Publicado em: Sáb, Mai 26th, 2012

Armazéns engolem o Hoji ya Henda e criam dificuldades aos moradores

Antiga zona residencial, o bairro Hoji ya Henda é hoje uma zona desorganizada de comércio, onde abundam armazéns e cantinas. À semelhança de outros pontos da cidade, qualquer esquina é boa para  montar um negócio. Nas ruas, à porta de casa ou de uma escola, de um hospital ou junto ao cemitério, é comum verem-se produtos expostos à venda. Aqui, os riscos não importam, o que conta acima de tudo são os lucros.
O bairro Hoji ya Henda, no município do Cazenga, já foi considerado um dos mais bonitos e bem organizados da capital, a par do Bairro Popular e da Precol. Era uma zona essencialmente residencial, com vivendas luxuosas e edifícios de um e dois pisos. Devidamente urbanizado, tinha recintos de lazer, como o Cine África, hoje subaproveitado e degradado, e um outro que mais tarde ficou conhecido como o pavilhão da Edal, uma empresa que se dedicava ao fabrico de colchões.
Antes da independência, o bairro era habitado maioritariamente por portugueses que na refrega dos acontecimentos políticos e militares da época se precipitaram em abandonar as casas.
Conhecido anteriormente como bairro Santo António, em homenagem ao padroeiro da paróquia da Igreja Católica lá erguida, a designação actual foi-lhe atribuída em memória de um herói do MPLA, José Mendes de Carvalho “Hoji ya Henda”, falecido em combate em 1968, durante o assalto ao Quartel de Caripande (Moxico), em plena luta de libertação nacional.
Ao contrário de outros países, em que os armazéns se destinam à venda a grosso, em Angola este tipo de estabelecimentos também se dedica à venda a retalho e, muitas vezes, os produtos são revendidos ali mesmo ao lado, o que cria uma situação confrangedora.
A estrada da Cuca, designada Ngola Kiluanje, é um típico exemplo desta situação várias vezes reportada. Mas é junto à fábrica de cerveja e ao Hospital do Hoji ya Henda, no chamado “Arreou”, que este quadro é mais desagradável.
Os vendedores repartem a estrada com automobilistas e transeuntes, atrapalhando o trânsito rodoviário e deixando lixo por todos os lados, dando à zona o aspecto de uma lixeira em plena zona urbana.

Para agravar a situação, vários camiões à espera de carregamento de cerveja na fábrica da Cuca estacionam desordenadamente, ocupando uma boa parte da estrada, além do comportamento reprovável dos taxistas, que param em qualquer sítio, desrespeitando as regras mais elementares do trânsito.”

Praça da “Tailândia”

A administração municipal parece impotente para acabar com a venda de produtos na Estrada da Cuca. Tudo indica que enquanto se espera pela construção de novos mercados, o negócio de rua vai continuar. Tanto quanto se sabe, os vendedores agora pagam uma taxa para exercerem a actividade, o que os encoraja ainda mais. A Praça da Tailândia, designação atribuída ao mercado do Hoji ya Henda, é outro local nevrálgico.
O nome deve-se ao facto da maior parte dos artigos ali vendidos (roupas, cabelo postiço, calçado, bijutarias e outros) serem provenientes daquele país asiático.
O mercado estende-se quase até meio da estrada, o que transforma o local num verdadeiro pandemónio. Aqui, a circulação rodoviária é ainda mais complicada, num bairro em que as vias terciárias são inacessíveis aos automóveis.
O administrador adjunto do Cazenga, João Adão, confirmou a construção de um mercado de grande dimensão, na zona da Textang II, para onde vão ser transferidos todos os vendedores de rua.
No que diz respeito à transformação de espaços residenciais em cantinas, João Adão disse que essa situação não é do conhecimento da administração municipal.
“Essas práticas são ilegais, porque ninguém consulta a administração para esse fim. É um caso que deve ser tratado com o Ministério do Comércio”, disse o responsável.

Obras em marcha

Depois de um longo período de paralisação,  os trabalhos na estrada Ngola Kiluanje recomeçaram. Homens e máquinas são vistos a trabalhar na empreitada.
Após a sua conclusão, o trânsito pode tornar-se mais fluido, se efectivamente forem removidos outros obstáculos, como a venda ao longo da estrada e o estacionamento desordenado dos taxistas.
Nas condições actuais, o percurso entre o mercado de São Paulo e o Cemitério da Mulemba, também conhecido por Cemitério do 14, não se faz em menos de duas horas.
Anacleto Adolfo, um dos taxistas que funciona naquela via há quatro anos, disse que a situação tem piorado a cada dia que passa. “Ando a pensar desistir de circular nesta via, porque perco muito tempo. Uma distância que em condições normais podia ser feita em dez minutos faz-se em duas horas. É incrível. E esta estrada está assim há quatro anos. Oxalá que desta vez as obras fiquem concluídas ”, disse.
Relativamente ao prazo das obras, o administrador adjunto não avançou qualquer data, justificando que se trata de uma obra da competência do Executivo.

Cabrité de quintal

O “cabrité” entrou no léxico dos angolanos para designar a carne de cabrito grelhada e vendida em quintais, em pequenos pedaços embrulhados em papel utilizado para acondicionar o cimento.
O Hoji ya Henda é um dos bairros com mais “cabritarias”. Embora alguns proprietários insistam em abater o animal em quintais de residências, sem as mínimas condições de higiene ou sanitárias, a maioria optou pelo matadouro da Frescangol, graças à acção da Polícia Económica.
Nos locais de venda do produto continua a notar-se a falta de higiene o que faz do cabrité um atentado à saúde pública.
O processo começa com o abate do animal, geralmente adquirido no Rocha Pinto ou no mercado do Quilómetro 30.
Em seguida, a carne é condimentada e colocada numa grelha em brasas, feita à base de uma jante de automóvel. Por fim, é servida em pequenos pedaços.
Os maiores consumidores são jovens e o “cabrité” é acompanhado de tchikwanga, comida típica feita à base de farinha de mandioca e muito consumida no Norte de Angola, sem ignorar a cerveja.
Cada pedaço é vendido a 900 kwanzas. É ao fim do dia que as “cabritarias” têm mais movimento.

Deixe um comentário

XHTML: Pode usar estas tags de html: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

mirc indir mirc yukle - escort - mirc indir - sohbet -
Crónicas


Arquivo

Novembro 2014
S T Q Q S S D
« Out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
Portal de Angola - Todos os direitos Reservados

Armazéns engolem o Hoji ya Henda e criam dificuldades aos moradores