Passos Coelho descarta oportunismo nas relações

Acompanhado do ministro das Obras Públicas Passos Coelho visitou a Baía de Luanda
Acompanhado do ministro das Obras Públicas Passos Coelho visitou a Baía de Luanda

O primeiro-ministro português descartou ontem a possibilidade de as relações entre Angola e Portugal se basearem em oportunismo, na sequência da crise económica e financeira que afecta o seu país.
“Aqueles que pensam que Portugal se volta agora mais para Angola e para o Brasil porque atravessa um período económico de maiores dificuldades, estão a confundir aquilo que é acessório daquilo que é essencial”, declarou Passos Coelho, que está em Luanda desde quarta-feira, para uma visita oficial a Angola.
Falando durante uma conferência de imprensa no Palácio Presidencial, após um encontro com o Presidente José Eduardo dos Santos, referiu que o relacionamento entre Angola e Portugal não é de agora e traduz a aliança estratégica que os dois governos têm mantido e sobre a qual o seu país tem uma visão de médio e longo prazo.
“Valorizamos aqueles que nos ajudam durante este processo”, acrescentou, confessando-se sensibilizado com as palavras do Presidente José Eduardo dos Santos de que, tal como Portugal esteve com Angola nos momentos difíceis, também Angola está com Portugal neste momento difícil que atravessa.
Para o efeito, Passos Coelho defendeu uma agenda comum do ponto de vista estratégico entre Angola, Brasil e Portugal, para que dela possam ser retirados grandes benefícios, num mundo cada vez mais globalizado.
O primeiro-ministro português referiu que a visão estratégica foi igualmente transmitida ao Presidente da República de Angola durante o encontro e ficou muito satisfeito ao saber que esta é igualmente a perspectiva das autoridades angolanas, considerando que o relacionamento bilateral fortalece esta aliança estratégica.
Angola e Portugal vão realizar a sua primeira cimeira bilateral em 2013, em data e local a definir, sob o lema do crescimento sustentável. Uma comissão vai preparar os trabalhos da agenda da cimeira.

Passos Coelho afirmou o seu apreço pela consolidação das instituições democráticas que se vai realizando em Angola, considerando que a paz tem sido bem aproveitada. “Há realmente uma diferença extraordinária no progresso e desenvolvimento que se observa”, referiu. Considerou ainda que, com as eleições do próximo ano, “Angola vai conhecer cada vez mais valores aprofundados de uma democracia enraizada”.
Relativamente ao pedido de adesão da Guiné Equatorial à CPLP, disse estar aberto ao assunto, nos termos da verificação das condições definidas para o processo.
Referindo-se à Guiné-Bissau, manifestou a convicção de que se vai encontrar, nos próximos tempos, um quadro de apoio internacional, que ajude a estabilização e normalização do país e traga reconhecimento e apoio externo, que esteve suspenso durante algum tempo.

 

Fonseca Bengui

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Rogério Tuti

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