Primeiro-ministro italiano consegue apoio no Senado

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, discursa na Câmara dos Deputados, em Roma.
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, discursa na Câmara dos Deputados, em Roma.

O novo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, recebeu nesta sexta-feira o voto de confiança da Câmara dos Deputados, depois de ter conquistado a vitória na quinta-feira no Senado. Somente o partido de extrema-direita Liga do Norte não apoiou o novo premiê. Monti anunciou que se reunirá com lideranças europeias na terça-feira e, dois dias depois, encontrará o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

O novo governo presidido pelo ex-comissário europeu, que prometeu reformar a Itália para salvar o país da crise econômica e social, recebeu 556 votos de um total de 617 deputados presentes. Monti, apoiado por uma inédita e ampla maioria no Parlamento, conta também com a confiança da União Europeia e dos líderes da França e Alemanha.

“Eu não estou pedindo uma confiança cega, mas uma confiança vigilante”, disse, no Parlamento. “Nós pensamos que se nós fazemos um bom trabalho, vocês também fazem. Quando vocês nos dão confiança ou quando vocês nos a retiram, vocês devem lembrar das consequências que isso provoca na confiança que os cidadãos têm em vocês.”

O novo primeiro-ministro demonstrou a intenção de governar até o final da legislatura, em 2013. Parte da classe política italiana demonstrou descontentamento com a rápida nomeação de Monti ao cargo, em substituição a Silvio Berlusconi. A transição relâmpago foi vista como uma medida tomada de urgência apenas para agradar os mercados financeiros.

Em coletiva de imprensa após a votação, o premiê anunciou uma reunião com Merkel e Sarkozy para analisar a crise do euro. “Trata-se de um encontro informal, de muito trabalho”, explicou Monti, acrescentando que, na terça-feira, visitará Bruxelas para almoçar com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e depois se reunirá com o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Monti afirmou que não há razões para modificar o mandato do Banco Central Europeu (BCE), exigido por alguns países para poder intervir com mais eficiência ante a crise da dívida. Ele também alertou que, em breve, deverá tomar decisões não muito agradáveis para a Itália.

O premiê assume o cargo diante de uma das crises econômicas mais graves da história recente da Itália devido a sua gigantesca dívida pública, de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).

 

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Tony Gentile

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