Transportes e logística em feira internacional

João Loureiro garante boas oportunidades de negócios aos participantes na “Expotrans”
João Loureiro garante boas oportunidades de negócios aos participantes na Expotrans

A Feira Internacional de Luanda, em parceria com o Ministério dos Transportes, realiza de hoje a 27 de Novembro, nas instalações da FILDA, a Expotrans Angola 2011. O sector dos transportes é reconhecido como fundamental no processo de dinamização da economia nacional. A distribuição dos bens é um factor importante para o desenvolvimento e vai ser reflectida na “Expotrans”.
A primeira edição da Feira Internacional de Transportes, Logística e Manutenção de Angola pretende também reflectir a realidade do sector. A feira Expotrans tem a sua cerimónia de abertura hoje às 11h00 nas instalações da Feira Internacional de Luanda.
Os preços dos bilhetes estão fixados em mil kwanzas. João Loureiro, gestor de feiras da FILDA, em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, revelou os pormenores da mostra.

Jornal de Angola – Qual é o objectivo desta feira?

João Loureiro – Esta feira decorre sob o lema “transportes e logística num lugar só” e surge numa altura em que Angola está a desenvolver-se nos seus mais variados domínios. Sabemos que o sector dos transportes e logística tem uma palavra a dizer nesse processo, já que em muitos casos dita o preço final dos produtos postos no mercado. Esta feira tem como objectivo relançar o transporte marítimo internacional de bandeira angolana, de cabotagem ou fluvial, pois vai complementar o que já existe no sector e torná-lo mais completo. Vamos lançar o repto de modernizar os aeroportos e aeródromos, um processo em curso. Pretendemos também olhar para a reestruturação do sector dos transportes aéreos em Angola, nos domínios da regulação, infra-estruturas, aviação civil e segurança aeroportuária.


JA – Há outros objectivos associados à feira?

JL – Sim. há muito mais objectivos. Um deles está relacionado com a reabilitação e modernização dos caminhos-de-ferro e a reabilitação e construção dos portos. Pretendemos igualmente promover o desenvolvimento e optimização da prestação de serviços nos domínios rodoviários, ferroviários, marinha mercante e aviação civil. Vamos também promover soluções de transporte de pessoas e bens, além da necessidade de acompanhamento do surgimento e aplicação das novas tecnologias ao sector e a criação das condições de oferta para o desenvolvimento nacional de uma infra-estrutura logística adequada às necessidades da sociedade e do mercado.

JA – A realização desta feira garante vantagens ao sector?

JL – Sabemos que o sector dos transportes e logística nos últimos anos se converteu num dos sectores chave para o desenvolvimento, o que tem influenciado imparavelmente o crescimento económico. É com esta perspectiva que o Ministério dos Transportes decidiu realizar o primeiro salão sobre transporte e logística de Angola. É lógico que uma feira destas traz sempre vantagens para qualquer economia. As nossas empresas vão ter oportunidade de mostrar o actual estado do sector, proporcionando aos visitantes e expositores de outros países a realidade do sector dos transportes em Angola.

JA – Transporte e logística num só lugar. O que sugere este tema?

JL – A escolha deste lema é simples: transporte e logística andam em paralelo e o que se pretende é promover uma ligação mais forte. É  uma espécie de reforço do que já existe e do que pode vir a existir no âmbito da necessidade desta ligação. Logística e transportes andam em paralelo e aqui está a justificação do tema.

JA – Angola atingiu o nível desejável neste importante segmento da economia?

JL – O sector cresce e cada vez mais se dinamiza. Mas há muito por fazer, embora esteja a beneficiar de novas infra-estruturas. Estão a ser criadas, remodeladas e construídas estradas. Há factores que vão contribuindo para o desenvolvimento do sector. Falo também da construção e reabilitação de aeroportos, o que torna sustentável a criação de uma base logística, descentralizada. Com isso, as empresas conseguem facilitar o transporte e distribuição de produtos em todo o país. Tudo isto facilita a actividade no sector. Os produtos já podem ser levados do litoral para o interior com mais facilidade, pois há condições que tornam isso possível. Os portos são um dos principais factores de desenvolvimento.

