“Maquis e Arredores” de Siona Casimiro

Siona Casimiro lançou o livro sobre a luta de libertação nacional na União dos Escritores Angolanos Fotografia: Angop
Siona Casimiro lançou o livro sobre a luta de libertação nacional na União dos Escritores Angolanos Fotografia: Angop

“Maquis e Arredores – Memórias do Jornalismo que acompanhou a luta de Libertação Nacional” é o livro de Siona Casimiro que foi lançado a 9 de Novembro, na sede da União dos Escritores Angolanos. Segundo Reginaldo Silva, que apresentou o livro, a obra constitui um contributo importante para História do jornalismo angolano feito nos Congos e para a compreensão dessa fase escaldante do nacionalismo angolano.
Siona Casimiro, reza a breve biografia do autor inserta na obra, nasceu a 12 de Maio de 1944, em Matadi, sede provincial do Baixo Congo. Os pais, oriundos do município de Cuimba, província do Zaire, tinham emigrado para a região. É diplomado pelo Centro de Formação Profissional de Jornalismo de Paris, recebeu a carteira pela primeira vez em 1969, após estagiar na Agence Congolese de Press (ACP). Escreveu para diversos órgãos de informação fora e dentro de Angola, nomeadamente para a Agência France Presse (AFP), ANGOP (Agência Angola Press), PANA (Agência Panafricana de Informação) e Associated Press (EUA). Foi director do Centro de Imprensa Aníbal de Melo. Actualmente é chefe de redacção do jornal “Apostolado” e membro do Conselho Editorial da Rádio Ecclesia. Em Kinshasa, coordenou o projecto de criação da Associação Democrática dos Jornalistas Angolanos no exílio. Foi um protagonista activo da fundação do Sindicato dos Jornalistas Angolanos no princípio dos anos 90 e do MISA Angola.
D. Vicente Carlos Kiaziku, bispo de Mbanza Congo, destaca, no prefácio, que o livro visa “proporcionar algo de cientificamente profundo, depois de uma longa e paciente pesquisa, recolha e selecção de documentos, entre publicações jornalísticas de então sobre o maquis. Siona colheu episódios (alguns dos quais vividos pessoal e dramaticamente, no sentido etimológico da palavra), que hoje nos apresenta através da edição deste acervo, com o intuito de dar-nos a conhecer factos de uma época histórica muito importante do nosso processo de luta contra o colonialismo português circunscrita de 1961 a 1975”.
O bispo Carlos Kiaziku sublinha que “o facto de Siona não falar sozinho, mas é aqui acompanhado por oito célebres penas angolanas que de igual modo e com os diferentes estilos de fazer jornalismo – usando a notícia “tout court”, a entrevista, a reportagem, a crónica, a publicação de artigos e comentários em revistas – preocuparam-se, a partir das bases de guerrilha presentes dentro e fora do território angolano, em fazer eco pelo mundo fora do ideal e do valor do combate libertador com todas as vicissitudes a ele inerentes, bem como dos acontecimentos que marcavam a vida interna dos Movimentos de Libertação e o processo de luta, pelo positivo”.  Na mesma perspectiva, o embaixador Luís Neto Kiambata, velho colega do autor e primeiro director da ANGOP, sustenta, no prólogo, que “ o autor realiza um profundo estudo sobre as relações de muitos participantes angolanos nas lutas de libertação e analisa factos, até agora encobertos, que chegaram a emperrar a dinâmica do processo que evoluiu para a independência de Angola. Uma independência que foi adiada, precisamente, por causa de, muitas vezes, alguns dos protagonistas terem perdido o precioso tempo em quezílias, enveredando em traições e alianças que a investigação, levada a cabo pelo autor desta obra, desvenda.” O docente universitário e embaixador Ambrósio Lukoki, na contracapa escreve que o livro constitui um subsídio para a História de Angola: “ é uma memória (colectiva) dinâmica, ainda mais nova e activa”.
O livro tem várias fotos de interesses histórico, uma entrevista com Jonas Savimbi e outra com Mário Soares, entre outros documentos. Vale a pena ler este livro organizado por Siona Casimiro.

 

Fonte: JA

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