Praias do Soyo sujas com crude

Derrame de petróleo de proporções e origem por determinar está a poluir uma vasta extensão da costa marítima do município do Soyo
Derrame de petróleo de proporções e origem por determinar está a poluir uma vasta extensão da costa marítima do município do Soyo

Um derrame de petróleo de proporções e origem por determinar está a poluir uma vasta extensão da costa marítima do município do Soyo, província do Zaire, constatou a reportagem do Jornal de Angola.
Segundo as autoridades tradicionais do Tombe, as manchas de óleo começaram a atingir as praias no sábado passado.  A costa marítima nas localidades da Cabeça da Cobra, Tombe e Quifuma, todas a poucos quilómetros da cidade do Soyo, são as mais afectadas pelas manchas de petróleo. A poluição está a afectar o ambiente e já afecta a vida dos habitantes. O derrame, que se presume ter origem no “Bloco 2”, está a preocupar as autoridades tradicionais do Tombe, pelo facto de estar em causa a sobrevivência da população, que vive, essencialmente, da pesca.
Caso não seja estancado quanto antes, o derrame pode pôr em risco a biodiversidade da região. As praias do município estão a ficar cobertas de manchas de petróleo.
De acordo com o pescador António Maria Nkutxi, 27 anos, esta é a terceira vez que um derrame do género ocorre no Tombe. “Pedimos às autoridades competentes para chamarem à responsabilidade os causadores da situação. Estamos muito preocupados. É a terceira vez que se verifica um derrame que afecta a nossa costa e as nossas vidas. Desde sábado que não vamos ao mar e, em consequência, estamos a viver com dificuldades. A pesca é o nosso ganha-pão”.
António Nkutxi mostrou ao repórter do Jornal de Angola o impacto directo do derrame na praia do Tombe.
“Eu perdi uma rede. Como vê, ela foi contaminada pelo petróleo que vem do mar e que está a sujar toda a areia da praia”, explicou.
O conselheiro do soba do Tombe, António Malúndama, revelou que, devido à poluição, há vários dias que nenhum pescador se faz ao mar e que o quadro pode ser dramático. “Temos estado a viver de alguns produtos do campo, que não são suficientes, até porque os trabalhos agrícolas estão na fase de preparação das terras para depois serem lançadas as sementes”.

António Malúndama confirmou que é a terceira vez que um derrame do género ocorre naquelas paragens, este ano. O responsável do departamento provincial do Ambiente, Manuel Salvador, contactado pelo Jornal de Angola, disse que ainda não tem conhecimento do derrame.
Prometeu que vai trabalhar com as autoridades competentes para apurar a sua origem e proporções. Garantiu que os responsáveis vão ser chamados à responsabilidade.

 

 

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Fonte: Jornal de Angola

Foto: Jornal de Angola

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