Reaberta a investigação à morte de Natalie Wood, um caso com 30 anos

As autoridades judiciais do estado americano de Los Angeles reabriram a investigação à morte da actriz Natalie Wood – famosa no papel de Maria no filme “West Side Story” – que se afogou em 1981 ao largo da costa californiana.

Os detectives decidiram reabrir o caso depois de terem sido contactados por pessoas que reclamam ter em sua posse “informações adicionais” acerca do afogamento.

Espera-se para esta sexta-feira uma nova conferência de imprensa das autoridades californianas quando forem 19h em Portugal continental.

No ano passado, a irmã da actriz, Lana Wood, bem como o comandante do iate em que Natalie Wood viajava quando se afogou, tinham pedido às autoridades que reabrissem o caso.

Porém, ontem, o vice-xerife do condado de Los Angeles, Benjamin Grubb, não adiantou se foram estas as pessoas que desencadearam a reabertura do processo, indicando que hoje serão fornecidas mais informações durante a conferência de imprensa.

Natalie Wood disse uma vez, durante uma entrevista televisiva, que o seu maior medo era o das profundezas do oceano. No dia 29 de Novembro de 1981 a actriz afogou-se, precisamente, nas águas do Oceano Pacífico, num istmo de Catalina Island. O seu corpo acabou por ser encontrado a flutuar na água a pouco mais de 1,5 quilómetros do iate, segundo descreveu a CNN.

Irmã reclama a verdade

De acordo com os relatos da polícia, Wood envergava uma camisa de noite, peúgas e um anoraque quando foi encontrada a boiar junto ao iate onde estava acompanhada do marido, Robert Wagner, e do actor Christopher Walken.

A autópsia indica ainda que o cadáver de Wood apresentava contusões, incluindo uma abrasão na face esquerda. “A minha irmã não sabia nadar e ela nunca iria para outro barco ou para terra vestida de camisa de noite e peúgas”, disse Lana Wood.

Apesar de o médico legista ter então determinado que a causa da morte de Wood foi acidental, muitas pessoas especulam que a história foi mal contada, indica a CNN.

Em 2010, Lana Wood disse àquela cadeia de televisão que, antes de morrer, a sua irmã teve uma grande discussão com o marido no deck do iate, embora afastasse e possibilidade de se ter produzido um assassinato. “Só quero que a verdadeira história venha ao de cima, a história real”, disse.

Por seu lado, o antigo comandante do iate “Splendour”, Dennis Davern, quebrou um longo silêncio sobre a noite fatídica com um relato detalhado sobre o que se passou na noite da morte da actriz no livro “Goodbye Natalie, Goodbye Splendour” e que foi publicado em Setembro de 2009.

Nesta obra, Davern escreve que a morte de Wood foi uma consequência directa da discussão com Robert Wagner, que ainda é vivo e está agora casado pela quarta vez (Wood foi a sua primeira mulher, com quem se casou duas vezes).

O agente de Robert Wagner, Alan Nierob, publicou um comunicado afirmando que o actor e a sua família apoiam os esforços levados a cabo pela justiça e acreditam que esta avaliará a importância de quaisquer informações novas respeitantes à morte de Natalie Wood Wagner que venham de fontes credíveis e não de pessoas que estejam a tentar aproveitar-se do 30.º aniversário da trágica morte da actriz.

Numa entrevista à CNN em 2010, Davern indicou ainda que considera que as investigações da morte de Wood ficaram incompletas, sugerindo ter havido uma tentativa de encobrimento dos factos. Nessa mesma ocasião Davern lamentou ter desviado os investigadores do bom caminho permanecendo calado, a pedido de Robert Wagner.

O “Splendour” da morte

Wood e Wagner casaram-se em 1957, divorciaram-se em 1962 e voltaram a casar em 1972. Era muito comum os dois viajarem no seu iate pela costa da Califórnia. Na fatídica viagem, Wood e Wagner convidaram o actor Christopher Walken para se juntar a eles durante o fim-de-semana do Dia de Acção de Graças, em 1981. Christopher Walken tinha co-protagonizado o filme “Brainstorm” com Natalie Wood e a imprensa cor-de-rosa de Hollywood especulava então que o marido da actriz tinha ciúmes de Walken.

O próprio Robert Wagner admitiu isto mesmo no seu livro de 2009 “Pieces of My Heart”, tendo explicado que, na noite da morte, partiu uma garrafa de vinho contra uma das mesas do iate.Depois de uma discussão acalorada entre os dois homens (Wagner e Walken), a actriz correu para os seus aposentos, disse Davern à CNN, e Walken também se retirou para o seu quarto. Poucos minutos depois, o comandante Davern ouviu o casal a discutir, relata a CNN.

Envergonhado, o comandante do iate aumentou o volume da sua aparelhagem mas, a certa altura, Davern lembra-se de ter olhado pela escotilha e de ter visto o casal a discutir no deck da embarcação.

Depois disso, as versões são diferentes: o actor diz que a mulher regressou ao quarto e que só deu pela sua falta algum tempo depois, após umas bebidas no deck. O comandante alega, por seu lado, que o actor foi ter consigo, em pânico, pouco depois de os ver a discutir no exterior e que este lhe disse não encontrar a mulher em lado nenhum.

Ambos coincidem que procuraram Wood por toda a embarcação e que deram pela falta da actriz mas também do bote de borracha do iate. Os dois presumiram, por isso, que Wood tivesse partido, tendo ligado para o restaurante onde tinham jantado em terra perguntando aos seus responsáveis se teriam visto a mulher. Não tinham.

Passadas umas horas o bote foi encontrado a pouco mais de um quilómetro e meio do iate. O corpo da actriz jazia igualmente sem vida a uma curta distância.

Wood contracenou com alguns dos mais famosos actores de Hollywood, incluindo James Dean no filme “Rebelde Sem Causa” e Warren Beatty em “Esplendor na Relva”. A actriz esteve nomeada para os Óscares por ambos os desempenhos.

Já Robert Wagner entrou em dezenas de filmes nas décadas de 1950 e 1960 antes de começar a participar em séries televisivas. Entre 1968 e 1970 protagonizou a série “It Takes a Thief” e entre 1979 e 1984 participou em “Hart to Hart”.

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