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Igreja Católica questiona liberdade de opinião
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Igreja Católica questiona liberdade de opinião

A Igreja Católica considera que o actual clima de convivência entre os principais actores políticos na região, o MPLA e a UNITA, não propicia um acto eleitoral livre e tranquilo.

Esta ideia foi manifestada na cidade do Kuito pelo vigário geral do Bié, padre Nicolau Costa Tchiwewe, em declarações a O PAÍS. O sacerdote afirmou-se contrariado com a alegada partidarização das instituições públicas e com a não aceitação da diferença de opiniões na região. “O direito à liberdade de opinião não é exercido da mesma forma nas províncias do interior do país”, reconheceu o clérigo.

O também presidente da Comissão de Justiça e Paz da Igreja Católica manifestou insatisfação em relação à já muitas vezes referida recolha de cartões de eleitores, por supostas “entidades governamentais”, afirmando que tal atitude levanta sérias suspeitas em relação à credibilidade do processo eleitoral.

“No município de Camacupa continua a registar-se esta prática que constitui um comportamento não adequado num momento em que se preparam as eleições”, declarou.

O vigário geral da Diocese do Bié admitiu, entretanto, poder haver também, em muitas destas denúncias, “alguma dose de propaganda”.

Ainda assim, teceu críticas ao que descreveu de “partidarização do serviço público assente na atribuição de cargos com base na cor partidária.” O padre disse também ser prática nesta província o encerramento de escolas e a obrigação dos alunos e professores a participarem em actos políticos promovidos pelo Governo ou pelo partido que o sustenta.

“Gostaríamos que a escola fosse um lugar despartidarizado e voltado somente para o ensino. Só em Junho tivemos quatro dias sem aulas por causa da inauguração da estação do Cunje e das comemorações do dia dos mártires do Kuito”, disse.

O vigário geral do Bié lamenta a inexistência de uma imprensa independente e imparcial capaz de dar uma visão diferente da do discurso oficial, sobre a realidade política e social da província “e formar as pessoas”.

O padre Costa Tchiwewe disse que entendia que a mensagem da Igreja Católica nem sempre é bem interpretada por todos, mas enfatizou que “os cristãos são homens transmissores de paz e não deixam de dizer a verdade, ainda que isso fira alguém”, e rematou que “o que nos interessa é que não somos opositores de ninguém”.

FONTE. O País

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