com a partida repentina, sufocados pelo calor. Nenhum diz seu nome, mas alguns chegam a pronunciar algumas palavras, sem mencionar de onde vêm os tiros, quem luta e sem acusar o Exército regular ou os rebeldes.

“Já faz quatro dias que não há água ou eletricidade em Soukkari”, um bairro no sul de Aleppo, relata um homem, perto de sua esposa que segura um bebé nos braços. “Esta manhã (sábado), as bombas caíram a cada dois ou três minutos sobre nossas casas, nossos apartamentos”, contou.

A família correu para a rodoviária e fugiu da cidade sob tiros. “Vi os aviões atacando”, afirma o homem irritado, que descreve “um barulho enorme” e “crianças chorando”. Ele não disse mais nada. Os rebeldes estão com pressa, o ónibus tem que partir.

Em outro veículo, um sírio de 60 anos, com óculos de lentes grossas, denunciou o “bombardeio indiscriminado”.

“As bombas caíam por todo o bairro Firdaous (sul). Edifícios desabaram. Há mortos e feridos sob os escombros”, assegura. “O que se pode fazer senão fugir?”, disse ele, segurando as mãos em um gesto de impotência.

Os refugiados descrevem o mesmo bombardeio em Salaheddin, reduto rebelde de Aleppo, Mashhad e Firdaous Soukkari.

Muitos partiram ao amanhecer. “Esperamos dar seis horas (00h00 de Brasília) e fugimos. Olhe para os meus filhos”, disse um homem na parte traseira de uma picape apontando para uma dezena de crianças. “Eu não tenho certeza se vamos voltar”.

Espremidos em um micro-ónibus, homens conversam com a voz cansada, enquanto as mulheres e crianças se abraçam assustadas. Estes sírios fogem de Aleppo e pronunciam apenas uma palavra: bombardeio.

Os rebeldes verificam cada veículo e os documentos de cada homem em idade de combate. “Nós caçamos os shabbihas”, afirma um deles, explicando que o seu comando tem “listas”.

“Nós olhamos em que bairro os refugiados vivem e vamos verificar com o comando”. Pela manhã, eles prenderam um policial que foi levado para interrogatório.

Um combatente do Exército Sírio Livre (ESL), que reúne principalmente militares que aderiram à revolução, chega ao posto de controle. Ele é o primo do policial preso. O homem assegura que seu primo é “louco” e deve ser liberado. Ele sai de mãos vazias.

Os rebeldes estão tensos, gritam para os carros acelerarem.

Atareb, cenário de violentos combates há várias semanas, enfrenta uma fuga em massa de moradores.

Fora de uma imensa padaria industrial, que abastece várias aldeias, centenas de refugiados de Aleppo esperam durante horas para conseguir pães vendidos em sacos de oito por 15 liras sírias (cerca de 25 centavos).

A fábrica funciona em meia capacidade. “Os trabalhadores não vêm para trabalhar, eles estão com medo dos bombardeios”, disse um empregado que mostra os buracos de balas que perfuraram o teto e as paredes do local.

A fábrica tem reduzido sua produção. “Passamos de 35.000 para 10.000 sacos”, afirmou um outro funcionário.

“Fomos forçados a racionar o pão a três sacos, porque as pessoas entram em pânico e querem levar dez”, acrescenta.

Trabalhadores e moradores estão no limite. Alguns sobem nos portões e nas paredes.

Quando o portão se abre, dezenas de sírios correm para dentro da fábrica. Um guarda atira para o alto para controlar a situação.

Fonte: AFP

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