Vila de Calulo:faz a festa do futebol

Vila de Calulo
Vila de Calulo

Calulo continua em festa porque o Recreativo conseguiu o feito único de conquistar o título de campeão nacional de futebol. Nesta época de chuvas, os pavimentos molhados provocam acidentes em casos de alta velocidade. É preciso circular devagar para chegar à festa do Libolo. Há um ano, quando fui a Calulo, vi muitos macacos de árvore em árvore mas desta vez não vi nem um. Ao fim de quatro horas terminou a nossa viagem entre Luanda e Calulo.
Na vila, cada canto é oucupado por uma actividade recreativa. No largo principal encontrei capoeristas, contadores de estórias, malabaristas e consumidores de bebidas alcoólicas. Estar naquele largo foi para mim momento de nestalgia pois trouxe-me à memória momentos da minha infância. Antigamente, as populações dos bairros mais longínquos faziam peregrinações aos fins-de-semana à pequena e linda Calulo. Passados mais de 30 anos, a vila continua acolhedora como sempre.

Cozinheira Mana Bijú

O mercado municipal de Calulo fica situado num dos bairros da periferia. Ali há de tudo: produtos hortícolas, vestuário, materiais de construção, barracas de comes e bebes.
Antes do jogo da consagração do Recreativo do Libolo, na companhia do colega Paulino Damião, vulgo “Cota 50”, um dos veteranos do fotojornalismo angolano, fui saborear carne de caça numa barraca. Em Luanda não há estas iguarias. Quando faltavam pouco menos de duas horas para o jogo, Mana Bijú, senhora que vende comida no mercado, disse-nos que os “comes” estavam no fim. “Hoje o negócio andou bem, sempre que o Libolo joga é dicomba da área”, justificou a cozinheira. Mas ainda nos arranjou funge de bombô e uma suculenta carne de pacaça com um molho divino, tudo à moda da terra.

Mana Bijú serviu-nos o almoço e fechou a barraca porque não queria perder o jogo da consagração dos campeões de Angola em futebol.
Enquanto saboreávamos o funge de pacaça, Mana Bijú entoava os cânticos do Recreativo do Libolo. No fim da refeição fomos juntos para o estádio.

Destino turístico

Libolo é um dos 12 municípios do Kwanza-Sul. Entre as atracções turísticas destaca-se a velha fortaleza construída em finais do século XIX, como instrumento de defesa contra a forte resistência das populações à ocupação colonial.
Erguida sobre o pico de uma das muitas montanhas que existem no vasto território do município de Libolo, a fortaleza serviu de quartel, de 1917 a 1919, a um contingente de tropas portuguesas de ocupação.
Com a melhoria das estruturas rodoviárias e a participação da equipa da casa, o Recreativo do Libolo, no Girabola, a região tem sido destino turístico privilegiado e as unidades hoteleiras estão sempre cheias, sobretudo aos fins-de-semana.
Calulo tem sete unidades hoteleiras, desde hotéis de três estrelas a pensões. O Hotel Anniza Ritz tem quatro andares e 48 quartos, dos quais uma suite que custa 19 mil kwanzas por dia. O preço mais baixo é de 12.300 kwanzas para um quarto simples.
O Hotel Ritz Calulo tem 35 quartos. Os preços variam entre 12.300 e 14.250 kwanzas por dia. No restaurante, o cardápio é variado e uma refeição custa entre 2.500 e 3.500 kwanzas.
No Restaurante Valoeste, o menu do dia é variado e os preços das refeições oscilam entre 1.300 e 1.500 kwanzas. A Pensão Tia Ká tem 11 quartos e os preços variam entre 11 mil e 15 mil kwanzas. As refeições são a gosto do cliente e os preços oscilam entre 1.500 e 2.500 kwanzas.
Para os menos abastados, a pensão Master oferece seis quartos e, por noite, o cliente deve pagar sete mil kwanzas. Libolo é um município com 125 mil habitantes e está em grande expansão. Vale a pena visitar a vila de Calulo, sede municipal, para ver jogar os campeões nacionais mas também para desfrutar de uma região com raras belezas naturais.

Kindala Manuel

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

 

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