“Praias Seguras” cobrem todo país

Ministro do Interior Sebastião Martins durante o lançamento do projecto Praias Seguras na companhia dos seus homólogos da CPLP
Ministro do Interior Sebastião Martins durante o lançamento do projecto Praias Seguras na companhia dos seus homólogos da CPLP

O movimento rodoviário, no sábado, 5 de Novembro, por volta das 10 horas, defronte a entrada da Ilha de Luanda era calmo, com as viaturas a circularem de forma amena, onde os engarrafamentos não se faziam sentir. Quem olha para o lado direito para quem soube a Ilha apercebe-se de uma multidão não muito habitual. Eram os ministros do Interior ou Administração Interna dos Países Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), convidados pelo seu homólogo angolano Sebastião Martins, para o lançamento do projecto “Praias Seguras de Angola”.
A tenda branca do projecto BAÍA serviu para os convidados terem uma ideia sobre a realidade actual de algumas praias angolanas e o que se pretende alcançar com o projecto “Praias Seguras de Angola”.
A caravana que incluía alguns delegados e comandantes provinciais da Polícia Nacional seguiu para a Ilha de Luanda nas imediações da Casa do Desportista. Os convidados apreciavam durante o trajecto a beleza natural que se está a transformar a nova marginal e olhavam a distância o Museu das Forças Armadas.
Na Ilha, o cenário era de alegria onde muitos banhistas olhavam para a multidão que se fazia presentes debaixo de uma tenda improvisada no local. O mar estava colorido, o sol convidava para um mergulho. Dezenas de motorizadas náuticas, barcos, e nadadores salva-vidas exibiam as novas técnicas adquiridas durante o curso de nadadores-salvadores.
Os nadadores-salvador estavam perfilados com vestes de cores amarelas, vermelhas, brancas e azul, acompanhados com os equipamentos. Durante a actividade, foi ainda feito a entrega simbólica de certificados às centenas de novos nadadores mergulhadores que agora têm missão de salvar vidas humanas. Estes nadadores voluntários salva-vidas vão ajudar a reduzir as cerca de 600 mortes verificadas anualmente nas praias angolanas, segundo o ministro do Interior, comissário-chefe Sebastião Martins.

Praias um bem precioso

As praias são um bem precioso para o país. As zonas balneares ao longo da costa, rios e lagoas têm um potencial de lazer e turismo que deve ser desenvolvido. A segurança nas praias deve constituir uma prioridade para todos, daí a criação do programa, segundo o folheto informativo do Ministério do Interior distribuído ao público presente.
Este programa “Praias Seguras de Angola”, lê-se no folheto, resultou na formação de mais de uma centena de nadadores-salvadores voluntários e se pretende que haja mais vigilância nas praias, sinalização apropriada, indicação das praias mais seguras para banhistas, mais segurança contra o crime e praias cada vez mais limpas.
Dados no folheto, apontam que o projecto” Praias Seguras de Angola” pretende, a médio prazo, fomentar e manter nas praias um clima de respeito pelas normas e pelas autoridades, garantir meios humanos para prevenção e resolução de situações de risco de afogamento bem como assegurar que os utentes conheçam as regras de conduta e os riscos que cada praia pode apresentar, assim como prevenir e reprimir a criminalidade no contexto balnear, controlar e melhorar a qualidade das areias e águas das praias e a recolha de lixo nas areias e águas.

Sensibilização e  informação

Um dos aspectos do programa “Praias Seguras de Angola” é combater o consumo excessivo de bebidas alcoólicas nas praias e a promoção das praias angolanas ao nível do turismo interno e externo e outras áreas de interesse público.
Para o êxito do projecto “Praias Seguras”, alguns membros do grupo de xinguilamento do agrupamento carnavalesco União Mundo da Ilha, trajados com panos e missangas cor vermelhas, com apitos e batuques brindaram os convidados com danças e xinguilamento.
Os mais velhos da Ilha de Luanda disseram à reportagem do Jornal de Angola que “a demonstração visou abençoar o projecto para que tenha resultados positivos”. Durante o acto, eles dançavam e arremessavam comidas e bebidas no mar, segundo a tradição dos ilhéus.

