Milhares de manifestantes voltam a exigir fim do poder militar no Egito

Tropas de choque em momento de trégua com manifestantes na praça Tahrir.
Tropas de choque em momento de trégua com manifestantes na praça Tahrir.

Manifestantes convocaram um protesto nesta sexta-feira no Cairo para dar o que consideram “uma última chance” ao Conselho Supremo das Forças Armadas, contestado por seu apego ao poder desde a queda do ex-presidente Hosni Moubarak. O ex-primeiro-ministro egípcio Kamal El Ganzouri foi nomeado oficialmente chefe do governo de transição, mas a multidão insiste na renúncia da junta militar.

Na manhã de hoje, o prêmio Nobel da Paz Mohamed El Baradei, que tenta se impor como um nome de consenso para a presidência do Egipto, se juntou aos manifestantes na tradicional oração muçulmana da sexta-feira.

Mazhar Chahine, religioso muçulmano (iman) que celebrou a oração, defendeu a transferência imediata do poder dos militares para um governo civil. “Não há outra alternativa a não ser a formação de um governo de união nacional com um presidente”, disse o iman.

O ex-primeiro-ministro Kamal El Ganzouri, que chefiou o governo egípcio entre 1996 e 1999, aceitou a tarefa de criar um gabinete de união nacional após uma reunião, ontem, com o marechal Mohamed Hussein Tantaoui, homem forte do país. Mas os manifestantes que ocupam desde sábado a praça Tahrir, no centro do Cairo, exigem o afastamento imediato dos militares do poder.

A trégua anunciada pela polícia e pelos manifestantes garantiu uma calma relativa após seis noites de tensão e violência. Os distúrbios causaram a morte de pelo menos 41 pessoas até o momento.

A junta militar manteve as eleições legislativas previstas no dia 28 de novembro.

O presidente americano, Barack Obama, pediu uma transição rápida para um governo civil no Egito.

Agressões contra repórteres

A organização Repórteres Sem Fronteiras desaconselha os meios de comunicação a enviar mulheres para cobrir as manifestações no Egito. Em comunicado, a ONG relata que pelo menos três jornalistas já foram agredidas sexualmente desde o início da revolta popular no país.

Ontem, a jornalista da rede de televisão France 3 Caroline Sinz afirmou ter sido agredida por um grupo de jovens enquanto fazia uma reportagem nos arredores da praça Tahrir. Ela teve suas roupas rasgadas e depois sofreu violência sexual.

Na quarta-feira, uma jornalista americana de origem egípcia disse ter sido vítima de agressão sexual por policiais após ter sido detida. No dia 11 de fevereiro, dia da queda do ditador Hosni Moubarak, uma jornalista da rede de tevê americana CBS foi agredida sexualmente enquanto fazia a cobertura das manifestações na praça Tahrir.

Para a ONG Repórteres Sem Fronteiras, os grupos de mídia devem levar em conta esses casos e suspender momentaneamente o envio de mulheres ao Egito. “É triste chegar a este ponto, mas diante da violência dessas agressões não existe outra solução”, escreveu a Repórteres Sem Fronteiras no seu comunicado.

 

 

Fonte: RFI

Foto: Reuters

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