Médicos angolanos mais preparados para atender pacientes nos hospitais

Bastonário Carlos Alberto Pinto de Sousa
Bastonário Carlos Alberto Pinto de Sousa

O bastonário da Ordem dos Médicos de Angola, Carlos Alberto Pinto de Sousa, disse,  sexta-feira, ao Jornal de Angola que o Congresso da Multiperfil capacitou médicos que vão contribuir para melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes.
Carlos Pinto de Sousa falava à margem do Primeiro Congresso de Ciências da Saúde, que terminou sexta-feira e que se realizou no Centro de Convenções Talatona entre os dias 31 de Outubro e 4 de Novembro, tendo como tema principal “Formação Permanente Rumo à Qualidade no Atendimento”.
“Gostaria de felicitar a Multiperfil pela realização deste congresso. Foram momentos ímpares de troca de experiências e de conhecimento científico. Esta clínica está a dar uma grande contribuição à estratégia da formação permanente no país. O congresso delineou estratégias para consolidar a qualidade de atendimento nas unidades sanitárias. Angola, com este congresso ganha mais médicos qualificados e bem formados e com maior experiência”, disse o bastonário.
Carlos Pinto considerou que o sector da saúde apresentou avanços significativos no país, desde a conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.
O bastonário da Ordem dos Médicos apontou como ganhos as infra-estruturas, os equipamentos de última geração, a formação de quadros, o programa de municipalização dos serviços de saúde e a melhoria dos indicadores inerentes à mortalidade materno-infantil.
O presidente do Conselho de Administração da Clínica Multiperfil, Manuel Felipe Dias dos Santos, disse a este jornal que o congresso teve a adesão de mais de dois mil profissionais da Saúde.
“Superou as expectativas. O congresso não teve apenas a formação e a transmissão de informação, mas também a preparação dos médicos à luz dos novos princípios inseridos na estratégia do Executivo, que consiste na melhoria do atendimento às nossas populações”. A médica brasileira Leda Pavani, que orientou o curso sobre “Cuidados paliativos”, disse ao Jornal de Angola que esta forma de tratamento é exigida à equipa constituída por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. “Os cuidados paliativos servem para pessoas a quem é diagnosticada a morte iminente. Apesar desta finalidade fatal, elas precisam de certos cuidados. É preciso uma equipa para acompanhar o paciente para viver bem os últimos tempos que lhe restam de vida”, afirmou.

Cuidados paliativos

Leda Pavani referiu que o cuidado paliativo é uma especialidade nova, da era da medicina moderna, em que os procedimentos médicos consistem em aliviar a dor o máximo possível. “Neste tipo de assistência, os médicos já não fazem curativos, apenas controlam os sintomas, a dor, o medo e a angústia. Por isso, a equipa de tratamento inclui especialistas de várias áreas.”
Leda Pavani acrescentou que os pacientes têm de procurar uma equipa preparada, para ele ter a vida que lhe resta com a maior dignidade. “Em várias partes do mundo já existem clínicas de cuidados paliativos”, disse Leda Pavani.

Saúde da criança

A médica Filomena Gomes referiu que uma vida saudável na idade adulta depende dos cuidados que a pessoa teve quando era criança. A médica falava na apresentação do tema “Acções básicas para o cuidado das crianças e do adolescente”.
“A vida saudável depende do crescimento, desenvolvimento, vacinação, aleitamento materno, alimentação e cuidados com diarreias e problemas respiratórios. Estas são as acções a ter em conta para preservar a saúde e a qualidade de vida da criança”, defendeu.
A médica realçou que os cuidados devem ser divulgados e valorizados para melhorar a qualidade de vida da população. “O crescimento e o desenvolvimento da criança, hoje, começa desde a concepção, passa pela gravidez e vai até aos dois primeiros anos de vida. Ou seja, para uma pessoa ser saudável e gozar plenamente as suas capacidades, ela tem de ter mil dias de cuidados especiais.”
Filomena Gomes referiu que as gestantes, ou as mães, devem ser bem cuidadas, porque elas têm um papel preponderante para garantir a vida saudável das crianças.
“Elas são o único meio onde a criança se desenvolve. A mãe que ganha peso a mais, durante a gravidez, sofre de hipertensão ou diabetes pode transmitir estas anomalias para o feto, o que vai trazer consequências no crescimento da criança até à vida adulta.”
A especialista  Filomena Gomes concluiu que a criança tem de ser cuidada de forma adequada, até do ponto de vista emocional, pois as sequelas do começo da vida dão consequências na vida adulta.
“Por isso é importante vacinar as crianças e amamentá-las exclusivamente até aos seis meses de vida”, disse Filomena Gomes.

Edivaldo Cristóvão

Fonte: Jornal de Angola

Fotografia: Mota Ambrósio

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