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Crescimento económico em Angola é evidente apesar da corrupção
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Crescimento económico em Angola é evidente apesar da corrupção

O crescimento económico registado em Angola desde 2002, a uma média anual de 17 por cento, foi possível apesar da corrupção, considerou hoje em Luanda o economista Alves da Rocha.

O economista e docente universitário, que falava à imprensa no final da sua participação na II Conferência sobre Transparência e Boa Governação, promovida pela organização não-governamental Associação Justiça, Paz e Desenvolvimento (AJPD), disse que não se pode associar a riqueza produzida à prática da corrupção.

“Houve crescimento económico apesar de ter havido corrupção Ou seja, apesar de ter sido desviada uma parte importante de verbas públicas para benefício privado e que deixaram de ser introduzidas no circuito económico normal e de que poderiam ter resultado ações sociais mais vigorosas no sentido de combater a pobreza ou melhorar as condições de vida”, acentuou.

Lamentando não haver em Angola dados oficiais sobre os dinheiros públicos que fogem dos canais formais e alimentam a corrupção e a economia informal, Alves da Rocha socorreu-se na sua intervenção de números do Banco Mundial, para considerar que entre 5 a 10 por cento do Produto Interno Bruto de Angola, que em 2011 foi de 100 mil milhões de dólares (cerca 80 mil milhões de euros), “se perde na corrupção”.

Alves da Rocha apresentou na sua intervenção o tema “Corrupção, Crescimento Económico e Desenvolvimento Sustentável em Angola”, e acredita que a questão figurará entre os temas centrais da campanha eleitoral para as eleições gerais de 31 de agosto.

“Até agora só tive acesso ao Programa de Governação do MPLA (partido no poder) e ao seu Manifesto Eleitoral. Da leitura rápida que dei, não me pareceu ver propostas e abordagens incisivas sobre esta matéria”, considerou.

“Mas admito que exista, porque o MPLA, como partido de continuidade – o seu programa é nitidamente um programa de continuidade -, não pode deixar de abordar esta matéria, até porque foi o Presidente da República e cabeça de lista que lançou as bases para uma tentativa de combate à corrupção, com uma declaração, já há dois ou três anos, de tolerância zero face à corrupção”, admitiu.

Alves da Rocha, que dirige o Centro de Estudos e Investigação Cientifica, da Universidade católica de Angola, anunciou para setembro a divulgação de um estudo feito pela instituição acerca dos valores das comissões em obras públicas, que considera serem um dos fatores da corrupção no país.

A este respeito, contou que por ocasião de um recente comício organizado há cerca de três semanas pelo MPLA no Estádio 11 de Novembro, a sul de Luanda, as empresas de obras públicas, nacionais e estrangeiras, foram “convidadas” a participar no esforço financeiro da organização do evento.

Sem identificar, Alves da Rocha adiantou que estas empresas “não foram capazes de recusar o convite, sob pena de virem a ser posteriormente afastadas de futuros concursos públicos para adjudicação de obras”.

“As que aceitaram vão, naturalmente, refletir em futuros preços de fornecimento de bens e serviços, valores majorados com este tipo de despesas”, afiançou.

FONTE: Lusa

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