Syanga Abílio defende mais promoção de conhecimentos técnicos e científicos

Direcção do Ministério do Ambiente quer acções imediatas sobre a desertificação acentuada nos países africanos
Direcção do Ministério do Ambiente quer acções imediatas sobre a desertificação acentuada nos países africanos

O vice-ministro do Ambiente, Syanga Abílio, afirmou ontem, em Luanda, que é necessário promover os conhecimentos técnicos e científicos para a abordagem da desertificação e gestão dos solos em África.
Syanga Abílio fez esta afirmação no primeiro Encontro Nacional sobre a Flora e a Vegetação de Angola, que visou analisar a sua diversidade, estrutura e distribuição, além da sua importância no desenvolvimento do país.
O vice-ministro do Ambiente fez o apelo em resposta às fortes constatações no continente africano, no que toca à desertificação acentuada. Acrescentou que no Sul de Angola, nas zonas desérticas, tem-se notado “embora em médio nível, desertificações que afectam o solo que, quando não é bem gerido, põe em causa a segurança alimentar”.
Syanga Abílio disse também que é importante que os recursos naturais sejam explorados de uma forma sustentável: “o Executivo tem trabalhado para diversificar a economia. O Produto Interno Bruto (PIB), no tempo colonial, não dependia do sector mineiro como nos dias de hoje, estamos a falar basicamente do petróleo. Isso quer dizer que se adoptarmos uma estratégia correcta na abordagem da biodiversidade, podemos encontrar formas de participar no desenvolvimento socioeconómico do país”.
O vice-ministro do Ambiente, que durante o encontro moderou o primeiro painel sobre “Tipos de vegetação de Angola”, pôs em causa a actual gestão da biodiversidade. Referiu que há zonas no país que sofrem muitas agressões ambientais, como é o caso dos mangais que estão a sofrer grandes agressões.
No que diz respeito à realização do Encontro Nacional sobre a Flora e Vegetação de Angola, o vice-ministro Syanga Abílio considerou o tema importante e que a sua abordagem não deve limitar-se apenas ao conhecimento ou inventariação das espécies em via de extinção, mas também “temos que dar o outro passo, que tem a ver como e de que forma a biodiversidade deve participar no processo de desenvolvimento económico do país”.
O reitor da Universidade Agostinho Neto (UAN), Orlando da Mata, que proferiu o discurso de abertura do encontro, disse que, embora vários estudos sobre a biodiversidade de Angola tenham sido realizados, a sua dimensão real permanece desconhecida.

Para o reitor da Universidade Agostinho Neto, é urgente reverter esta situação através da elevação da capacidade nacional e das parcerias internacionais, o que vai possibilitar um melhor conhecimento da situação. Orlando da Mata referiu ainda que as instituições de pesquisa devem dirigir as suas acções para solução dos problemas, particularmente os ligados à degradação da biodiversidade, situação em que a Universidade, através dos centros de pesquisa, deve fornecer os elementos técnicos e indicadores para apoiar as políticas do Executivo na tomada das medidas adequadas.
A realização do Encontro Nacional sobre a Flora e a Vegetação de Angola contribui para um melhor conhecimento e aproveitamento da flora e também contribui para a definição de políticas que visam a sua conservação. O encontro, que hoje termina, conta com a presença de cientistas nacionais e internacionais e participam representantes de ministérios, instituições públicas, associação ambientais e organizações não-governamentais, especialistas e peritos de diversos domínios das ciências biológicas e da conservação da natureza.

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Eduardo Pedro

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