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Mais diplomatas abandonam o regime de Bashar al-Assad
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Mais diplomatas abandonam o regime de Bashar al-Assad

Pelo menos mais dois diplomatas sírios de topo renegaram o Presidente Bashar al-Assad, enquanto prosseguem os combates entre as forças leais ao regime e a rebelião, com especial violência em Alepo, e a comunidade internacional continua num impasse sobre a linha de acção a seguir para pôr fim ao conflito que se arrasta há mais de 17 meses.

As novas deserções – dos representantes diplomáticos sírios nos Emirados Árabes Unidos e em Chipre, os quais são marido e mulher – foram confirmadas ainda ontem à noite pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, o qual precisou que os diplomatas partiram ambos para o Qatar. Este foi o destino escolhido, no início do mês, também pelo embaixador sírio no Iraque, Nawaf Fares, até agora a mais importante deserção diplomática ao regime de Assad.

A partida de Lamia al-Hariri, responsável de negócios da Síria em Chipre, e do marido, Abdelatif al-Dabbagh, embaixador de Damasco nos Emirados, “mostra que responsáveis de topo no círculo próximo de Assad estão em fuga do Governo por causa dos actos odiosos cometidos contra o povo e também que os dias de Assad no poder estão contados”, sustentou Carney.

Foi igualmente reportada, mas ainda não confirmada, a deserção do adido militar sírio em Omã, Mohammed Tahseen al-Faqir.

No terreno, o cenário de batalha em Alepo, a segunda maior cidade e centro comercial do país, entrou já no sétimo dia consecutivo, ao mesmo tempo que residentes em Damasco dão conta de estarem a ser bombardeadas hoje várias zonas do sul da capital, com morteiros a cair “a cada minuto”.

Depois do grande assalto das forças do regime à capital, na semana passada, o exército virou então os seus maiores esforços para Alepo, na tentativa de fazer bater em retirada os combatentes rebeldes que tinham obtido controlo de boa parte daquela cidade e arredores, no norte do país, já não distante da fronteira com a Turquia.

Segundo o Observatório sírio dos Direitos Humanos (organziação com sede em Londres e uma vasta rede de activistas na Síria) terão morrido 24 pessoas nos combates de ontem em Alepo, continuando a aumentar o balanço de vítimas mortais no conflito, estimado já em mais de 18 mil pessoas.

Vários bairros de Alepo continuavam esta manhã a ser têm assolados por barragens ininterruptas de artilharia pesada e morteiros e batidas por helicópteros de combate, ao mesmo tempo que se multiplicam os relatos de uma enorme mobilização de reforços de tropas do regime a caminho de Alepo. Um activista anti-Governo na cidade afirmou que é esperado um grande assalto do Exército para recuperar o terreno que fora conquistado pelos rebeldes.

Esta nova intensa batalha – e cuja eventual vitória é estrategicamente crucial para ambos os lados – relançou a tensão na região para lá das fronteiras da Síria, tendo a Turquia decidido fechar ontem as suas fronteiras com o país vizinho. O encerramento não irá porém afectar o fluxo de pessoas que tentam fugir ao conflito, foi garantido pelo Governo de Ancara ao alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Ontem mesmo, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, renovou os apelos à comunidade internacional para “agir agora de forma a parar a carnificina” na Síria. Mas o impasse permanece, como já antes, em que três tentativas de fazer aprovar uma resolução de condenação dos actos do regime de Assad acabaram bloqueadas pela Rússia e China, e uma vez mais as diferentes visões existentes entre os membros do Conselho de Segurança sobre a forma de lidar com o conflito na Síria foram visíveis.

O embaixador alemão na ONU, Peter Wittig, lembrou, durante um debate do Conselho de Segurança sobre o Médio Oriente, que “é o povo sírio quem vai pagar o preço deste falhanço [da comunidade internacional em agir]”. Ao que, na linha habitual, o embaixador russo, Vitali Tchurkin, respondeu com críticas duras, nomeadamente em relação às ameaças já feitas por algumas potências ocidentais de darem apoio à oposição síria: “[Vão] contribuir e levar a uma escalada do confronto”.

FONTE: Expresso

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