Pulseira conecta-se com iPhone e promete melhorar qualidade de vida

A bracelete tenta fazer um gráfico de padrões de sono ao monitorar movimentos inconscientes

A bracelete tenta fazer um gráfico de padrões de sono ao monitorar movimentos inconscientes
Talvez você já tenha ouvido. Nós americanos não somos um exemplo de boa forma física. Nós sofremos de excesso de peso, falta de exercício e falta de sono. Não precisamos de mais estudos que nos lembrem que ser tão gordos, preguiçosos e cansados faz mal para nosso humor, produtividade e saúde. O que precisamos é mudar nossos hábitos.

Onde há a vontade, há um aparelho. A Jawbone, a fabricante dos elegantes fones de ouvido Bluetooth e dos coloridos alto-falantes portáteis sem fio, agora oferece um produto que está apenas distantemente relacionado aos seus antecessores: a bracelete Up (US$ 100 nos Estados Unidos). Os minúsculos sensores de movimento dentro dele são projetados para monitorar sua atividade e sono, e, ao se deparar com o registro de seus hábitos, inspirar você a melhorar.

Essa não é uma ideia nova. O ingrediente ativo é o mesmo encontrado nos aparelhos anteriores para melhorar sua saúde como FitBit, Philips DirectLife e Nike+iPod: um acelerômetro, um sensor de movimento como aquele encontrado no controle remoto do Wii. Se você usar conscientemente esses aparelhos, eles funcionam. O simples ato de monitorar seu próprio comportamento inevitavelmente encoraja você a subir mais escadas, a estacionar mais longe e usar a bicicleta em vez do carro.

Hardware
A bracelete Up tenta melhorar esses aparelhos anteriores de dois modos importantes. Primeiro, seu exterior de borracha texturizada, disponível em várias cores e tamanhos de pulso, é à prova d’água a até 1 metro de profundidade. A ideia é você usar o bracelete 24 horas por dia, os 7 dias da semana, mesmo quando estiver nadando ou tomando banho. Segundo, o Up usa um aplicativo do iPhone como cérebro e tela. Brilhante! Você já carrega consigo um computador com tela de toque colorida, por que não funcionaria com seu pedômetro glorificado (uma versão Android está a caminho)?

A bracelete possui uma espinha metálica, é flexível, mas sempre retorna ao seu formato oval fechado quando você o tira. Ele não é um círculo completo. É mais como um C exagerado, com as extremidades passando uma pela outra. Em uma extremidade, há um botão clicável de metal e duas minúsculas luzes indicadoras. Na outra, uma minúscula tampa removível esconde o conector do Up para seu iPhone: uma miniconexão de fone de ouvido. Sim, isso mesmo: o bracelete Band se conecta ao seu iPhone pela conexão de fone de ouvido. É tanto a ideia mais genial quanto a mais idiota.

Usar a conexão de fone de ouvido faz com que o bracelete possa, em teoria, se comunicar com qualquer marca de telefone. Mas não é uma conexão sem fio, quando implora para ser sem fio. O fone de ouvido e os alto-falantes da Jawbone são modelos pelo uso inteligente do Bluetooth. Por que então o bracelete não pode enviar seus dados sem fio para o telefone? A resposta, segundo a empresa, é que o Bluetooth reduziria a duração da bateria do bracelete em 10 dias.

Mesmo assim, essa decisão é extremamente decepcionante. Agora, várias vezes por dia, você precisa tirar o bracelete, remover a tampa, inserir o plugue na conexão de fone de ouvido do celular, abrir o aplicativo, apertar o botão sincronizar para abrir a tela de sincronização, apertar outro botão para iniciá-la e aguardar até que os mais recentes dados do bracelete sejam enviados ao telefone. Depois da sincronização, recoloque tudo de volta e o devolva ao seu braço. Todo o lance de plugar parece antiquado e errado. Significa ter que retirar o bracelete. Significa que você perderá a tampinha minúscula. E mais isso: o bracelete nem mesmo se recarrega dessa forma. Para carregar o bracelete, você supostamente deve conectá-lo ao minúsculo cabo USB específico que é plugado ao computador. Você também perderá esse cabo. Se você conseguir sincronizar os dados do bracelete com seu telefone, você verá um gráfico de sua atividade de saúde, representado por barras coloridas.