Banho de praia e álcool

Todos os banhistas têm de cumprir com dez regras elementares para a sua segurança durante o momento de lazer nas praias como; caso ingerirem álcool não devem tomar banho. Depois de uma refeição, só depois de três horas é que devem entrar na água e só o devem fazer em locais sem lama.
O documento do Ministério do Interior refere que, os cidadãos devem tomar banho em praias vigiadas e cumprir com as indicações das autoridades marítimas e dos nadadores-salvadores. “Os banhistas devem tomar banho acompanhados, mesmo os que saibam nadar. Em caso de não saber nadar, deve evitar ficar na água acima da cintura”, esclarece.
O governador interino de Luanda, Graciano Domingos, disse que as praias são locais de divertimento público e não locais onde as famílias buscam o luto e o sofrimento, pelo que “os cidadãos devem colaborar com as autoridades competentes para a sua própria segurança”.

Evitar mortes  por afogamento

A materialização do projecto “Praias Seguras de Angola” simboliza o empenho do Executivo angolano em impedir a perda de vidas humanas, segundo o ministro do Interior, Sebastião Martins.
O dirigente acrescentou que o projecto foi elaborado tendo em conta o facto de Angola possuir uma bacia hidrográfica com inúmeros lagos e lagoas, uma zona com 24 milhas náuticas e rios que atravessam o país, bem como uma orla marítima com mais de mil e 600 quilómetros.  Nas praias, os nadadores-salvadores são uma fonte de segurança para os banhistas  mesmo em locais de difícil acesso e situações de emergência.
As operações de salvamento aquático seguido e atendimento médico pré-hospitalar são as mais frequentes no seu trabalho, como disse o ministro.

Protecção

Esse projecto, na óptica do ministro do Interior, constitui uma forma de protecção e de preservação da vida humana em matéria de vigilância e socorro dos banhistas pelas equipas que estarão em prontidão para actuar em caso de afogamento ou outro incidente.
O projecto está dividido em três fases, sendo que a primeira, começou no mês de Junho desse ano e termina em Agosto de 2012, abrangendo as províncias de Luanda, Benguela, Cabinda e Bengo.
A segunda fase vai ter início em Setembro de 2012 e terminará em Agosto de 2013, e vai abarcar as províncias do Namibe, Kwanza-Sul e Zaire.
O ministro Sebastião Martins  garantiu que, a terceira fase do projecto terá inicio em Setembro de 2013 e terminará em Outubro de 2014, circunscrevendo as províncias do Huambo, Lunda Norte e  Lunda Sul, Kwanza-Norte, Huíla, Bié, Moxico, Uíge, Malange, Cunene e Kuando Kubango, províncias com lagoas, lagos e rios utilizados pelos banhistas.

Formação

O curso de nadadores-salvadores, realizado em Angola e no exterior, contou com a participação de 97 profissionais, 77 voluntários perfazendo um total de 174 formandos. O ministro do Interior afirmou que doravante “há que se trabalhar para aprovação do regulamento que determina o funcionamento e uso do espaço marítimos, sendo importante o mapeamento das praias e o seu cadastramento geodésico.

Materiais

Para a implementação dessa primeira fase do projecto “Praias Seguras de Angola”, o Ministério do Interior adquiriu 27 torres de vigilância marítima e fluvial, 18 viaturas de apoio, igual número de motas 4 vezes 4, nove motas aquáticas e outros equipamentos de socorro e uso individual. Sebastião Martins precisou ainda que o projecto visa dar maior visibilidade as acções de prevenção, socorro e salvamento, mais fiscalização da orla marítima, garantir a ordem pública com o policiamento a altura das exigências.
Há ainda, como garantiu, acessibilidade adequada com a construção de infra-estruturas que permitam socorrer de imediato quem necessitar. O surgimento da figura do nadador salvador profissional ou voluntário assim como a instalação de postos de vigia fixos e móveis para o acompanhamento, disse, vai permitir dar mais tranquilidade na exploração dos meios de lazer.

Aspecto pedagógico

O projecto prevê desenvolver acções em sistema de ensino dinamizando o processo de sensibilização para incutir princípios de educação ambiental para criar nas crianças e adolescentes o hábito de preservar a natureza, permitindo formar uma geração de angolanos mais atentos com os seus deveres para com a natureza.

André da Costa

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Domingos Cadência

 

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