JA – Com as modernizações em curso as perspectivas são boas para o sector?

JL – A ligação dos portos nacionais, que se encontra numa fase de reabilitação e modernização, às linhas férreas, aos transportes terrestres, aéreos e até marítimos vai abrir caminho para um verdadeiro desenvolvimento das regiões do interior, que até há pouco se debatiam com imensas dificuldades logísticas. Vamos, nesta feira, reflectir o real estado das empresas que operam no sector em Angola. É uma iniciativa do Executivo numa parceria com a FIL. Esta é a primeira feira do género no qual participam países como Portugal, Brasil e Namíbia. Trouxemos à mostra as seguradoras por estarem ligadas aos transportes.

JA – Há uma grande dinâmica nos transportes em Angola, o que mudou realmente?

JL – Tem havido, até agora, um grande dinamismo no sector, que está a mudar o cenário económico de muitas províncias e até das zonas rurais. A questão dos preços altos esteve sempre ligada a problemas de transportes e é justamente este problema que o país está a procurar resolver com maior celeridade. Há algum tempo, era impensável viajar e transportar pessoas e bens como se faz hoje, numa altura em que os operadores estão a lançar-se cada vez mais no negócio. A concorrência instalou-se e os preços estão a mudar inevitavelmente. Resultado do investimento, os custos operacionais vão baixar no futuro.

JA – Os transportes podem cair numa situação de monopólio?

JL – Hoje, existem muitos operadores, o que elimina a possibilidade da existência de monopólios nos transportes. Há mais possibilidades de escolha dos clientes. A concorrência é uma realidade no país, onde a relação qualidade e preço ditam a procura.

JA – Os transportes de passageiros inter-provinciais estão a aproximar as províncias?

JL – Os transportes terrestres inter-provinciais de passageiros evoluíram bastante nos últimos anos. Tudo o que está a acontecer no domínio dos transportes é fruto do esforço do Executivo, que investiu muito no sector nos últimos anos. Hoje milhares de pessoas preferem viajar por estrada. Começamos a sentir os efeitos dos investimentos públicos e em função disso, as províncias estão mais próximas umas das outras. Nesta feira vamos olhar para a recuperação do sector marítimo, um dos grandes desafios do país. A recuperação da Sécil Marítima é claramente um dos grandes desafios do Executivo. Acho que daqui a cinco anos, temos o sector em melhores condições.

JA – A ligação do Lobito ao Huambo por comboio está totalmente normalizada?

JL – Está a funcionar e é um dos maiores ganhos do investimento do Executivo no sector. Por isso, acredito que em termos de trocas comerciais e sobretudo das empresas voltadas para o comércio, torna-se menos dispendioso fazer uma operação de comboio do que qualquer outro meio de transporte. Também tem benefícios para os próprios países porque as trocas comerciais aumentam e beneficiam a economia. O corredor de Benguela até à Zâmbia fica beneficiado com o transporte de mercadoria. Com o aumento das trocas comerciais as populações ganham muito mais. Com este meio as mercadorias chegam a custos muito mais baixos.

JA – O sector da logística cresce ao mesmo nível dos transportes?

JL – A superação e dinamização do segmento da logística passa por uma estruturação interna. Quando tivermos as nossas bases de logística bem edificadas e estruturadas, há uma maior conexão entre a logística e o transporte e de ambos com as províncias. Mas é necessário lançar as bases para a reestruturação de todo o sector de logística, já que é o principal factor de distribuição de bens no país. Há também necessidade de descentralizar este segmento, não pode ficar baseado apenas em Luanda.

João Dias
Fonte: Jornal de Angola
Fotografia: Dombele Bernardo

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