Manifestantes no Egito morrem asfixiados por gás tóxico

Manifestantes jogam pedras durante violentos confrontos com a polícia egípcia, no Cairo, nesta quarta-feira.
Manifestantes jogam pedras durante violentos confrontos com a polícia egípcia, no Cairo, nesta quarta-feira.

Médicos que atenderam manifestantes feridos nos confrontos dos últimos dias no Egito afirmam que a polícia tem usado gases tóxicos, além do gás lacrimogêneo, que provocaram mortes. Promessa do novo chefe de Estado, Hussein Tantawi, de realizar eleições presidenciais no ano que vem não convence a população.

Muitas pessoas morreram asfixiadas com gases suspeitos usados pela polícia egípcia para dispersar os protestos no Cairo desde sábado, afirmam médicos. Segundo eles, entre os mais de 30 manifestantes mortos, pelo menos três foram baleados.

Um dos nomes citados como possível futuro primeiro-ministro, Mohamed ElBaradei, ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, denunciou um “massacre” na Praça Tahrir da capital pelas forças de segurança.

Nesta terça-feira, as Forças Armadas no poder no Egito prometeram realizar eleições presidenciais até junho do ano que vem, cedendo à pressão popular. O anúncio foi feito na televisão pelo marechal Hussein Tantawi, que lidera o país desde a queda do ex-ditador Hosni Moubarak. Ele aceitou a demissão do atual gabinete civil do primeiro-ministro, Dr. Essam Sharaf, e admitiu realizar um referendo sobre o futuro governo.

“Tantawi é Moubarak vestido de militar”, diz manifestante

Apesar da promessa, parte da população continua descrente e mantém a ocupação da Praça Tahrir nesta quarta-feira.

“Tantawi é um “copiar colar” de Moubarak, só que vestido de militar”, ironiza o manifestante Ahmed Mamdouh, de 35 anos.

Em comunicado, o Movimento dos Jovens de 6 de abril, à frente da revolução que derrubou o antigo regime, informou que manterá os protestos na Praça Tahrir e em várias províncias até que seja cumprida uma série de pedidos.

“Está muito claro que quem escrevia os discursos do presidente deposto Moubarak é o mesmo que faz os discursos do marechal”, afirma o movimento na nota.

Entre as reivindicações do grupo estão o anúncio de uma data para as eleições presidenciais antes de abril de 2012, a transferência imediata do poder a uma autoridade de civil, o estabelecimento de um “governo de salvação” que represente todas as forças políticas e a investigação dos incidentes na Tahrir.

O primeiro pleito legislativo deve começar no próximo dia 28 de novembro.

 

Fonte: RFI

Foto: REUTERS/Asmaa Waguih

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