Um deles mostra atividade física, medida por passos, distância e calorias, como calculados pelo bracelete (eu fiquei decepcionado por não receber nenhum crédito por pedalar 90 minutos. Certamente foi exercício, mas é claro que meu pulso não se moveu muito. A empresa diz que a versão atual é específica para corrida e caminhada, mas que é possível registrar qualquer outro tipo de atividade –natação, ioga, remo, ciclismo– manualmente. O aplicativo também pode registrar suas corridas, caminhadas ou percursos de bicicleta usando a função GPS).

Motivação
Se você precisar de inspiração adicional, o aplicativo também lista desafios oferecidos por empresas de fitness: obter uma hora extra de sono, caminhar 100 mil passos nesta semana e assim por diante. Os desafios do dailyfeats.com permite que você ganhe cupons de desconto no mundo real de comerciantes locais ou realize doações para empresas sem fins lucrativos –um excelente incentivo adicional.

Talvez o melhor motivador seja o alarme de tempo sedentário. Você pode ajustar o bracelete para vibrar, ao estilo celular, toda vez que não se levantar, digamos, por uma hora. É um lembrete visceral de quanto tempo você passa sentado, imóvel. Como o FitBit e outros produtos, o bracelete Up também tenta fazer um gráfico de seus padrões de sono ao monitorar seus movimentos inconscientes: sono profundo, sono leve e deitado desperto. Você precisa apertar um botão de metal na extremidade para avisá-lo que está indo para a cama, o que é um pouco estranho. Ele não deveria sentir quando você foi dormir?

A bracelete também pode acordar você com vibração. De fato, sua função Alarme Inteligente tenta acordar você quando está na fase mais leve do ciclo de sono, para evitar o estado de confusão de despertar do sono profundo. Você programa o despertador, se o bracelete sente que você está quase desperto uns 30 minutos antes, ele acorda você mais cedo.

É difícil acreditar que você de fato se sentirá melhor com menos sono, mas essa é a teoria: online, um bom número de pessoas diz que funciona. De qualquer forma, há um grande valor em um despertador que acorda você com uma vibração silenciosa. Pelo menos, a pessoa que estiver dormindo ao seu lado certamente apreciará muito isso. A bracelete Up supostamente também ajuda a comer melhor, mas sua abordagem é minimalista: você usa o telefone para fotografar cada refeição. E só. O bracelete não tem nenhum envolvimento. Não há monitoramento das calorias, nenhum controle de porção, nenhuma orientação.

A empresa sugere que a humilhação pública é a chave. O aplicativo Up permite que você se conecte a outros donos de braceletes Up que você possa conhecer: parentes e amigos, por exemplo. Todo dia, você pode comparar sua própria atividade, sono e alimentação com os deles, lado a lado em um gráfico no telefone. A ideia é que se você estiver sendo observado por pessoas cuja opinião importa, você se cuidará melhor. É difícil argumentar contra essa premissa. Mas quantas pessoas que você conhece têm braceletes Up para participarem da sua rede? Tudo isso significaria muito mais se o programa do telefone não fosse tão confuso. O gráfico pode dizer “24%” para comida. Percentual do quê? Há três telas diferentes de aplicativo que mostram o progresso dos seus amigos, rolando como atualizações do Facebook: qual a diferença? Por que o aplicativo não funciona no modo avião? Poucas pessoas entenderão o que se passa neste aplicativo.

O bracelete Up é interessante, mas poderia ser muito mais. Menos bugs. Software mais simples. Uma conexão sem fio. Capacidade de monitorar outras atividades fora caminhar. Um administrador de dieta menos rudimentar. Compatibilidade com outros telefones. A empresa diz que as melhorias virão em breve. Por ora, o coração e o hardware estão no lugar certo – mas o software ainda precisa melhorar muito.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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