Novo governo italiano pode ser anunciado neste domingo

Mario Monti, cotado para suceder a Silvio Berlusconi, deixa hotel neste sábado em Roma.
Mario Monti, cotado para suceder a Silvio Berlusconi, deixa hotel neste sábado em Roma.

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, poderá anunciar neste domingo a nomeação de Mario Monti, ex-comissário europeu da Concorrência, na chefia do novo governo italiano, no lugar de Silvio Berlusconi.

Atual reitor da Universidade Bocconi e presidente do grupo de economistas Bruegel, uma associação de reflexão econômica europeia, Mario Monti é cotado para liderar um governo essencialmente técnico, encarregado de sanear as finanças públicas italianas.

Na última quarta-feira, Monti foi nomeado senador vitalício pelo presidente Napolitano, um sinal de que está cotado para o cargo de primeiro-ministro. Como as eleições legislativas na Itália só estão previstas em 2013, Monti teria um ano e meio para administrar a crise da dívida soberana, propondo reformas econômicas impopulares mas necessárias.

A renúncia programada de Silvio Berlusconi diminuiu a tensão em torno da capacidade da Itália enfrentar a crise atual. No entanto, Mario Monti ou qualquer outra personalidade que venha a assumir o governo, terá de reunir apoio político para aplicar reformas na área da previdência, do mercado de trabalho e do setor público, como exigem os parceiros europeus.

O Partido Democrático, de centro-esquerda, e os centristas prometeram apoiar o novo governo. A Liga Norte, por outro lado, declarou que “jamais” faria parte de um governo aberto à esquerda. O Partido Povo da Liberdade, formação de Berlusconi, aceitou apoiar um eventual governo Monti impondo como condição a adoção das medidas de austeridade exigidas pela União Europeia.

O nome de Monti foi proposto pela competência e a conveniência técnica. Mas como lembrou na última quinta-feira o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, “governo técnico não existe, uma vez que todas as medidas propostas pelo executivo passam por votação no parlamento”. O exemplo da Grécia, que anunciou esta semana um governo de coalizão surpreendente, com ministros de extrema-direita, demonstra que em política nem sempre as coisas são previsíveis.

Fim do reinado para Berlusconi

Polêmico, Silvio Berlusconi foi alvo de 24 processos em 17 anos de carreira política. Entre as principais acusações estão fraude fiscal, corrupção do Judiciário e relação sexual com uma menor de idade. Todos os escândalos não chegaram, porém, a abalar o seu mandato. Ironicamente, o magnata das telecomunicações adulado pelo empresariado italiano foi derrubado pelos mercados, que não confiavam mais na sua capacidade de fazer as reformas necessárias para tirar a Itália da crise. Berlusconi foi primeiro-ministro entre 1994 e 1995, depois de 2001 a 2006 e ocupava o cargo desde 2008.

 

Fonte: RFI

Foto: Reuters

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