Juventude do Kwanza-Norte quer sociedade equilibrada

Jovens divertem-se num centro de recreação em Ndalatando aproveitando o tempo de lazer para reforçarem a amizade e a convivência social
Jovens divertem-se num centro de recreação em Ndalatando aproveitando o tempo de lazer para reforçarem a amizade e a convivência social

O presidente do Conselho Provincial da Juventude no Kwanza-Norte, Rafael Domingos, mostrou-se em Ndalatando optimista em relação ao resgate dos valores morais e cívicos a nível da juventude, apesar de considerar que ainda há muito trabalho por fazer em relação ao assunto.
Em entrevista ao Jornal de Angola, afirmou que as várias acções de sensibilização e recomendações em relação a mudança de comportamentos sociais, emitidas pelos órgãos de comunicação social e outros agentes cívicos, têm permitido reflexões no seio da população, o que em sua opinião permite a redução do vandalismo e intolerância entre as comunidades locais.
Enalteceu o empenho das autoridades tradicionais, religiosas e principalmente dos professores de educação moral e cívica, que trabalham afincadamente para a construção de uma sociedade equilibrada, com o objectivo de garantir uma convivência harmoniosa, o respeito e o sentimento de unidade entre os cidadãos.
Para o resgate generalizado dos valores morais e cívicos em Angola, ressaltou a necessidade do engajamento de toda a sociedade, no sentido de cada cidadão ser conselheiro do próximo, em relação a transgressão das normas de conduta socialmente aceites, através de denúncias, chamadas de atenção e enquadramento dos jovens nos vários programas de reinserção social instituídos pelo governo e parceiros.
Quanto à protecção do ambiente, o presidente do Conselho Provincial da Juventude chamou a atenção dos responsáveis comunitários em relação ao derrube das florestas locais, adiantando a necessidade da plantação de uma ou duas árvores por cada residência, no sentido de precaver a erosão dos solos e a purificação do oxigénio.
Acções para a preservação de rios a nível da província, como o caso do Kwanza, Lucala, Muembeje e outros, também foram aclamadas por aquele responsável da organização juvenil do Kwanza-Norte.
Apesar de não avançar dados, mostrou-se de igual modo preocupado com as informações que tem recibo do núcleo local de luta contra a sida, particularmente em relação ao aumento de casos da doença a nível dos municípios de Cambambe e Cazengo, tidos como os mais endémicos.

Revelou que para o ano 2012 a organização pretende reforçar as acções de sensibilização junto das comunidades locais, no sentido de chamar a atenção da juventude, principalmente, em relação ao impacto da doença e os seus transtornos para a economia do Estado.
Apontou a ignorância, o alcoolismo e a falta de informação como causas primordiais do surgimento de novas infecções.
“Muitos jovens teimam em achar que a sida não existe, outros quando embriagados se perdem até ao ponto de praticarem o acto sexual sem qualquer protecção”, disse.
O aumento de casos de gravidez precoce é, na opinião de Rafael Domingos, outro assunto que preocupa as entidades governamentais da província, apontando o fraco conhecimento sobre sexualidade por parte dos adolescentes como um dos factores fundamentais para o crescimento do fenómeno em causa, associado aos poucos espaços de lazer e à falta de diálogo entre encarregados de educação e educandos.

Consumo de álcool

Entre os jovens, e no que ao consumo de álcool diz respeito, há os que se vangloriam, desconhecendo as consequências que podem advir no futuro da contínua utilização abusiva da bebida.
Adão André, jovem de 23 anos de idade, revelou ao Jornal de Angola que consome diariamente mais de 20 cervejas, quantidade que diz ser a normal para a sua satisfação. Na sua opinião, o álcool dá lhe forças para trabalhar e lidar com qualquer pessoa.
Joana de Sousa, pelo contrário, disse que perdeu há dois anos o seu lar por má influência das amigas, com quem diariamente alinhava no consumo de bebidas alcoólicas. Conta que “o álcool fazia o tempo passar rápido, não tinha tempo para cozinhar para os filhos e o marido, muito menos para arrumar a casa”.
“Hoje voltei a viver em casa dos meus pais, perdi a minha casa e o meu marido de sofrimento por causa do uso excessivo do álcool”, concluiu.

Estrutura do cérebro
e as consequências do álcool

O docente universitário Abreu Miguel desaconselha os jovens a enveredarem pelo consumo de álcool, devido as consequências que o seu uso excessivo pode causar, e que são várias. Explica que o cérebro é o principal órgão do sistema nervoso central, e o centro de controlo de muitas actividades voluntárias e involuntárias do corpo humano. A sua base funcional é o neurónio (célula nervosa) que nos homens existe em grandes quantidades.
Em sua opinião, o cérebro é responsável pelas acções complexas como pensamento, memória, emoção e linguagem. Precisou que a caixa craniana protege o encéfalo que tem o suporte das meninges, dura-mater, a aracnoideia e a pia-mater, tendo avançado que as principais actividades desenvolvidas pelo cérebro dependem do funcionamento normal do sistema nervoso, que se subdivide em nervoso central, nervoso periférico e nervoso autónomo. Disse que o oxigénio e os nutrientes necessários para o funcionamento normal das células do cérebro chegam através do sangue, que circula em vasos sanguíneos (artérias).
Sublinhou que o etanol possui acção puramente depressora sobre as células nervosas, diminuindo os impulsos nervosos, que podem causar efeitos mínimos quando a concentração de álcool é mínima no sangue.  Em pequenas quantidades o etanol inicialmente possui efeito depressor sobre os neurónios e o sistema límbico (centro das emoções).
Frisou que os neurónios inibem alguns de nossos sentimentos e emoções e portanto a acção depressora do álcool sobre as células neurónicas leva à excitação, desinibição e euforia.
Ao continuar ingerindo álcool o mesmo atinge também outras áreas do cérebro, com acção predominantemente excitadora, e a partir daí começa a haver inibição, sonolência, desgastes psicossomáticos e até coma. Abreu Miguel concluiu que atrofiadas as células nervosas, o indivíduo vive dias perturbados, sem poder efectuar actividades psicológicas e até mesmo fisiológicas mais aturadas, pondo em causa as suas competências laborais, académicas e outras. Reiterou que a insistência na abordagem de um tema como este visa, também, mostrar que os psicólogos, através da ciência, podem responder favoravelmente a estes casos.

 

 

Marcelo Manuel | Ndalatando

Fonte: jornal de Angola

Fotografia: Jornal de Angola

 

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