Junta militar egípcia confirma eleições em meio a trégua na praça Tahir

Imagem da violência na praça Tahir, no Egito, no dia 23 de novembro de 2011
Imagem da violência na praça Tahir, no Egito, no dia 23 de novembro de 2011

A polícia egípcia e os manifestantes anunciaram uma trégua nesta quinta-feira, depois de cinco dias de violência que resultaram na morte de pelo menos 39 pessoas no país. As Forças Armadas também garantiram que as eleições legislativas, serão mantidas na próxima segunda-feira.

Apesar da trégua, milhares de pessoas continuam ocupando a praça Tahir mantendo a pressão para os militares deixarem o poder. A Junta Militar, que dirige o Egito desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro, se desculpou pela morte dos manifestantes e prometeu que iria indenizar as famílias das vítimas.

A Junta também declarou que irá abrir um inquérito para averiguar as circunstâncias das 39 mortes, e excluiu um adiamento das eleições legislativas, previstas para segunda-feira. Um dos responsáveis, Mokhtar al Moullah, declarou que respeitava a opinião dos manifestantes, mas ela não representa, disse, “o ponto de vista da população egípcia.” Moullah também reafirmou que as Forças Armadas esperavam formar um novo governo antes do início das eleições, depois do pedido de demissão do primeiro-ministro Essam Charaf.

Na tentativa de acalmar os protestos, a Junta anunciou na terça-feira que irá antecipar em seis meses a organização de novas eleições, criar um novo governo provisório e realizar eleições livres. Na quarta-feira, a comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, pediu a abertura de uma investigação independente sobre a violência dos últimos dias.

As autoridades afirmam que não utilizam balas reais contra os manifestantes. O Ministro do Interior declarou que franco-atiradores abriram fogo de imóveis que ficam em torno da praça Tahir. Os manifestantes acusam a Junta de ter contratado esses homens para prejudicar o movimento de contestação.

 

Taíssa Stivanin

Fonte: RFI

Foto: Reuters/Ahmed Jadallah

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