Novo tratamento contra o lúpus com bons resultados nos testes

Doentes podem ter esperança

Um novo tratamento contra o lúpus, doença auto-imune que pode ser fatal, apresentou resultados promissores nos primeiros testes clínicos feitos em pacientes europeus, disseram, na terça-feira, cientistas reunidos numa conferência nos Estados Unidos da América.
O novo tratamento contra este mal, no qual o sistema imunológico ataca os tecidos saudáveis, neutraliza uma proteína chamada interferon alfa, encontrada em quantidades maiores nos pacientes com lúpus e que pode levar a uma inflamação crónica e à auto-imunidade. O tratamento, similar a uma vacina, é desenvolvido pela empresa francesa de biotecnologia Neovacs, com sede na França.  As injecções desta imunoterapia chamada Kinoid demonstraram ser seguras em testes de fases I e II num pequeno número de pacientes europeus, que desenvolveram anticorpos contra o interferon alfa, anunciou a Neovacs em reunião científica do Colégio Americano de Reumatologia, em Chicago.
“A injecção de Kinoid produz uma reacção do sistema imunológico, o que resulta na produção de vários anticorpos que neutralizam o interferon alfa”, disse o presidente executivo da Neovacs, Guy-Charles Fanneau de La Horie.
“O que estamos a propor é um tratamento muito simples e fácil de seguir por parte do paciente”, declarou em entrevista por telefone antes da apresentação formal dos resultados em Chicago.

Trio de injecções

O tratamento consiste num trio de injecções no primeiro mês, seguido de uma injecção de três a quatro meses depois.
Após um pequeno teste aleatório, há mais testes clínicos previstos e novos estudos podem começar em meados do próximo ano, disse Piers Whitehead, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da Neovacs. “Acreditamos que uma vantagem chave do nosso enfoque é que sabemos que podemos neutralizar os 13 subtipos (de interferon alfa) com o nosso produto”, disse.
Os cientistas também conseguiram ver as mudanças no perfil de expressão genética em alguns pacientes com excesso de interferon, um sinal promissor de que o tratamento está a funcionar, apesar de ser cedo demais para chamá-lo de cura.
Em Março, a FDA (agência reguladora de medicamentos dos EUA) aprovou o primeiro fármaco para tratar o lúpus em 56 anos.
O Benlysta, desenvolvido pelo americano Human Genome Sciences e o britânico GlaxoSmithKline, aponta para uma proteína diferente do Kinoid, da Neovacs.
É um tratamento intravenoso, um anticorpo monoclonal, o primeiro lançado no mercado americano desde o Plaquenil, em 1955. A aspirina foi aprovada para tratar o lúpus em 1948.
O lúpus causa úlceras, fadiga, inchaço, dores no peito e problemas de coagulação, afecta mulheres em idade fértil com mais frequência do que os homens, e é mais comum no período menstrual.
Cinco milhões de pessoas em todo o mundo têm lúpus, que, em geral, se manifesta entre os 15 e os 44 anos. As suas origens são incertas e não há cura conhecida.

 

 

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: AFP

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