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Malparado aumenta 80% mas banca continua a crescer
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Malparado aumenta 80% mas banca continua a crescer

Crédito malparado aumentou na banca nacional em 2010

O crédito malparado aumentou na banca nacional em 2010, verificando-se um crescimento do crédito vencido em percentagem do crédito total em 79,6%, revela o estudo anual da KPMG dedicado à Análise ao Sector Bancário Angolano. Num ano que foi de viragem na crise económica mundial, após a forte desaceleração decorrente da crise económica internacional, o rácio de crédito vencido sobre crédito total situou-se nos 5,1%,

No seu conjunto, a generalidade dos indicadores recolhidos pela consultora numa amostra que “caracteriza de forma fiel o sector bancário em Angola, na medida em que traduz cerca de 92% do total de activos consolidados da banca em Angola, conforme publicação do BNA de 5 de Outubro de 2011”, evidenciam um crescimento do sector, tanto em dimensão como em rentabilidade. Assim os activos aumentaram em cerca de 21%, o número de colaboradores em 18% (situavam-se, em 2010, em 11.000 pessoas) e o número de balcões abertos em 22%. No que respeita aos indicadores de rentabilidade, há a registar o crescimento de 24% ao nível do produto bancário e de 24% do resultado líquido.

A KPMG constata que persiste ainda uma significativa concentração do sector, estando 80% do mercado concentrado em cerca de 20% dos bancos, mas assinala que esta situação tende a modificar-se, observando-se “alterações de quota de mercado, nomeadamente nas rubricas de activo, crédito e depósitos, estando estas cinco Instituições (que consubstanciam 20% do conjunto do sistema bancário) a perder quota relativa face aos restantes, representando uma intensificação do ambiente concorrencial.

Mau grado se ter verificado em 2010 um crescimento na captação de depósitos e recursos de clientes, bem como na concessão de crédito, o ritmo de evolução destas rubricas denotou um ligeiro abrandamento em relação a 2009. A captação de recursos manteve uma tendência de crescimento de 13,9%, sendo de realçar que se observou uma alteração qualitativa na composição dos depósitos, com “uma redução do peso dos Depósitos à Ordem, por contrapartida dos Depósitos a Prazo, que reforçaram o seu peso no total de Depósitos de Clientes face ao ano anterior”. Já o crédito concedido cresceu na ordem dos 17,8%. A consultora observa que “a expressão que o sector bancário tem na economia (crédito concedido/ PIB) é de 19,8%, valor semelhante a outras economias ‘baseadas’ no petróleo, mas ainda aquém dos valores observados noutros países”. A transformação de recursos de clientes em crédito continuou a evoluir, fixando-se nos 53,6%, o que significa que, situando-se ainda abaixo dos 100%, se verifica um maior aproveitamento dos recursos captados, dirigindo-os para soluções de financiamento. Também a evolução do produto bancário foi positiva, registando um crescimento de 24,2%, explicado sobretudo pelo forte incremento da margem financeira que cresceu 53,2%.

RENTABILIDADE AUMENTA

A rentabilidade da banca nacional continua fortemente atractiva: a Rentabilidade dos Capitais Próprios (ROE), situou-se em 30,3%, “embora decorrente do aumento dos custos de estrutura tenha apresentado uma ligeira redução em 2010”. Já evolução do costto-income, de uma forma global, foi negativa, fixando-se em 49,7% (era de 39,6% em 2009). “Este facto deveu-se sobretudo à pressão dos custos operacionais, nomeadamente, custos com pessoal e aberturas de balcões, decorrentes da política de investimento do sector”, refere o documento.

A taxa de bancarização e o sistema de pagamentos prosseguiram o seu crescimento, embora a primeira abranja apenas 11% da população total e mau grado os esforços de expansão das diferentes instituições presentes no mercado, que abriram, em média, 12,5 balcões por mês, num total de 150 novos balcões abertos ao longo do ano. A forte concentração de balcões em Luanda (51%) faz antever que “o potencial de abertura de agências ocorra, sobretudo, nas restantes províncias, primeiro no litoral e depois no interior”. Foi efectuado ainda um forte investimento em novas máquinas automáticas, quer Multicaixa (ATM), quer de pagamento automático (TPA), o qual se traduziu num crescimento de 26% e 60% respectivamente.

De referir que se manteve a tendência de crescimento continuado no volume médio mensal de transacções na Rede Multicaixa, passando de 3,6 milhões em 2009.

O relatório confere um particular destaque ao papel do Banco Nacional de Angola (BNA) no plano da regulação e supervisão, pugnando por “um cada vez maior alinhamento das Instituições Financeiras com os ‘standards’ internacionais e as boas práticas de mercado”.

A KPMG confere especial relevo à supervisão prudencial e comportamental, prevenção de branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo, normalização do Plano Contabilístico das Instituições Financeiras (Contif), integração da Central de Informação de Risco de Crédito (CIRC), ‘compliance’ e ‘assurance’ e implementação da gestão de risco e capital.

Para além do reforço da regulação e supervisão, a KPMG considera que a captura do potencial e crescimento do mercado, o lançamento de novos canais de distribuição e inovação financeira, a gestão de risco de crédito, o surgimento da banca de investimento e do mercado de capitais, o acompanhamento do impacto das alterações fiscais que se avizinham sobre o sector financeiro, a formação e retenção de recursos humanos e a segurança da informação e gestão da continuidade de negócios configuram os principais desafios que se colocam ao sistema bancário angolano, o qual, sublinha a consultora, continua a apresentar “inúmeras oportunidades de crescimento”.

 

A nossa Banca em 2010
Activo consolidado: aumento de 21%

Depósitos e recursos de clientes: crescimento de 13,9%

Crédito concedido: mais 17,8%

Crédito vencido sobre o crédito total: 5,1%

Produto bancário: crescimento de 24,2%

Margem financeira: crescimento de 53,2%

Concentração: 80% do mercado concentrado em 20% dos bancos.

Taxa de bancarização: 11% da população

Rede: 70 balcões por milhão de habitantes

Expansão: Mais 150 balcões

Colaboradores: 11.000

Multicaixa: 5,5 milhões de transacções mensais (média)

Crescimento ATM: 26% Crescimento TPA: 60%

 

 

Fonte: O País

Foto: O País

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