Sucesso regional com a integração

Ministro Augusto Tomás falou dos projectos para a integração na área dos transportes
Ministro Augusto Tomás falou dos projectos para a integração na área dos transportes

Angola assumiu ontem a presidência da Conferência dos Ministros Africanos dos Transportes, através do ministro Augusto Tomás, para um mandato de dois anos, substituindo no cargo a República da Argélia.
A eleição decorreu durante os trabalhos da II Conferência de Ministros Africanos dos Transportes, que terminaram ontem, no Centro de Convenções de Talatona. No encontro, os ministros africanos afectos ao sector dos transportes avaliaram a actividade desenvolvida desde a primeira sessão da Conferência, com destaque para o Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA).
Durante os trabalhos, os ministros defenderam a aceleração do processo de ratificação da Carta Marítima Africana e a modernização e harmonização da legislação, com vista a apressar o processo de integração regional.
A concretização do plano de acção para os próximos dois anos e a promoção da segurança rodoviária, que deve vigorar até 2020, também se encontram entre as prioridades.
Na abertura do encontro, ontem de manhã, Augusto Tomás afirmou que a integração regional pode ser a chave para um maior sucesso das economias africanas em tempos de crise. O ministro considera que o aprofundamento da integração regional representa o processo mais “expedito e vantajoso” para os povos africanos e defendeu que a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) seja alargada e aprofundada, para se tornar uma organização mais operacional. “Devemos caminhar para soluções conjuntas, globais, onde cada Estado cumpra a sua parte no processo de criação de valor acrescentado e redistribuição de riqueza”, afirmou, acrescentando que a “grande batalha da integração” deve começar nos sectores das comunicações e infra-estruturas de transportes.
“Sem redes de transporte, as comunicações não funcionam, as relações comerciais não evoluem e a integração passa por ser apenas um mero desejo sem hipóteses de concretização”, disse.
A nível do transporte aéreo, defendeu a dinamização das relações aéreas entre os Estados membros da União Africana, que facilitem a aproximação entre os operadores económicos e investidores.

Referindo-se ao transporte marítimo, o ministro Augusto Tomás considerou que, entre os países com portos marítimos ou fronteiras fluviais, é sempre possível aumentar as soluções de tráfego costeiro de cabotagem e contribuir para baixar o custo dos produtos nos mercados nacionais.
No domínio da rede rodoviária, recomendou que cada país reabilite e modernize as estradas e melhore o sistema de ligação nas fronteiras, para que África disponha de uma rede internacional integrada de estradas. Augusto Tomás considera “complexa” a integração a nível dos caminhos-de-ferro, não obstante as ligações ferroviárias já existentes entre os diferentes Estados.


Projectos para África

A comissária da União Africana para Infra-estruturas e Energia, Elham Ibrahim, defendeu ontem, em Luanda, a harmonização de políticas e regulamentos regionais, para facilitar a cooperação e implementação de projectos no domínio dos transportes.
Elham Ibrahim, que falava aos jornalistas no final da cerimónia de abertura da Conferência dos Ministros Africanos dos Transportes, no Centro de Convenções de Talatona, disse que são necessários pelo menos 60 biliões de dólares norte-americanos para desenvolver as infra-estruturas no sector dos transportes em África, num período de quinze anos.
A responsável pelo sector de infra-estruturas na organização continental salientou que 30 por cento do valor caberia apenas ao desenvolvimento do sector de transportes.“Ninguém de fora nos pode ajudar se nós mesmos não começarmos a andar com os nossos próprios pés”, alertou Elham Ibrahim, respondendo a um jornalista.
A comissária anunciou que a organização está a trabalhar na implementação de projectos ligados aos principais corredores rodoviários em África.

Garrido Fragoso

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

 

DEIXE UMA RESPOSTA